Patrimônios de Pará de Minas tombados pelo Município

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O termo tombamento significa um conjunto de ações técnicas, administrativas e jurídicas realizadas pelo poder público com o objetivo de preservar, através da aplicação de legislação específica, bens culturais de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambiental e também de valor afetivo para a população, impedindo que venham a ser demolidos, destruídos, mutilados ou descaracterizados.  A etimologia da palavra tombamento advém da Torre do Tombo, arquivo público português onde são guardados e conservados documentos importantes.

Bens culturais materiais incluem as edificações ou conjunto destas, de importância artística ou histórica, as obras de arte, mobiliário e objetos, os conjuntos paisagísticos, os locais relevantes culturalmente para determinado grupo de pessoas.

Os bens culturais de natureza imaterial abrangem as tradições e formas de expressão, as celebrações, práticas sociais e rituais, os conhecimentos, práticas e técnicas artesanais tradicionais, os lugares (como feiras e mercados) e outras expressões que representam a cultura de um povo.
(Fontes: sites do Iphan e Iepha/MG)


Imagens dos bens tombados: clique aqui.

As informações sobre cada patrimônio tombado estão abaixo.


Asilo Padre José Pereira Coelho

Inaugurado em 1º de maio de 1.951, o Asilo Padre José Pereira Coelho, foi destinado a abrigar meninas órfãs e abandonadas. A denominação foi uma homenagem ao falecido Vigário da Paróquia Nossa Senhora da Piedade. Dirigido pelas Irmãs Salesianas, foi construído pelo Vigário Padre José Viegas com a colaboração da comunidade. D. Odete Valadares, 1ª dama do Estado,  Governador Benedito Valadares, Deputado Ovídio de Abreu e Cel. Benjamim Ferreira Guimarães, destacam-se entre os colaboradores para a construção do prédio. Na década de 1960 as Irmãs Salesianas transformaram o Asilo em Educandário Padre José Pereira Coelho, curso ginasial orientado para o trabalho. Em 1.972, após as Irmãs Salesianas interromperem seus trabalhos na cidade, parte das instalações do prédio abrigou a Faculdade de Ciências Humanas de Pará de Minas e o restante foi destinado a outros usos. Em 1.985 o edifício foi adquirido da Paróquia Nossa Senhora da Piedade pela Prefeitura de Pará de Minas, na administração do Prefeito Antônio Júlio de Faria, que lá instalou alguns setores municipais. Em 1992 a parte do prédio já ocupado pela Faculdade foi doada à Confraria Nossa Senhora da Piedade, mantenedora da mesma, durante a administração do Prefeito José Porfírio de Oliveira. Em l998, o restante do prédio foi cedido à mesma Faculdade por tempo indeterminado pela Prefeitura Municipal, na administração do Prefeito Eli Pinto de Faria, após a desativação do projeto Recriança. O Colégio Educare ocupou esse espaço até 1999, quando foi transferido para outro local. Em junho de 2.000 a Prefeitura Municipal, na administração do Prefeito  Eli Pinto de Faria, outorgou à Fapam – Faculdade de Pará de Minas, nova denominação adquirida, a escritura definitiva do terreno e das benfeitorias nele existentes. O edifício em que se estabelece a Faculdade de Pará de Minas é composto por conjunto volumétrico tipicamente horizontal, do centro do qual culmina a Capela de São Geraldo, forma suntuosa que rebusca a simplicidade da composição. A simplicidade formal e funcional da edificação decorre das linhas geometrizadas do Art Déco, mesclado pela economia minimalista de formas aferidas pelo passado Colonial. A tomada visual do observador transeunte à Rua Ricardo Marinho, 47, vislumbra o edifício da Faculdade de Pará de Minas – outrora Asilo – a uma grande distância, que se afigura em seu conjunto bem composto e conservado. O edifício pode ser considerado, no cumprimento de sua utilização, um bem valioso à população, marcando presença significativa no contexto histórico e social de Pará de Minas, e hoje dispensado à mais alta graduação do ensino do Município. A edificação localizada na Rua Ricardo Marinho, 47, Bairro São Geraldo,  foi tombada pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Histórico de Pará de Minas em 13 de abril de 1.998, pelo Decreto Nº 2.768.



Escola Estadual Fernando Otávio


Pará de Minas jamais implantara uma escola de proporções tão elevadas quanto às do Ginásio São Francisco – Departamento Masculino, prédio construído pelo Governo do Estado de Minas Gerais, sendo Governador Benedito Valadares, político notável, filho da terra. A partir de 25.02.1943, já concluído, abrigou o Ginásio São Francisco, transferido da sede provisória no prédio do antigo Grande Hotel, iniciando também o seu internato. O Ginásio São Francisco foi fundado no ano anterior pelos Padres Franciscanos, holandeses, sob os auspícios do Governador Benedito Valadares. Jovens de municípios distantes e mesmo de outros Estados ali estudaram, recebendo benéfica formação através da disciplina e dedicação dos mestres. Com a desistência da Congregação Franciscana em manter o contrato com o Estado, o prédio passou a acolher, em 1967, o Ginásio Estadual Fernando Otávio, que já funcionava desde o ano anterior em sede provisória. Em 1974 o Colégio passou a denominar-se Escola Estadual Fernando Otávio. A denominação da escola é uma homenagem a Fernando Otávio da Cunha Xavier, Presidente da Câmara e Agente Executivo do Município (1905 a 1912), Promotor de Justiça e 1º diretor do Grupo Escolar Torquato de Almeida, 1ª escola da cidade.
O edifício da Escola Estadual Fernando Otávio, de grandes proporções, monumentais até, se desenvolve em três pavimentos, num Partido Arquitetônico quadrangular, conformando um "U", perfazendo-se um total de 7076m2. As linhas básicas, depurando as formas em sua essência geométrica, são do movimento Art Déco, estilo que atingiu seu apogeu entre os anos 20 e 40. Em oposição aos excessos do Art Nouveau, o estilo marca sua arquitetura com tom pastel, além das linhas geometrizadas. Este movimento concilia a produção industrial e as artes, conciliação observada na seriação rítmica das janelas tipo "francesas", dispostas lateralmente na fachada principal. O frontão central, encimado pelo triângulo conformado pelo telhado de "duas águas" merece destaque: com três janelas verticalíssimas e estilizadas em arco pleno, simplesmente envidraçadas, que correspondem ao segundo e terceiro pavimentos. A portada de entrada, acesso principal do edifício no primeiro pavimento, é um vão em arco pleno que corresponde em sua largura às três grandes janelas verticais dos dois pavimentos logo acima. A chegada a tal portada, que antecede o hall principal da escola, se faz por escadaria monumental, com um desnível que se traduz em baldrame corrido em ambas laterais do prédio, o que engrandece ainda mais as dimensões do conjunto. Em 1.991 o prédio, que é um dos maiores edifícios escolares do interior do Estado, passou por ampla reforma. A maior escola da cidade, localizada à Praça Frei Concórdio, 750, conta com 30 salas de aula, mais de 100 professores e quase 3000 alunos, oferecendo da 5ª a 8ª séries do 1º grau e o 2º grau. Tem como vizinhos a Igreja Matriz de São Francisco, a Praça de Esportes do Pará e a Escola Estadual Frei Concórdio.  A edificação foi tombada pelo Município de Pará de Minas em 13 de abril de 1.998, pelo Decreto Nº 2.768.



