Museu Histórico de Pará de Minas

O Ribeirão Paciência (em prosa e verso)

                                                        Ao povo paraense pela passagem do aniversário de emancipação da cidade [de Pará de Minas].
                                                                                         Maria da Graça Menezes Mourão
                                                                              Especialista em História e Cultura de Minas Gerais
                        

                          O Ribeirão Paciência foi o caminho natural das águas. Em suas margens caminharam os bandeirantes que nele se abasteceram, mataram a sede do cansaço, banharam-se, lavando a poeira dos caminhos.
                          O paulista não era como o português. Como indígena, incrustado na origem mameluca buscava as águas, buscava os pássaros, dormia na rede, andava descalço. Incrustado nas roupas do mato, nas horas de descanso, espraiava-se nas águas virgens dos caminhos.
                          E o ribeirão caminhava com eles, com paciência, copiando nas pedras as páginas da História. E o remanso calmo, apenas interrompido por dois funis, encachoeirava-se pelos lados do Romão e dos Macacos. Na paciência dolente dos que acreditam que o rumo é certo, serpenteava por entre os morros que um dia seriam Piteira, Bom Sucesso, Santa Cruz, Andaime, Alto...
                          Os moinhos cortariam suas veias menores, córregos de seu abastecimento. Mas, antes de tudo, seu destino era reverter em prodigalidade:
                          As choupanas que logo se veriam construídas...
                          O fubá na panela virando angu com ensopado de galinha...
                          E o fogo crepitando, estalando a lenha do dorso de suas margens.
                          E o mugir dos bois, o ranger dos engenhos se misturando nas brisas de águas rolando nas pedras. Cheiro forte das garapas nos tachos, transbordando, nos caixotes das rapaduras... cheiro de meloso, cheiro de cana na Várzea do Engenho, espalhado pelo vento dançante do arrozal ainda verde, maturando com o sol as espigas do amanhã...Barulho de palha de milho quebrada dos sabugos. Algodão separado no murmurinho da criançada brincando nos carrapichos das saias brancas, urdidas no algodão da safra passada,
                         levantadas,
                         aparando capuchos e olhares,
                         desenhando nos homens
                         volúpias formas chamando a noite...

                        Paciência... paciência...paciência...

                       O ribeirão saiu da Mata do Cego, alimentou-se da Água Limpa, carregou no bojo a “madre d’água”.
                       Ouro, ouro, ouro!
                       Caminhou junto com o caminho para o Pitangui, que levava para os Guardas, que levava para Bambuí, que levava para o Córrego da Anta... que levava para o Córrego do Veado... para Estrela, para Indaiá, Paracatu, que levava para o Vainhu:
                       Águas que levam para outras águas, Pará; que levam para outras águas, São Francisco que leva para o mar...

                      O ribeirão grande viu nascer a capelinha,
                      Vigário Geral João Pimenta considerou ser bom lugar...
                      Veio o Bispo que consagrou ser bom para arraial novo... 
                      Veio o tropeiro trazendo saudades de longe,descansou, alimentou a tropa...
                      no Paradouro da Estalagem do Patafufo.
                      Veio gente da terra comprou rapadura, bebeu gole da boa do vizinho...
                      Na venda, Maria comprou  meadinha,levou linha, sianinha.
                      Sinhazinha perguntou por carta...
                      Sinhá borda olhando a cruz lá no morro,
                      sondando com os pensamentos a curva do  caminho.

                     Paciência... paciência ... paciência...

                     Um dia, o rio acordou da sua paciência letárgica. Viu que as fazendas estavam sumindo no meio do casario... Espiou direito e encontrou um arraial... A Várzea do Engenho ainda continuava calma, serena, paciente. O arroz crescia adiante.
                     As moças no domingo buscavam capim de Presépio. E os rapazes apanhavam barba de pau. E um ano, outro ano, Paciência... Antes que suas águas desaparecessem pelas bandas do curtume o rio divisou as casas brancas, azuis, assobradadas. O alto da torre que agora era Matriz, a cruz no alto do Morro, que agora era o Cristo.

                    Então o Ribeirão Paciência vaticinou:
                    O que levo em minhas águas?
                    Levo saudades choradas.
                    Levo imagens recordadas.
                    Levo sons adormecidos?

