Museu Histórico de Pará de Minas

Quarta no Museu: Parabéns, Pará de Minas!



Comemore os 151 anos de Pará de Minas!

O Ribeirão Paciência (em prosa e verso)

                                                        Ao povo paraense pela passagem do aniversário de emancipação da cidade [de Pará de Minas].
                                                                                         Maria da Graça Menezes Mourão
                                                                              Especialista em História e Cultura de Minas Gerais
                        

                          O Ribeirão Paciência foi o caminho natural das águas. Em suas margens caminharam os bandeirantes que nele se abasteceram, mataram a sede do cansaço, banharam-se, lavando a poeira dos caminhos.
                          O paulista não era como o português. Como indígena, incrustado na origem mameluca buscava as águas, buscava os pássaros, dormia na rede, andava descalço. Incrustado nas roupas do mato, nas horas de descanso, espraiava-se nas águas virgens dos caminhos.
                          E o ribeirão caminhava com eles, com paciência, copiando nas pedras as páginas da História. E o remanso calmo, apenas interrompido por dois funis, encachoeirava-se pelos lados do Romão e dos Macacos. Na paciência dolente dos que acreditam que o rumo é certo, serpenteava por entre os morros que um dia seriam Piteira, Bom Sucesso, Santa Cruz, Andaime, Alto...
                          Os moinhos cortariam suas veias menores, córregos de seu abastecimento. Mas, antes de tudo, seu destino era reverter em prodigalidade:
                          As choupanas que logo se veriam construídas...
                          O fubá na panela virando angu com ensopado de galinha...
                          E o fogo crepitando, estalando a lenha do dorso de suas margens.
                          E o mugir dos bois, o ranger dos engenhos se misturando nas brisas de águas rolando nas pedras. Cheiro forte das garapas nos tachos, transbordando, nos caixotes das rapaduras... cheiro de meloso, cheiro de cana na Várzea do Engenho, espalhado pelo vento dançante do arrozal ainda verde, maturando com o sol as espigas do amanhã...Barulho de palha de milho quebrada dos sabugos. Algodão separado no murmurinho da criançada brincando nos carrapichos das saias brancas, urdidas no algodão da safra passada,
                         levantadas,
                         aparando capuchos e olhares,
                         desenhando nos homens
                         volúpias formas chamando a noite...

                        Paciência... paciência...paciência...

                       O ribeirão saiu da Mata do Cego, alimentou-se da Água Limpa, carregou no bojo a “madre d’água”.
                       Ouro, ouro, ouro!
                       Caminhou junto com o caminho para o Pitangui, que levava para os Guardas, que levava para Bambuí, que levava para o Córrego da Anta... que levava para o Córrego do Veado... para Estrela, para Indaiá, Paracatu, que levava para o Vainhu:
                       Águas que levam para outras águas, Pará; que levam para outras águas, São Francisco que leva para o mar...

                      O ribeirão grande viu nascer a capelinha,
                      Vigário Geral João Pimenta considerou ser bom lugar...
                      Veio o Bispo que consagrou ser bom para arraial novo... 
                      Veio o tropeiro trazendo saudades de longe,descansou, alimentou a tropa...
                      no Paradouro da Estalagem do Patafufo.
                      Veio gente da terra comprou rapadura, bebeu gole da boa do vizinho...
                      Na venda, Maria comprou  meadinha,levou linha, sianinha.
                      Sinhazinha perguntou por carta...
                      Sinhá borda olhando a cruz lá no morro,
                      sondando com os pensamentos a curva do  caminho.

                     Paciência... paciência ... paciência...

                     Um dia, o rio acordou da sua paciência letárgica. Viu que as fazendas estavam sumindo no meio do casario... Espiou direito e encontrou um arraial... A Várzea do Engenho ainda continuava calma, serena, paciente. O arroz crescia adiante.
                     As moças no domingo buscavam capim de Presépio. E os rapazes apanhavam barba de pau. E um ano, outro ano, Paciência... Antes que suas águas desaparecessem pelas bandas do curtume o rio divisou as casas brancas, azuis, assobradadas. O alto da torre que agora era Matriz, a cruz no alto do Morro, que agora era o Cristo.

                    Então o Ribeirão Paciência vaticinou:
                    O que levo em minhas águas?
                    Levo saudades choradas.
                    Levo imagens recordadas.
                    Levo sons adormecidos?

                    Paciência... paciência ... paciência...
                    Paciência se esgotou...

                    Vou levar a cidade comigo,
                    Único meio de fazê-la lembrar...
                    Que eu vi os bandeirantes chegando,
                    Que eu vi suas roças crescendo,
                    Que eu vi suas crianças nascendo,
                    Que eu vi suas mulheres amando...
                    Que eu vi tudo...
                    Até o descaso que tiveram.
                    Mas eu levo a cidade comigo...
                    Arrastando-a forçosamente,
                    Formando os bairros,
                    Teimando os sítios
                    Nos últimos arroubos de sobrevivência.

                    Ah...Paciência!
                    Paciência, paciência, paciência...

                   Quem sabe um dia vão cuidar de mim.
                   E então encontrarão minhas veias de abastecimento,
                   Vão tentar limpar as minhas margens,
                   E vão lembrar de ouro, diamantes, pedras preciosas.
                   E então Paciência, esse dia chegará...
                   Mas o ribeirão não vai estar lá,
                   Desapareceu.


                                                                                                              Em 06.08.2005





Encontro de Guardas e Coroas do Reinado

Cozinhando no Museu Doces Momentos Diet com Galiana Fraga

Galiana Fraga, renomada culinarista lançou o livro "Doces Momentos Diet", dia 9 de setembro, no Museu Histórico, durante a 2ª Paraliiteratura - Feira de Incentivo à Leitura, realização da Secretaria Municipal de Cultura no período de 9 a 11 de setembro. Na oportunidade, Galiana Fraga, às 13 horas, ministrou uma oficina de culinária diet antecedendo o lançamento do livro.
O livro "Doces Momentos Diet” contendo mais de 200 receitas testadas, foi feito para pessoas que necessitam de uma dieta de baixas calorias. Nele, a autora Galiana Fraga ensina várias receitas de teor calórico reduzido, elaboradas para oferecer os melhores sabores em pratos coloridos, atraentes, saborosos e simples de fazer. O livro atende às pessoas diabéticas, hipoglicêmicas, obesas ou para quem quer manter a forma sem perder o prazer de comer.
Galiana Fraga, que traz no currículo diversos cursos de gastronomia, inclusive internacionais, ministra cursos na área há mais de 15 anos ensinando técnicas práticas e requintadas para a execução da culinária como uma arte.

Apoio Cultural:
Minasgás   -   Supermercado Panelão   -
Chá de Panela

veja_as_fotos

convite galiana fraga

Joomla extensions by Siteground Hosting