                                                             Escola Estadual Governador Valadares


O prédio do Grupo Escolar Governador Valadares, obra do Governo do Estado, foi inaugurado em 16 de junho de 1.935, mesmo dia em que era inaugurado o Fórum local, com a ilustre presença do Governador do Estado de Minas Gerais, Benedito Valadares Ribeiro. Durante 10 anos funcionou como extensão do Grupo Escolar Torquato de Almeida, até a criação oficial da escola, ocorrida em 12.04.1945, pelo Decreto Nº 2140. Somente em 26 de julho de 1945, com Portaria do Secretário do Estado da Educação, foi denominado Grupo Escolar Governador Valadares, homenagem ao então Governador do Estado de Minas Gerais, Benedito Valadares, eminente político da terra. Sob influência do Colonial Europeu, ocidental, o edifício da Escola Estadual Governador Valadares reúne elementos entre o Colonial e o Clássico, num Ecletismo que mistura diversas formas e matérias com o propósito do resultado harmonioso: frontões, cornijas, molduras, volutas e esquadrias de portas e janelas, enfim, elementos dispostos cada qual em seu papel, seja pela função ou pelo efeito decorativo, proporcionando à edificação do Grupo Escolar um conjunto consoante. O dinamismo volumétrico adquirido pela profusão de formas e elementos, desde a escada de acesso público, passando pelo tratamento em fachada até o movimento dos telhados, confere à solução arquitetônica proposta uma riqueza estilística já enunciada, Eclética.
No decorrer dos anos o prédio sofreu várias reformas sem que interferissem em suas características originais.Em 1.974 sua denominação passou para Escola Estadual Governador Valadares. Em 1987 a escola obteve a extensão de séries. Além de oferecer do 1º  ao 5º ano, foram implantados os seguintes até o 9º ano. O imponente prédio é localizado na Rua Delfim Moreira, 80, Centro, e em seu entorno estão a Prefeitura Municipal, Correios e Telégrafos, Santuário Nossa Senhora da Piedade e Fórum. A Escola Estadual Governador Valadares é um testemunho do estilo Eclético em Pará de Minas. A edificação foi tombada pelo Município em 13 de abril de 1.998, pelo Decreto Nº 2.768.

 

Escola Estadual Torquato de Almeida


A Escola Estadual Torquato de Almeida goza do privilégio de ter sido o primeiro Grupo Escolar de Pará de Minas. A obra, projetada e executada pelo construtor italiano Amedeo Celso Grassi, foi construída em 1913 e inaugurada no ano seguinte. Devido à sua localização central e ao seu espaço interno, foi o palco de importantes bailes e eventos da sociedade, em época que a cidade ainda não possuía um clube maior.
Os elementos arquitetônicos dispostos no edifício remetem ao estilo Eclético, fortemente influenciado pelo gosto Neo-Clássico, que é percebido sobretudo no tratamento minucioso e requintado da fachada frontal, tida como principal por merecer maior esmero na disposição de seus adornos e motivos decorativos aplicados que as demais fachadas, laterais e posterior. Os ornatos colocados de modo harmonioso propiciam à fachada principal um conjunto equilibrado, conferindo composição mesclando elementos diversos num Ecletismo proporcionado. A Escola oferece do 1º ao 5º ano do 1º Grau e faz parte, ao lado da Estação Ferroviária e da Casa da Cultura, do contexto arquitetônico das Praças Francisco Torquato e Torquato de Almeida, um espaço urbano que conserva resistentemente um pouco da história de Pará de Minas. O nome da Escola Estadual Torquato de Almeida é uma homenagem ao ilustre político da terra, o Cel. Torquato Alves de Almeida. O prédio localizado na Praça Torquato de Almeida, nº 22, Centro, foi tombado pelo Município de Pará de Minas em 13 de abril de 1.998, pelo Decreto Nº 2.768.



Escola Municipal de Artes e Ofícios Raimundo Nogueira de Faria – Sica


A velha construção de pau-a-pique remanescente do Colonial Brasileiro, edificada no século XVIII conserva em sua totalidade os elementos característicos do estilo: forte influência Barroca de Portugal, travestida nos métodos construtivos disponíveis na região, em madeira e barro, com tipologia da Casa Grande de Fazenda do Brasil Colônia. Nos idos de 1896 Luiz Orsini adquiriu a chácara do Padre Paulino Alves da Fé, Vigário da Paróquia Nossa Senhora da Piedade, a partir de quando passou a ser conhecida como Chácara Orsini, em homenagem a seu adquirinte. 
A Casa Grande sediava as glebas de terras produtivas que teve entre outras atividades, o funcionamento da primeira padaria da cidade, com o padeiro vindo do Rio de Janeiro, o português de nascimento José Gonçalves Torres Costa, o "Sô Antônio Padeiro", e a exploração mineral de agalmatolito. Luiz Orsini lá instalou a primeira padaria da cidade. Lá, ele introduziu novidades que a cidade, pouco desenvolvida, não conhecia: levou água do Ribeirão Paciência, limpa na época, para a casa e também para o moinho e monjolo, como nos conta o pesquisador Mário Luiz Silva em seu trabalho sobre antigo proprietário.
O casarão se compõe de dois pavimentos em terreno relativamente acidentado, às margens do Ribeirão Paciência, fonte hídrica e energética das atividades desenvolvidas no complexo. O Partido Arquitetônico simplificado se restringe a um retângulo regular e comprido, coberto pelo telhado de "quatro águas" que projeta os beirais que arrematam com aspecto da Casa Grande típica do Barroco Brasileiro.
Na década de 1930 o Governo do Estado de Minas Gerais, em poder de Benedito Valadares, político de prestígio, filho da terra, adquiriu a propriedade e instalou em sua sede a representação da Secretaria do Estado da Agricultura para desenvolver seus trabalhos no Município. Em 1.985 o Casarão passou a abrigar a Escola Municipal de Artes e Ofícios, após a cessão do prédio do Estado para o Município de Pará de Minas. Pela Lei 3170, de 10-03-1995, a escola passou a ser denominada Escola Municipal de Artes e Ofícios Raimundo Nogueira de Faria – SICA, homenagem  ao escultor que se notabilizou pelo valor artístico de suas obras e que integrou seu corpo docente. A vista frontal da edificação se abre num largo tido como lugar/praça contígua à Rua Doutor Higino, o que dispõe o prédio a uma distância do observador que chega ao largo, criando uma relação que faz da Escola Municipal de Artes e Ofícios Raimundo Nogueira de Faria – SICA um cartão postal, com sua fachada principal monumentalizada ao se distanciar da "linha da terra". A edificação foi tombada pelo Município em 13 de abril de 1.998, pelo Decreto Nº 2.768.