                    Paciência... paciência ... paciência...
                    Paciência se esgotou...

                    Vou levar a cidade comigo,
                    Único meio de fazê-la lembrar...
                    Que eu vi os bandeirantes chegando,
                    Que eu vi suas roças crescendo,
                    Que eu vi suas crianças nascendo,
                    Que eu vi suas mulheres amando...
                    Que eu vi tudo...
                    Até o descaso que tiveram.
                    Mas eu levo a cidade comigo...
                    Arrastando-a forçosamente,
                    Formando os bairros,
                    Teimando os sítios
                    Nos últimos arroubos de sobrevivência.

                    Ah...Paciência!
                    Paciência, paciência, paciência...

                   Quem sabe um dia vão cuidar de mim.
                   E então encontrarão minhas veias de abastecimento,
                   Vão tentar limpar as minhas margens,
                   E vão lembrar de ouro, diamantes, pedras preciosas.
                   E então Paciência, esse dia chegará...
                   Mas o ribeirão não vai estar lá,
                   Desapareceu.


                                                                                                              Em 06.08.2005





Encontro de Guardas e Coroas do Reinado

Cozinhando no Museu Doces Momentos Diet com Galiana Fraga

Galiana Fraga, renomada culinarista lançou o livro "Doces Momentos Diet", dia 9 de setembro, no Museu Histórico, durante a 2ª Paraliiteratura - Feira de Incentivo à Leitura, realização da Secretaria Municipal de Cultura no período de 9 a 11 de setembro. Na oportunidade, Galiana Fraga, às 13 horas, ministrou uma oficina de culinária diet antecedendo o lançamento do livro.
O livro "Doces Momentos Diet” contendo mais de 200 receitas testadas, foi feito para pessoas que necessitam de uma dieta de baixas calorias. Nele, a autora Galiana Fraga ensina várias receitas de teor calórico reduzido, elaboradas para oferecer os melhores sabores em pratos coloridos, atraentes, saborosos e simples de fazer. O livro atende às pessoas diabéticas, hipoglicêmicas, obesas ou para quem quer manter a forma sem perder o prazer de comer.
Galiana Fraga, que traz no currículo diversos cursos de gastronomia, inclusive internacionais, ministra cursos na área há mais de 15 anos ensinando técnicas práticas e requintadas para a execução da culinária como uma arte.

Apoio Cultural:
Minasgás   -   Supermercado Panelão   -
Chá de Panela

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convite galiana fraga

Meteorito Pará de Minas


                                                                           Por Ana Maria Campos*                                   

                               Em 28 de abril de 2005 o Museu Histórico de Pará de Minas recebeu a visita do sr. Wan-Dick Almendro de Almeida, na época estava com 78 anos, ocasião em que contou à diretora Suzana Franco dos Santos que na infância viu cair um meteorito em Pará de Minas e que ele se encontra exposto no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, cidade onde reside. Meteoritos são fragmentos de corpos sólidos naturais (asteróides, lua, marte, cometas ...), que vindos do espaço penetram a atmosfera terrestre, se incandescem pelo atrito com o ar  e atingem a superfície terrestre. A chegada de um meteorito é anunciada pela passagem de um grande meteoro, chiado e estrondos cacofônicos (IN: www.meteoritos.kit.net/quesaometeoritos.htm).
                               Wan-Dick Almendro é natural de Pará de Minas, cidade onde residiu até os 17 anos de idade, transferindo-se para o Rio de Janeiro. O amor pela terra natal é transmitido na fala: – “gosto muito de Pará de Minas e sempre que posso venho pra cá. Sei de tudo que acontece aqui.”
                               Wan-Dick Almendro de Almeida rememorou a queda do meteorito: – Eu era um menino de 7 anos e estava brincando com um amigo na rua quando vi passar no céu uma bola de fogo enorme com uma cauda e ela foi em direção à serra onde hoje está o Cristo; mas na época, em 1934, não tinha o Cristo não, era só a serra com um cruzeiro. A claridade foi tanta que iluminou até as formiguinhas (risos), dava para ver tudo, porque eram 19 horas quando esse meteorito passou.
                                Indagado pela entrevistadora se ele sabia como o meteorito foi encontrado e como foi repassado ao Museu Nacional, Almendro respondeu:  – Foi um senhor modesto que estava passando de carroça em uma estrada de chão quando o pneu da carroça esbarrou em alguma coisa. Então o homem foi verificar e viu uma pedra, que ele tentou levantar e não conseguiu. Chamou um amigo para ajudar a tirar a pedra do caminho. A pedra é pequena, mas é muito pesada, ela pesa 112 quilos. Depois um engenheiro do DNER viu a pedra na porta da casa desse senhor humilde e ficou com ela, vendendo-a para o Museu Nacional por 114 mil reis. Naquela época era muito dinheiro (...).
                               Ainda residindo no Rio de Janeiro e já aposentado, Wan-Dick Almendro de Almeida foi ao Museu Nacional conseguindo fotos do Meteorito de Pará de Minas para o Museu da cidade onde nasceu (ver abaixo). Conseguiu também uma publicação do próprio Museu Nacional, em inglês, dedicada ao meteorito que aqui caiu em 1934. Na publicação mencionada, que é o Boletim do Museu Nacional, Nº 18, de 06 de outubro de 1952, mais detalhes são encontrados sobre o Meteorito de Pará de Minas, denominação ligada ao local onde foi encontrado, técnica usualmente utilizada para facilitar a localização.
                               Reproduzimos abaixo algumas informações do boletim:

                                                                  BOLETIM DO MUSEU NACIONAL
                                                                               NOVA SÉRIE
                                                                         Rio de Janeiro - Brasil
                                                             GEOLOGIA  -   Nº. 18   -   6 de outubro de 1952

                                                                 METEORITO DE PARÁ DE MINAS 
                                                                 Por Walter da Silva Curvello e Cândido Simões Ferreira

                                O presente documento trata de um meteorito que foi preservado completamente na coleção do Museu Nacional do Rio de Janeiro durante quinze anos, sem uma descrição publicada e quase totalmente desconhecido (...). A única referência escrita sobre esta massa meteórica aparece no Boletim do nº. 31 do Serviço da Produção Mineral que é um relatório do Diretor desta pesquisa durante o ano de 1937 de onde nós conseguimos um pouco de informações.
                               Conforme a referida publicação, o meteorito caiu em 1934 nas terras da fazenda Palmital, próxima da cidade de Pará de Minas [grifo nosso] que situa-se perto, e é vizinha do distrito de Igaratinga, Estado de Minas Gerais - Brasil.
                               Um fragmento dessa massa foi levado e submetido à análise no Laboratório (Serviço de Produção Mineral) mencionado e o resultado foi este:“É Holosiderio, composto de ferro e pequena porção de níquel.
 [grifo nosso]. Este meteorito foi comprado pelo Museu em 1941, não havendo, porém nenhum registro sobre o nome da pessoa envolvida nessa compra, circunstâncias da queda e outros dados úteis. Um considerável fragmento (+ ou - 8 kg) foi retirado da massa meteórica e levado para a Universidade de São Paulo em 1941, supostamente para estudo. Porém, nada e nenhum papel foi publicado cientificamente sobre esse meteorito.
                               O Meteorito de Pará de Minas é, no entanto, uma real e grande massa, pesando originalmente um pouco mais de 112 kg [grifo nosso]. A maior massa na coleção do Museu Nacional pesa 101.900 Kg. Algumas pequenas lascas (fatias) preparadas para troca faziam um total de 1.238 Kg. Uma dessas partes foi enviada, em troca, para o Museu Nacional dos Estados Unidos, em Washington, e outro para o Museu de Meteoritos Americano, no Arizona.
                              As coordenadas geográficas do local da queda da massa principal (a massa meteórica) são: 19º 52’ Lat. S. e 44º  37’  long. W [grifo nosso].”

