D. Orosina Cecílio Mendonça

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                                                                                           (Márcio Mendonça Meireles)


                                                                                                                                
        Orosina Cecílio Mendonça nasceu na Cidade do Pará  [Pará de Minas], na Fazenda dos Gomes, em 23 de julho de 1897 e faleceu em 02 de agosto de 1984. É filha de Joaquim Francisco de Mendonça e Gabriela Cecílio dos Santos. Sua vida foi toda dedicada à educação, agindo com rigor e amor à causa que abraçou.
        Cursou o primário no Grupo Escolar Torquato de Almeida. Formou-se normalista, tendo cursado a Escola Normal Delfim Moreira, em Sabará, e o renomado Colégio Providência, em Mariana, onde recebeu em sua formatura, das mãos de Dom Silvério Gomes Pimenta, Bispo da Diocese, a Corôa de Louros ― símbolo do mérito como a aluna que mais se destacou no Colégio.
        Em 06 de fevereiro de 1920 ingressou no magistério primário no único estabelecimento existente em Pará de Minas, o Grupo Escolar Torquato de Almeida. Em 1930 foi convocada, como prêmio pela sua atuação no magistério, para fazer o Curso de Aperfeiçoamento Pedagógico, sob a orientação de renomados professores estrangeiros, dentre eles Helena Antipoff e Caplarrede, contratados pelo Governo de Minas Gerais para a primeira Escola de Aperfeiçoamento fundada no Brasil.
        Terminado o curso regressou a Pará de Minas como Orientadora Técnica de Ensino e, posteriormente, foi nomeada Diretora Técnica do Grupo Escolar Governador Valadares. Em 1958 foi convocada pelo Secretário da Educação para o Seminário de Educação  de Adultos, que se realizou no Instituto de Educação(BH), tendo recebido o certificado de Controladora do Ensino Municipal. Neste setor, ela não media esforços no sentido de orientar com a sua cultura e dedicação, à todas as professoras que eram suas amigas, notadamente as professoras rurais que dispunham de menos recursos e conhecimentos.    
       D. Orosina fundou o Externato de São Roque, uma escolinha que funcinava num barracão ao lado de sua residência – rua Benedito Valadares, 630 – por onde passaram alunos brilhantes, filhos das mais tradicionais famílias de Pará de Minas. Em turnos diferentes, lecionava para alunos do curso primário, admissão e aulas de reforço para colegiais. O Externato São Roque funcionou por mais de vinte anos.
        D. Orosina permaneceu no magistério durante o longo período de 47 anos, sem requerer nenhuma licença e sem ter uma única falha ao serviço. Ela amava o magistério.
         Aposentou-se em 24 de janeiro de 1967 e, desejando continuar na educação, aceitou o cargo de Educadora da Campanha do Departamento Nacional da Criança da 7ª. Região, sem nenhuma remuneração. Trabalhou ainda como voluntária na Assistência Social, atendendo a mais de cem senhoras que recebiam aulas de formação familiar.
         Aos alunos mais rebeldes, aplicando a sua psicologia, ela conseguia domá-los – ou melhor, dominá-los com carinho e serenidade; e foram todos seus amigos até o fim de sua vida, enxergando nela um sustentáculo, e um exemplo de firmeza para prosseguirem na vida.
         Em seu trabalho de mestra soube se fazer valer através de sua grande perspicácia, de uma psicóloga empírica, tendo sido uma precursora na aplicação da metodologia construtivista de Jean Piaget.
         Poderíamos dedicá-la um pensamento de um sábio que se coaduna muito bem com a sua personalidade e seu caráter: “O sonho do verdadeiro Educador não é só de aprimorar a inteligência e contribuir para preparar um sábio, mas também de ter ajudado a formar um cidadão e estruturar um ser humano capaz de participar na sociedade, dignificando o sublime ofício de viver.”
         E assim, pelos seus relevantes serviços prestados a causa do Ensino, que revenreciamos a sua memória pela sua atuação cívica, cujos reflexos perduram e até hoje se fazem sentir no desenvolvimento educacional de Pará de Minas.
         D. Orosina escreveu o pré livro infantil A menina da roça, ainda não publicado.
        A Câmara Municipal de Pará de Minas, concedeu à Dona Orosina [por intermédio da Lei N.º 1.180, de 18.03.1970] a insígnia da Ordem do Mérito, cuja entrega se verificou no plenário da Câmara na data de 20 de setembro de 1970, ocasião em que se comemorava a passagem do 111.º aniversário de emancipação político-administrativa do Município. E por Lei Municipal [N.º 2.458, de 11.12. l987], foi dada a denominação de “Orosina Cecílio Mendonça” a uma escola municipal de Pará de Minas.