 

Estação Ferroviária


Construída um ano após a inauguração do ramal ferroviário, a Estação de Rede Ferroviária de Pará de Minas, datada de 1.913, erguida segundo o traçado do construtor italiano Amedeo Celso Grassi, considerada de gosto refinado em sua solução, foi prestigiada como uma das melhores de todo Oeste de Minas Gerais.
A Estação Ferroviária foi a porta de entrada para o progresso da cidade, quando tudo que se produzia e consumia na cidade e região era transportado pelo ramal férreo. A população se aglomerava junto à estação para assistir aos embarques e desembarques dos trens, e o apito do trem tornava-se uma referência do tempo para a cidade, assim como os sinos das igrejas.
Em 1988, o ramal foi desativado por ter sido considerado uma linha deficitária, apesar dos protestos da população. Após passar por outras funções de uso, foi adquirido pela municipalidade em 1999, durante a administração do Prefeito Eli Pinto de Faria. Em 17.11.2000 o prédio se transformou em Estação do Pará Cine-Café.
O prédio da Estação Ferroviária possui elementos arquitetônicos que, assim como a maioria das edificações dessa natureza, mesclam a transição entre o passado colonial e imperial e as novas tecnologias que se inauguram com o advento da estrutura metálica, novo estilo que consubstanciou o Art Nouveau, num ecletismo onde somam-se barro, madeira e ferro, materiais que se juntam, num desenho equilibrado, para um resultado harmonioso. A interação entre tais materiais, cada qual desempenhando seu papel, fazem do Eclético um estilo que além da ruptura com os estilos anteriores, busca novas conquistas técnicas, quando uma derivação do telhado que se presta a cobrir os halls de entradas e bilheterias da Estação, desafiam as leis para sua estabilidade até o momento impostas, com sutilidade e leveza, características do novo estilo. O detalhe aplicado ao material do qual se apropria, o ferro fundido em formas sinuosas, copiam da natureza os motivos florais e rendilhados decorativos, introduzindo a Arte Nova, retomando o Rococó e ás vezes, o estilo Gótico. Tudo acaba por compor com muito bom gosto o edifício sede da Estação Ferroviária de Pará de Minas, símbolo do progresso da cidade. A edificação localizada na Praça Torquato de Almeida, 177, Centro, foi tombada pelo Município em 13 de abril de 1.998, pelo Decreto Nº 2.768.



Fórum Desembargador Pedro Nestor


O Fórum Desembargador Pedro Nestor tem como patrono o Juiz de Direito da Comarca de Pará de Minas por 36 anos, Dr. Pedro Nestor de Salles e Silva, personalidade de notoriedade para a cidade.
Suas instalações foram inauguradas em 16 de junho de 1.935, com a presença ilustre do Governador do Estado de Minas Gerais, Benedito Valadares Ribeiro, homem público eminente, filho da terra, ao lado de seu irmão, então Prefeito de Pará de Minas, Francisco Valadares Ribeiro. Situado à Praça Afonso Pena, número 15, sua construção substituiu outras instalações do antigo Fórum, em péssimo estado de conservação, localizadas, outrora, diante da nova edificação.
A edificação, executada pela construtora Carneiro de Rezende & Cia. Engenheiros, dispõe de modernas e generosas instalações que decorrem das linhas geométricas depuradas do Art Déco, estilo arquitetônico que atingiu seu apogeu entre os anos 1.920 e 1.940, também conhecido como "estilo pó de pedra", que além da geometrização das formas, se apresenta cromaticamente em tem pastel, na paleta dos acinzentados. A simplificação dos elementos formais reduz à sua essência o desenho daquilo que simplesmente pretende ser: retas, curvas e planas, ordenadas com rigor purista, definem os volumes que resultam no conjunto da solução arquitetônica, em oposição aos excessos do estilo Art Nouveau precedente. O Art Déco, recorrente na resolução do prédio do Fórum concilia a produção industrial e as artes, interagindo as conquistas tecnológicas que adentraram pelo século XX, e o propósito artístico, intrínseco ao fazer arquitetônico. Integrando a Praça Afonso Pena, onde também se localizam o edifício da Prefeitura, Delegacia de Polícia e Cadeia Pública, Correios e Telégrafos, o Fórum Desembargador Pedro Nestor é um testemunho da arquitetura Art Déco em Pará de Minas. A edificação foi tombada pelo Município em 13 de abril de 1.998, pelo Decreto Nº 2.768.



Hospital Nossa Senhora da Conceição


O prédio do Hospital Nossa Senhora da Conceição foi construído de 1.915 a 1.929 por iniciativa de Torquato de Almeida, Provedor da instituição de 1905 a 1926. O prédio foi inaugurado em 17 de fevereiro de 1929, sendo Provedor Dr. Murilo Drumond de Salles e Silva.  A obra, projetada e executada por Amedeo Celso Grassi, é uma construção de grande conteúdo arquitetônico que, não fosse a datação de 1929, inseriria-se perfeitamente no contexto da arquitetura Neo-Clássica: somam-se elementos arquitetônicos, desde a concepção até os mais detalhados apliques, que universalizam um conjunto ora considerado Eclético, com justa posição de soluções Neo-Clássicas, com movimentação Barroca e alguns rendilhados Rococó. A ala antiga, que abriga as instalações do Salão Nobre no pavimento térreo, é um dos edifícios mais expressivos do ponto de vista arquitetônico, se não o de maior expressividade em Pará de Minas. Em 1.944 a Maternidade Odete Valadares integrou seu conjunto e, em 1946, a Capela, doada ao Hospital por Torquato de Almeida.
A Maternidade Odete Valadares, homenagem à esposa do Governador do Estado de Minas Gerais, Benedito Valadares, foi construída através de recursos dos Governos Federal e Estadual solicitados pelo Dr. José Custódio Martins Lage, Provedor de 1.936 a 1.943.  A construção da Maternidade, executada pelo Engenheiro José Guimarães de Almeida, obedece aos mesmos padrões estilísticos que ergueram o Ginásio São Francisco – Deptartamento Masculino, atual Escola Estadual Fernando Otávio, edificações contemporâneas marcadas pela influência Art Déco, minimalizadas à simplicidade de elementos geométricos que dispensam os excessos formais, resultado numa sobriedade de composição capaz de permanecer, através da história, imune à influência de qualquer tendência ou estilo. O conjunto novo e antigo, situado à Rua Benedito Valadares, 358, se mantém bem preservado, remanescendo um passado ilustre na história de Pará de Minas, com a nobreza de algumas de suas edificações. 
O prédio do Hospital Nossa Senhora da Conceição foi tombado pelo Município em 13 de abril de 1.998, pelo Decreto Nº 2.768.