                              Na descrição do meteorito, o boletim relata: tem um aspecto peculiar devido à ausência completa dos buracos e manchas, tão comuns nesses corpos extraterrestres. Se parece com uma pêra deformada que tem no seu ápice vestígios fortes de uma fratura ocorrida durante os últimos momentos do vôo atmosférico da massa, (...) O fragmento separado assim, poderia ter caído muito longe do local onde a massa principal foi encontrada. É então possível que, no futuro outra massa meteórica pequena seja descoberta nos distritos vizinhos ao redor de Pará de Minas ou Igaratinga [grifo meu], neste caso nós devemos ter cuidado para procurar semelhanças com este meteorito presente. É até mesmo possível que essa fratura e a conseqüente separação em dois ou mais fragmentos tenha ocorrido quando o corpo estava muito longe do lugar da queda da massa principal [grifo meu], (...). A superfície externa do meteorito de Pará de Minas é oxidado, talvez muito oxidado para um meteorito que tenha caído em 1934, (...)”.

                             O boletim finaliza apresentando a análise química do meteorito, constatando-se que é do tipo metálico; o documento ainda registra os métodos empregados na investigação. 
                             Com o minucioso relato apresentado na publicação do Museu Nacional, traduzido por Fátima Carvalho Campos, a quem agradecemos pela gentil colaboração, veio à tona que parte dele poderia ainda  ser encontrada em nossa região se já não o foi inadvertidamente. Caso tenha sido, esperamos que esteja preservada e que tenha despertado a curiosidade da pessoa que a encontrou, estimulando-a a pesquisar a singular peça.                                               
                             Os meteoritos são portadores de importantes informações uma vez que, viajando pelo vasto universo são como fósseis que revelam enigmas a quem os investigam. O cosmo, desde a antiguidade, atrai a atenção dos seres humanos pelos segredos que carrega, força e magnetismo.
Veja abaixo as fotos do Meteorito de Pará de Minas.

 

*Ana Maria de Oliveira Campos é pesquisadora da história de Pará de Minas, diretora do Museu Histórico Municipal.

                                                                                                                                                                                                                                                          Em 05.09.2010

PS: Em 07 de janeiro de 2016, D. Raimunda Maria Duarte nos procurou no Museu para contar que foi o pai dela, João Bertoldo Dias (ver foto abaixo), quem encontrou o meteorito em Palmital, local onde havia nascido e residência dele. D. Raimunda e os irmãos cresceram ouvindo a história que em um dia após muita chuva o pai deles estava trabalhando com um carroção de boi, tendo este batido em uma pedra cuja ponta era diferente das demais, o que chamou a atenção dele. O pai, João Bertoldo, removeu do que acreditava ser uma pedra, o barro da chuva que recobria grande parte dela, e com uma ferramenta nela bateu ouvindo um "tinido" (som) que achou também muito diferente. Como não conseguiu movê-la sozinho, pediu ajuda a companheiros e levou-a para a casa dele. A notícia se espalhou e muitas pessoas foram conhecer a tão diferente pedra. Uma dessas pessoas, que D. Raimunda não soube nomeá-la, pressionou o pai para que ele vendesse a “pedra” pelo preço que lhe era oferecido, valor que ela não se lembra com exatidão. Mencionou no depoimento: 8 e 50 reis. Após a venda da “pedra”, o pai já não gostava de abordar o assunto nessa parte, pois pensava que ele havia sido passado para trás. Tempos depois, João Bertoldo teve notícias que a pedra estava no Rio de Janeiro. João Bertoldo Dias faleceu em 20.09.1992, aos 92 anos, e seus descendentes residem em Pará de Minas.

          Em 02 de maio de 2016 um fragmento do Meteorito Pará de Minas foi doado ao Muspam, após intermediação do Deputado Federal Eduardo Barbosa junto à direção do Museu Histórico Nacional (RJ).

 

Van Dick Almendro de Almeida com o Meteorito de Pará de Minas.
Van-Dick Almendro de Almeida
com o Meteorito de Pará de Minas.
Tamanho do Meteorito de Pará de Minas
em relação a uma caneta.
Esq/dir: Maria do Carmo Burgos e Maria Eustáquia da Costa (Taquinha) ladeam o
meteorito que caiu em Pará de Minas em 1934, quando da visita delas ao Museu
Nacional, no Rio de Janeiro, em 2003.

                         Fotos: Rodrigo Alves Campos.Abril/2015.

João Bertoldo Dias e esposa Francisca Romana de Jesus, em 1980 aprox. Ele encontrou o meteorito na Fazenda Palmital, em 1934. Imagem cedida pela filha dele, D. Raimunda Maria Duarte.

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