 

Museu Histórico, Documental, Fotográfico e do Som de Pará de Minas


A edificação considerada a primeira construção da cidade de Pará  de Minas, com seus 150 anos de emancipação, remanesce da  manifestação arquitetônica típica do Brasil Colônia. Estilo marcante na arquitetura das instalações civis residenciais‪ que estilizavam as sedes das grandes fazendas latifundiárias por estas imediações de Minas Gerais, a exemplo de quase todo Brasil Colonial. O prédio de taipa, construído no século XVIII, sediava a fazenda de  Manuel Batista, apelidado "Pato-fofo", considerado fundador da cidade outrora Patafufio, Freguesia de Pitangui.  Os elementos arquitetônicos ordenados no estilo Colonial Brasileiro, com formas simples e moderadas, mas que no conjunto proporcionam riqueza arquitetônica, própria desse estilo. Aproximando-se dos trezentos anos, o edifício se mantém erguido, após servir a vários usos, e até mesmo sofrer demolição parcial em 1.969, com imediata reconstrução por intervenção de D. Zezé Castelo Branco, matriarca da tradicional família Castelo Branco, proprietária do casarão na época. Em 1.980 o Prefeito José Porfírio de Oliveira adquiriu o edifício, que passou a integrar o patrimônio municipal. Em 1.984, na administração Antônio Júlio de Faria, foi destinado a abrigar o Museu Histórico, Documental, Fotográfico e do Som, com o objetivo de preservar e difundir a história e a cultura de Pará de Minas. A edificação foi tombada pelo Município em 13 de abril de 1.998, pelo Decreto Nº 2.768.

 

Praça Torquato de Almeida e Praça Francisco Torquato


A então praça Dr. Afonso Pena teve sua denominação alterada para praça Cel. Francisco Torquato em 21.09.1904, pela Lei Nº 138. Foi uma homenagem ao Presidente do Conselho de Intendência do Município em 1891/1892 e também Presidente da Câmara e Agente Executivo em 1894/1895 que administrou a Cidade do Pará, falecido naquele ano de 1.904.
Em 01.11.1954 a Praça Cel. Francisco Torquato ganhou uma estátua. A escultura de Torquato de Almeida (Presidente da Câmara e Agente Executivo de 1.912 a 1.922), filho do Cel. Francisco Torquato, é uma obra de arte de Henrique Cozzo, que o representou de pé "com expressão de movimento e decisão que lembraria sempre o dinamismo do Realizador". O Senador Benedito Valadares assim se referiu ao ato: "Nesta praça em que nasceu Torquato de Almeida, ali na esquina, (...) só se compreende a estátua desse paraense ilustre. Nós a inauguramos comovidos, como quem presta um depoimento à história do Município".
A praça formada pela Estação do Ramal Ferroviário recebeu a denominação de Praça Dr. Wenceslau Braz, em 20.05.1915, pela Lei Nº 219, que também autorizou a construção de um Coreto. Concluída, havia também um chafariz que se localizava onde está reconstruído o Coreto que, atualmente se faz o único elemento construtivo marcante no interior das duas praças.
Na administração Prefeito José Vicente Marinho a Praça Wenceslau Braz passou a ser denominada Praça Torquato de Almeida, pela Lei Nº 189, de 21.11.1951, em homenagem ao político ilustre e filho da terra que construiu além desta, inúmeras outras obras de imenso valor a Pará de Minas e sua história. Tais homenagens e denominações se confundem por sua semelhança, o que comumente restringe a identificação das praças a um só de seus patronos: Praça Torquato de Almeida. Situação esta que foi reforçada quando foram unidas com a construção de um novo Coreto em 1986, semelhante ao antigo, demolido durante a administração Francisco Valadares (1933-1945). Com o novo Coreto construído na administração Antônio Júlio de Faria, assemelhado em muito ao antigo, as duas praças uniram-se espacialmente e o marco do entrelaçamento é justamente o Coreto. O largo urbano compreendido pelas praças teve seu traçado original por algumas vezes modificado, no desenho de seus caminhos, lugares, jardins e pela supressão e reconstrução de alguns elementos arquitetônicos como o Coreto e o Chafariz. O entorno imediato se faz presente com edificações de pequeno e médio porte, entre as quais se inserem a edificação da Estação Ferroviária, a Escola Torquato de Almeida e a Casa da Cultura, edifícios tidos como testemunhos preservados de imenso valor histórico no contexto da cidade, obras de Torquato de Almeida.
As praças se baseiam em Partido Arquitetônico triangular. Localizadas no quadrante central da cidade, com coreto edificado reportando ao antigo Coreto de linhas Neo-Clássico e influências Art Nouveau, portanto, de estilo Eclético. As praças Torquato de Almeida e Francisco Torquato são uma referência no cotidiano da população de Pará de Minas.
Em 1.998 a Praça Torquato de Almeida recebeu bancas fixas, de metal, de camelôs locais, que comprometeram o seu visual. Com a inauguração do Centro Comercial Domingos Amaral, em 12 de dezembro de 2.005, os camelôs foram transferidos para ele. Em maio de 2.006 iniciaram-se as obras de remodelação das praças, que foram inauguradas em 15 de dezembro do mesmo ano. O coreto foi reconstruído maior, mais baixo e com rampas de acesso. O projeto de reconstrução das praças foi dos arquitetos André Amaral e Fernanda Miranda; e o do coreto rebaixado e maior foi da arquiteta Tâmara Thais de Aquino. As praças foram tombadas pelo Município de Pará de Minas em 13 de abril de 1.998, pelo Decreto Nº 2.768.

Casa da Cultura


O antigo prédio do Grande Hotel de Pará de Minas foi construído de 1.922 a 1.924 por iniciativa de Torquato de Almeida, através dos investimentos da Companhia  Melhoramentos de Pará de Minas.
O construtor italiano Amedeo Celso Grassi planejou e executou a obra, que contou com a supervisão de Francisco Torquato de Almeida Júnior (Chiquinho Torquato), então Diretor Gerente da Cia. Melhoramentos de Pará de Minas. Em 02 de julho de 1924 foi festivamente inaugurado. O retorno do empreendimento foi incompatível com os investimentos empregados, aliando-se à crise financeira que assolou a Companhia Melhoramentos, que determinou pelo fechamento do Grande Hotel em 1.928. Em dezembro de 1.929 o prédio foi adquirido pelo Estado, que cedeu suas instalações para vários usos: Ginásio Paraense, Ginásio São Geraldo, Ginásio São Francisco, Colégio Comercial Nossa Senhora da Piedade, Estação Rodoviária, entre várias outras funções ao longo do tempo.
Em 1950, aproximadamente, o antigo Grande Hotel passou por grandes reformas, quando lhe foram inseridas marquises na fachada principal, além de outras modificações internas no decorrer de seu uso, que não interferiram substancialmente em suas características originais. Em outubro de 1.984 o Estado doou o prédio à municipalidade durante a administração Antônio Júlio de Faria, ocasião em que as obras de restauração foram iniciadas. As obras se arrastaram desde 1.986 e, somente em 1.993 o prédio, parcialmente concluído, foi inaugurado como Casa da Cultura, em 17 de setembro, durante a administração Silésio Mendonça.
A Casa da Cultura é uma edificação de proporções relativamente monumentais, dada sua grandiosidade arquitetônica. Os dois pavimentos de que é composto o edifício, definem os vãos de "registros" referenciados pelas linhas ecléticas que mesclam o Neo-Clássico, quase absoluto, com outros "Nichos Arquitetônicos e Históricos", desde esse universo, passando pelo Barroco, até a afirmação do próprio estilo, num ecletismo equilibrado. O edifício da Casa da Cultura, que abriga a Secretaria Municipal de Cultura de Pará de Minas e a Biblioteca Pública Professor Mello Cançado, está contextualizado na Praça Torquato de Almeida, ao lado de outras edificações como a Estação Ferroviária e a Escola Estadual Torquato de Almeida, todas de profundo significado arquitetônico e histórico para a cidade de Pará de Minas. Com a Lei nº 3.788, de 27.06.2000, passou a denominar-se Centro Cultural Deputado Antônio Júlio de Faria. O prédio foi tombado pelo Conselho Deliberativo Municipal do Patrimônio Cultural de Pará de Minas, através do Decreto nº 2.768, de 13.04.1998.



                                                                             Centro Literário Pedro Nestor


O Centro Literário Paraense funcionou em sede provisória até a conquista de sua sede própria na Rua 20 de Setembro, 183, atual Rua Benedito Valadares. Fundado em 20 de julho de 1.902 pelo Juiz da Comarca de Pará de Minas, Dr. Pedro Nestor de Salles e Silva, com um grupo de 25 amigos, todos homens de expressividade sócio cultural, a agremiação permitia a participação estritamente masculina. O objetivo da sociedade era promover a educação e desenvolver a cultura da comunidade, estimulando moral e intelectualmente seus agremiados, provendo a cidade de uma instituição que cultivasse o bem estar social, proporcionando-lhe um Gabinete de Leitura. O prédio próprio foi inaugurado em 8 de maio de 1.912, com a presença de inúmeras celebridades e autoridades políticas municipais e estaduais que haviam também participado da inauguração do Ramal Ferroviário na manhã do mesmo dia. O brilhante literato Dr. Nelson de Senna foi o orador oficial da cerimônia. Em 15 de novembro de 1.925 o Centro Literário Paraense passou a ser denominado Centro Literário Pedro Nestor, homenagem a seu sócio fundador, presidente honorário e benfeitor, por iniciativa do sócio Dr. Benedito Valadares Ribeiro, orador oficial, então somente um Vereador de Pará de Minas que o destino conduziria ao Governo do Estado de Minas Gerais, em 1.933. A edificação construída de 1.910 a abril de 1.912, para abrigar as instalações do Centro Literário, originalmente com um pavimento, adquiriu o 2º em 1944, sendo Presidente Dr. Olavo Villaça. A ampliação foi inaugurada em 6 de janeiro de 1.945 com a presença do Governador Benedito Valadares e esposa D. Odete, que paraninfaram o ato.
O volume da edificação, denso por sua vez, é marcado pela disposição de elementos arquitetônicos que mesclam estilos que influenciaram os construtores da época, o Art Nouveau, com seus excessos ornamentais, que ora adquiriria seu apogeu, e o Art Déco que começava a se manifestar com suas linhas depuradas e geometrização das formas. Eclético por definição, o prédio sofreu algumas adaptações, modificações de usos e mesmo reformas indevidas, que o descaracterizaram internamente. A edificação ilustra com propriedade a transição entre os estilos Art Nouveau e Art Déco na história da arquitetura de Pará de Minas.
O prédio do Centro Literário Pedro Nestor foi doado à municipalidade em 2.004, tendo a Lei Nº 4412, de 31 de agosto de 2.004, autorizado o Município de Pará de Minas a receber o imóvel em doação. 
O Centro Literário, localizado na Rua Benedito Valadares, 183, no centro de Pará de Minas, foi palco de grandes realizações artísticas e literárias, como shows, saraus, palestras, conferências e bailes. Suas dependências abrigaram por muitos anos a mais rica biblioteca da cidade, cujo acervo seria mais tarde integrado ao da biblioteca pública. A edificação que simboliza o berço do entretenimento social, desenvolvimento cultural e do pensamento político da comunidade durante quase todo o século XX, está sendo resgatada com as obras de reformas em andamento. Foi tombado pelo Patrimônio Cultural Municipal pelo Decreto Nº 3.019, de 21.12.2001.



Igreja de Nossa Senhora das Graças


Construída de 1.947 a 1.958, a Igreja Nossa Senhora das Graças em Pará de Minas resguarda a singularidade de ser atualmente o templo religioso mais antigo de Pará de Minas. Sua edificação foi iniciativa do Vigário Padre José Viegas da Fonseca, contando com os préstimos incansáveis de José Odorico de Aguiar e do pedreiro Job Viegas Viana. O engenheiro responsável foi o Dr. Antônio do Carmo Pinheiro e o projetista foi José Moreira Mendonça. O nome da igreja foi escolhido logo após o misterioso aparecimento de uma imagem de Nossa Senhora das Graças em meio aos tijolos, durante sua  construção. Ao ver a imagem, ouvir o relato do acontecido e discutir com os presentes, Padre Viegas concluiu que “a casa é dela” e a igreja passou a ser de Nossa Senhora das Graças. Padre Libério, figura muito querida na região, chegou a Pará de Minas em 1.965 e muito contribuiu para que a igreja se tornasse um ponto de romaria de fiéis, que vinham em busca de suas bençãos. Em 17 de abril de 1.966, a igreja passou a pertencer à recém criada Paróquia de São Francisco.
A edificação religiosa na parte alta da cidade possui na fachada principal escadaria que sugere aspecto monumental, com forma cônica em planta, conduzindo de forma convidativa o fiel frequentador à portada de acesso com marco reentrante encimado por arco ogival composto por duas folhas de madeiras geometricamente almofadadas, tudo centrado em relação à fachada principal. O volume obtido é suavemente compacto com modesta alusão Neo Gótica, na busca de depuração do estilo numa simplicidade Art Déco, resultando ecleticamente forma objetiva com densidade volumétrica.
A única torre que arremata o todo volumétrico se dispõe centrada em relação à fachada frontal e se desenvolve em base quadrada, encimada por cobertura de alvenaria, conformando uma pirâmide aguda encimada por cruz latina, tencionando as tendências Neo Góticas ao longo das paredes de sustentação das quais são aritmeticamente compostas por esquadrias metálicas de pequenas janelas nas quatro faces da torre e que permitem a propagação do som ao badalar do sino, doado gentilmente pelo Governador do Estado de Minas Gerais, Dr. Milton Campos. As fachadas, apesar da simplicidade estilística, privilegiam a fachada frontal, onde além da portada ogival centrada, único acesso frontal da Igreja, sobre a qual eleva demarcação protuberante que se estreita ascendentemente até atingir a torre central, de forma estilizada, definindo janela centrada com peitoril estilizado com moldura Neo Clássica, correspondentemente ao Coro interno da nave da Igreja, ao lado da qual, um pouco abaixo, estão inseridas duas laterais, também com peitoril estilizado, longilíneas, de arco ogival, compondo triangulação que rodeia a portada principal. Na torre central encontra-se o relógio, ornato de referência da comunidade. As fachadas laterais possuem duas portas bilaterais, de madeira, com postigo de vidro e bandeira fixa de forma ogival.  Com interferência considerada nociva à integridade da edificação no telhado e aplicação de pedras disformes, chapadas no baldrame e barrado ao redor do templo, a Igreja Nossa Senhora das Graças repousa harmoniosamente no alto da Rua Nossa Senhora das Graças, no bairro de mesmo nome. A edificação foi tombada pelo Município em 04 de abril de 2.003, pelo Decreto Nº 3.535.

 

Gruta de Nossa Senhora de Lourdes


A Gruta Nossa Senhora de Lourdes, em Pará de Minas, foi inaugurada em 1º de fevereiro de 1.959 em celebração ao centenário da aparição de Nossa Senhora em Lourdes, na França. A iniciativa da construção foi do Vigário Padre Gabriel Hugo da Costa Bittencourt. No dia 1º de fevereiro de 1.959 foi celebrada uma missa na Matriz de Nossa Senhora da Piedade por intenção das pessoas que ajudaram na construção e, mais tarde, uma nova missa foi celebrada em frente à Panificadora Guimarães, cujos proprietários fizeram a doação das imagens de Nossa Senhora de Lourdes e Santa Bernadete, que foram levadas em procissão até a Gruta, onde foram depositadas. Aproveitando o momento da inauguração, foi lido pelo Prefeito Dr Edward Moreira Xavier, o decreto de criação do bairro Nossa Senhora de Lourdes.
Com as imagens de Nossa Senhora de Lourdes e Santa Bernadete, doadas pela família Guimarães por ocasião da inauguração, a gruta está inserida no contexto da Praça Francisco Valadares, incrustada na encosta íngreme da Praça, que delimita a separação dos dois logradouros lindeiros que margeiam a Praça, distanciados planialtimeticamente conformando talude que ocasiona condição ideal para a gruta entalada. A água natural intermitente propicia a atmosfera condizente com a história das aparições da Virgem um século antes, que ocasionaram entre outros fenômenos milagrosos, o episódio em que Bernadete Soubirous, canonizada posteriormente Santa Bernadete, viu aflorar diante do toque de suas mãos, água da rocha da gruta da aparição, por determinação da Virgem. O espaço da gruta é delineado a partir do trabalho do mestre de ofícios João Viegas, resultando num ambiente que inspira meditação, um verdadeiro lugar de oração, em conformidade com a religiosidade e manifestações da fé catolicista predominante na cidade de Pará de Minas. O local se tornou um ponto de culto religioso para a população. A partir dessa significação para a comunidade, podem ser consideradas influências de sua presença no contexto até mesmo urbano, já que o lugar, a praça e a gruta tornaram-se uma referência urbanística no traçado do bairro, que possui o mesmo nome, e até mesmo da cidade. Ladeada por jardins, a Gruta de Nossa Senhora de Lourdes é um arremedo artificial com propósitos ainda que inconscientes de Estilo Concretista Brutalista, explorado material "in natura", num amontoado obtuso de blocos poliformes de pedra britada de aspecto monocromático, que induz à natureza do material na busca incônscia da composição convidativa da introspecção. Em virtude do especial significado para a população católica de Pará de Minas, a Gruta foi tombada pelo Patrimônio Cultural Municipal pelo Decreto Nº 3.535, de 04.04.2003.

 

Casa Maria Capanema


A Casa Maria Capanema resguarda em sua arquitetura de quase duzentos anos parte da história do Pará de Minas. O casarão é estrategicamente localizado no caminho de Pitangui, polo regional desde o desbravamento da Capitania de Minas.  O casarão foi adquirido por Gustavo Xavier Capanema, filho do médico e deputado provincial Gustavo Xavier da Silva Capanema. Antes dele dois outros moradores já haviam residido ali, sendo Joaquim Peregrino Varela, juiz da Comarca do Indaiá, na Vila do Pará, o primeiro deles. Por volta de 1909, Gustavo Xavier Capanema (Nhonhô Capanema) comprou o sítio no caminho de Pitangui, abrindo na casa sede um ponto de venda para o comércio de gêneros básicos. Casado com Maria Augusta de Carvalho (Dona Mariazinha), o casal gerou dez filhos.
A histórica casa ficou popularmente conhecida como Casa Maria Capanema, nome de sua última moradora, filha e herdeira de Gustavo Xavier Capanema, professora e tabeliã de Pará de Minas, falecida em 2001.
Localizada na esquina das Ruas Joaquim Peregrino e Melo Guimarães, esquina central do bairro, o Solar dos Capanema, provavelmente erguido entre 1.850 e 1.860, remanesce do Colonial Brasileiro. Oriundo de estilo arquitetônico predominante no Brasil Colônia, a Casa Maria Capanema é um testemunho inquestionável das raizes Coloniais Barrocas que definiram o surgimento da ocupação e povoação da cidade de Pará de Minas, preservando entre poucas edificações remanescentes, um passado áureo de conjunto arquitetônico, já perdido, de inúmeras construções de grande valor histórico. Único prédio privado tombado pelo Município até a sua aquisição pela municipalidade, para nele ser implantado o Centro de Referência em Educação Professora Maria Xavier Capanema, cuja inauguração ocorreu em 21 de setembro de 2.006. A edificação foi tombada pelo Patrimônio Cultural Municipal pelo Decreto Nº 3.535, de 04.04.2003. Situa-se na Rua Joaquim Peregrino, nº 38,  Bairro Xavier Capanema.


Cristo Redentor


Idealizada por Joaquim Xavier Villaça, popularmente conhecido por Nem Villaça, após adquirir uma pequena imagem do Cristo Redentor do Rio de Janeiro, a escultura do Cristo Redentor de Pará de Minas foi inaugurada em 25 de agosto de 1.963, com uma missa campal celebrada pelo bispo diocesano Dom Cristiano Portela de Araújo Pena. O maior monumento esculpido de Pará de Minas repousa solenemente sobre o topo dominante da Serra de Santa Cruz, em terreno doado por José Alves Ferreira de Oliveira, dentro da mancha urbana de Pará de Minas. Para sua construção, iniciada por volta de 1958, Nem Villaça contou com o respaldo técnico do Engenheiro Civil Ives Soares da Cunha, e da mestria de ofícios dos pedreiros Adriano de Carvalho e Vicente Pereira Duarte, conhecido como Vicente Brás. A imagem do Cristo de Pará de Minas, num arremedo figurativo do Cristo Redentor do Rio de Janeiro, soerguido em 1.931, em estilo Art Déco, posta-se sobre pedestal de base em tronco de pirâmide, perfazendo-se um total de doze metros de altura, tendo a mesma medida de ponta a ponta das mãos, que medem 1,10m. cada; a cabeça mede 1,10 m. O realismo da expressão escultórica é tratado com linhas ricamente detalhadas, conferindo-lhe  a serenidade, que se contrapõe à rigidez da constituição matérica. O coração de alumínio no peito da imagem foi resultado da fundição de objetos como talheres, copos, formas e outros utensílios doados pela comunidade de Pará de Minas.
Sua localização privilegiada, no alto da Serra da Santa Cruz, em platô basicamente horizontal, de onde se descortina vista panorâmica em 360º da linha do horizonte, configurando um mirante urbano e, reciprocamente, dando-se como visto de quase todos os pontos do Distrito Sede. Assim, a escultura monumental assume um papel no cenário e traçado urbano, afigurando-se como um dos pontos turísticos mais notórios da região. Em 31 de maio de 1.970, o Lions Club homenageou o idealizador da obra com uma placa fixada no pedestal do monumento, expressando a gratidão da comunidade.
A escadaria de acesso a ele, com 608 degraus e quatorze patamares, para escalada fervorosa de fieis serra acima, principalmente na Semana Santa, foi concluída em 1.990. O acesso também pode ser feito por uma estrada pavimentada, o que faz do local um dos pontos turísticos mais visitados, de onde se tem uma vista privilegiada de toda a cidade. O Cristo Redentor, símbolo da fé e religiosidade do povo predominantemente católico do Município, tornou-se referência artística, arquitetônica e urbana de Pará de Minas, sendo tombado pelo Patrimônio Cultural Municipal pelo Decreto Nº 3.535, de 04.04.2003.


                                                                      Núcleo Histórico Urbano do Distrito de Ascensão

A localidade de Ascensão surgiu na primeira década do século XIX, ligada ao fluxo migratório ocasionado pela crise da mineração e consequente busca por terras favoráveis a vendas, hospedagem e plantio. Apenas no ano de 1.962 que o distrito foi criado (Lei Estadual Nº 2.764, de 30 de dezembro de 1.962). Desenvolveu-se ao longo do Córrego do Couto, com edificações dos estilos neo-colonial e eclético. Possui 71 edificações tombadas, entre elas a Igreja Santo Antônio e a Praça de mesmo nome, residências e comércio. O Núcleo Histórico Urbano do Distrito de Ascensão foi tombado pelo Município em 17 de dezembro de 2.010, pelo Decreto Nº 6.251.


                                                                    Núcleo Histórico Urbano do Distrito de Carioca

O povoado tem provável origem na segunda metade do século XIX, iniciada pela fixação de agricultores, criadores de gado e comerciantes que abasteciam as tropas de mulas e viajantes que passavam pela localidade. É no ano de 1953 pela Lei Estadual Nº 1.039 de 12 de dezembro, que o distrito foi criado, com grande crescimento nas décadas de 1930 e 1940. O distrito insere-se na planície do Córrego Ponte Alta, em sentido norte-sul. São 49 edificações tombadas. O conjunto da Igreja Nossa Senhora de Lourdes com a praça é o ponto central e referencial do núcleo. O Núcleo Histórico Urbano do Distrito de Carioca foi tombado pelo Município em 17 de dezembro de 2.010, pelo Decreto Nº 6.253.


                                                                 Telas da Antiga Matriz de Nossa Senhora da Piedade


É um conjunto de nove telas, obras pintadas a óleo em 1.918 pelo artista alemão Guilherme Schumacher, autor das pinturas internas da Igreja de São José, em Belo Horizonte. As telas, pintadas com a técnica francesa do marouflage (técnica francesa bastante difundida no final dos oitocentos, mas atualmente pouco utilizada, na  qual as telas são coladas diretamente sobre a parede. É caracterizada por um processo de afixação de um tecido na parede, por meio de um adesivo, tradicionalmente branco de chumbo moído em óleo), faziam parte da decoração interna da Antiga Matriz de Nossa Senhora da Piedade (1901 – 1971). Quando da demolição da igreja, a técnica utilizada possibilitou que as mesmas fossem retiradas de suas paredes para que pudessem ser enteladas. Sete telas encontram-se atualmente acondicionadas nas salas de catequese da Matriz de Nossa senhora da Piedade e não são expostas. O conjunto é formado pelas telas: Anjos com Incensórios I, Anjos com Incensórios II (encontra-se exposta no Museu Histórico de Pará de Minas e está patrimoniada pelo Museu), Ascensão de Cristo, Divino Espírito Santo, Imaculada Conceição, Ressurreição de Cristo, São Jacob e São Philipp, São João e São Thiago e a tela Nossa Senhora da Piedade, que se encontra atualmente no prédio da Fapam – Faculdade de Pará de Minas, exposta na sala da Confraria de Nossa Senhora da Piedade, mantenedora da faculdade. O Conjunto de Telas tornou-se Bem Móvel Tombado pelo Conselho Deliberativo Municipal do Patrimônio Cultural de Pará de Minas, por força do Decreto Nº 6.252, de 17 de dezembro de 2.010.


                                                                                               Arte Ceramista

Não há data precisa sobre o início deste ofício em Pará de Minas, mas a Arte Ceramista desenvolvida no município teve maior expressividade com o escultor Raimundo Nogueira de Faria, o Sica. Essa arte ganhou singularidade nestas terras por suas características próprias em seu modo de fazer e pelos diferentes tipos de matérias-primas, argilas, aqui encontrados. A arte ganhou mais escultores, com a criação da Escola Municipal de Artes e Ofícios no ano de 1.985 (passou a ser denominada Escola Municipal de Artes e Ofícios Raimundo Nogueira de Faria – SICA pela Lei Municipal Nº 3.170, de 10.03.1995), e com o Grupo de Produção de Cerâmica criado em 1.999 pela escola citada. A Arte Ceramista de Pará de Minas é hoje reconhecida nacionalmente por sua história, qualidade e singularidade. A Arte Ceramista tornou-se Bem Imaterial registrado pelo Município, por força do Decreto Nº 5.604, de 19 de agosto de 2.010.


                                                                                       Banda Música Lira Santa Cecília

Sua história remonta ao início do século XX, como herança das antigas bandas do período colonial. A Banda foi criada em 1.937, sob inspiração de Antônio de Almeida Assis, fundador e primeiro maestro da Banda. O primeiro nome atribuído ao conjunto foi Banda Santo Antônio, em homenagem ao seu fundador. No ano de 1945 a Banda encerrou suas atividades, retornando em 1.947 já com o nome de Banda de Música Lira Santa Cecília. A escolha do novo nome baseou-se na padroeira dos músicos: Santa Cecília. No ano de 1.954 foi construída, com apoio do governo municipal, a sede oficial para a banda. Em 1.960 a banda já realizava apresentações em festas cívicas e religiosas em outras cidades. A intenção de estimular a renovação do quadro de músicos, levou a criação, em 1.996, da Escola Municipal de Música Geraldo Martins – Geraldinho do Cavaquinho. Atualmente, a banda realiza apresentações em festividades civis e religiosas em Pará de Minas e várias cidade da região. A Banda de Música Lira Santa Cecília foi registrada pelo Município como Bem Imaterial, por força do Decreto Nº 5.064, de 19 de agosto de 2010.


                                                                                    Coral Nossa Senhora da Piedade

Desde o século XIX há um intenso movimento musical em torno da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade. Em 1.950, o Padre José de Souza Nobre oficializou o Coro Nossa Senhora da Piedade, que em 1.952 passou a denominar-se Coral Nossa Senhora da Piedade. Sempre cantando nas Missas da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade, na Capela Nossa Senhora da Conceição e em eventos como o Corpus Christi, a Semana Santa, na Festa da Padroeira e aniversário da cidade, o Coral Nossa Senhora da Piedade faz parte da história de Pará de Minas. Sendo registrado através da gravação de Lps (disco de vinil) e compactos, também participou de inúmeros eventos de visibilidade no estado de Minas Gerais. Ainda hoje, continua participando semanalmente das tradicionais Missas na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade e em diversos eventos na cidade. O Coral Nossa Senhora da Piedade foi registrado pelo Município como Bem Imaterial, por força do Decreto Nº 5.064, de 19 de agosto de 2.010.


                                                                                Corpus Christi

A celebração católica que remonta ao século XIII, em Pará de Minas realiza-se desde o século XVIII. Milhares de fiéis participam anualmente do evento que ocorre em data móvel, realizado na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade, que ocorre logo após o Pentecostes. Fiéis de todas as paróquias do município se mobilizam para a execução de tapetes processionais, para a realização da procissão e para a celebração das liturgias. A procissão em Honra ao Corpo e Sangue de Jesus Cristo percorre ruas entre duas Igrejas de uma das seis paróquias existentes no município. O evento conta com a participação do Vigário Forâneo de Pará de Minas, dos Padres do município, dos Ministros da Eucaristia e de moradores do distrito sede, dos distritos e povoados de Pará de Minas. A Celebração de Corpus Christi foi registrada pelo Município como Bem Imaterial, por força do  Decreto Nº 5.064, de 19 de agosto de 2.010.


                                                                                Guardas de Congado

Os grupos congos existentes no Brasil são bantu-descendentes do Congo, de Angola e de Moçambique. O Congado é uma manifestação da religiosidade e diversidade cultural afro-brasileira inspirada nos préstitos realizados pelo povo africano para homenagear seu rei e sua rainha. Também entoa-se cantos em honra à Nossa Senhora do Rosário, São Benedito, São Jorge, Santa Efigênia, Princesa Isabel e outros. Em Minas Gerais a Congada parece ter seus primeiros festejos no início do século XVIII, em Vila Rica. Em Pará de Minas, o registro mais antigo data de 1902, que indica que o folguedo já era manifestado no fim do século XIX. Vários Padres, sempre apoiaram e promoviam os festejos na cidade, sendo ainda hoje realizados e atraindo grande público, sem data fixa, sendo que a chamada festa maior, a Festa do Congado (também sem data específica, normalmente acontecendo entre os meses de outubro e novembro, na qual Pará de Minas recebe grupos de outras cidades), as Guardas do município trabalham conjuntamente. Pará de Minas possui as seguintes tradicionais Guardas: Guarda de Congo Sagrada Família de N. S.ª do Rosário; Guarda de Congo Marinheiro Nossa Senhora do Rosário de Santo Antônio do Paiol; Irmandade de Nossa S.ª do Rosário – Os Nonatos; Guarda de Congo de N. S.ª do  Rosário Marinheiro de Santa Clara; e a Guarda de Congo Mirim de Santa Efigênia e São Benedito. As Guardas de Congo foram registradas pelo Município como Bem Imaterial, por força do Decreto Nº 6.200, de 09 de novembro de 2.010.


                                                                                  Ofício das Biscoiteiras

O ofício das biscoiteiras de Pará de Minas revela-se como um importante exemplar do patrimônio intangível local, símbolo de um repertório comum a todo município. Não há marcações temporais exatas que definam o início da atividade na região pará-minense. Aparentemente, trata-se de um costume gradualmente desenvolvido a partir dos papéis femininos desempenhados desde a época da mineração, quando se inicia a formação do povoado por decorrência das atividades mineradoras. Foi no século XX que o trabalho com biscoitos tornou-se referência gastronômica pará-minense. São exemplos de biscoitos tradicionais confeccionados pelas biscoiteiras em Pará de Minas: biscoito escaldado, biscoito de farinha, biscoito de fécula, biscoito branco, biscoito pipoca, biscoito de polvilho, entre outras receitas que se perpetuam através das gerações. O Ofício das Biscoiteiras foi registrado pelo Município como Bem Imaterial, por força do Decreto Nº 5.064, de 19 de agosto de 2.010.



OBS: Adaptação dos textos produzidos pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Pará de Minas para o processo de tombamento.