Museu Histórico de Pará de Minas

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Dr. Silvino Moreira dos Santos

        

                                                                                            Por Ana Maria Campos*

                                                                        Os homens passam, mas suas histórias e benfeitorias ficam.            
                                                                        Pará de Minas tem uma história extensa para contar de sua
                                                                        gente, graças ao relevante trabalho de muitos filhos que já
                                                                        se foram, mas  que deixaram marcas de uma brilhante 
                                                                        trajetória de vida. 
                                                                        (In: Jornal da Educação.Vultos Históricos; pág.9; setembro/2000.) 
                                                                                           

                  Silvino Moreira dos Santos nasceu em 28 de junho de 1905 em São Gonçalo do Pará, distrito da Cidade do Pará, atual Pará de Minas(MG). É filho de Ernesto Moreira dos Santos (primeiro telegrafista da Estação Telegráfica Federal, inaugurada em 1909) e de Maria da Conceição Marinho. Perdeu a mãe em tenra idade, sendo criado pelos tios Onésima Diniz Moreira de Almeida e o Cel. Torquato Alves de Almeida. Pelo lado paterno, Dr. Silvino é bisneto do Major Manoel Antônio Moreira dos Santos, vereador da primeira Câmara da Vila do Pará. Pelo lado materno é bisneto de Antônio José Marinho, o Antônio Novato, vereador por 10 anos, chegando a ser Presidente da Câmara e Agente Executivo do Pará, no período de 14-05-1877 a 10-01-1881 e de 13-02-1883 a 12-01-1885.
                 Silvino Moreira dos Santos cursou o primário no recém instalado Grupo Escolar Torquato de Almeida, com a professora D. Maria das Dores Leite. Entre seus colegas estava Mário Luiz Silva, futuro farmacêutico, professor e pesquisador da história de Pará de Minas, com o qual firmou calorosa amizade. Em 1917, os dois estavam cursando o 4º.  ano  primário com o já renomado Professor José Pereira da Costa e ainda eram coroinhas do Vigário da Paróquia N. Sª da Piedade, Padre José Pereira Coelho, o Padre Zeca.
                 Terminado o primário, por ter ótima caligrafia e ter se destacado nos estudos, Silvino foi admitido como auxiliar na secretaria da Câmara Municipal, ao mesmo tempo em que estudava no Externato dos Professores José Pereira da Costa e José Gonçalves de Melo. O curso secundário concluiu através de exames parcelados prestados no Ginásio Mineiro, em Belo Horizonte. Nessa Capital também formou-se em Farmácia em 1925, mas o jovem farmacêutico constatou que a sua vocação era outra e ingressou na Faculdade de Medicina. Em 21 de dezembro de 1930, Silvino Moreira dos Santos colou grau como médico pela Universidade de Minas Gerais, atual UFMG. Nesse ano atuou como médico da Revolução de 1930, em Belo Horizonte.
                 No mês seguinte, já em 1931, Dr. Silvino abriu o consultório em Pará de Minas e integrou o corpo clínico do Hospital N. Sª da Conceição. Com poucos anos de exercício profissional impôs-se como médico e adquiriu excelente clientela. Daí por diante foram inúmeras as suas frentes de trabalho, como clínica particular, médico do Hospital da cidade, médico da Unidade Sanitária de Pará de Minas, médico do Centro de Puericultura Odete Valadares, médico do IPSEMG – Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais, médico da EMAF – Escola Média de Agricultura de Florestal, Provedor e Diretor do Hospital N. Sª da Conceição durante mais de 22 anos, local onde executou uma obra notável como administrador.
                 Fez o curso de Medicina do Trabalho, foi membro correspondente da Academia Mineira de Medicina, membro associado do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, membro titular da Sociedade Brasileira de Câncer, membro da Academia Brasileira de Administração Hospitalar, membro da Associação Médica Brasileira, da Associação Médica de Minas Gerais, da Sociedade Brasileira de Pediatria, da Sociedade Mineira de Pediatria e do Conselho Regional de Medicina, atuando nesse Conselho como secretário durante 25 anos, prestando relevantes serviços à classe médica mineira. Possuía diploma de membro da C.I.C. de Farmácia e da C.I.C. Médico-Hospitalar, conferidos pela Associação Brasileira de Hospitais e Academia Brasileira de Administração Hospitalar e era Sócio Benemérito da Associação Brasileira de Odontologia – ABO, seção de Pará de Minas.
 Dr. Silvino foi médico na época em que se fazia o atendimento em domicílio e no tempo das viagens à cavalo. Sempre preocupou em atualizar-se, fazendo cursos, participando de congressos e jornadas médicas.
                Na Educação estendeu a contribuição como professor de História Natural durante muitos anos no Ginásio Municipal São Geraldo e, posteriormente, no Ginásio São Francisco. Também foi médico de várias escolas da cidade, avaliando os alunos para a Educação Física. A contribuição que deu ao esporte efetivou-se quando foi Presidente da Praça de Esportes, proporcionando melhorias significativas no clube: construiu a piscina infantil, um parque com balanços, gangorras e escorregadores de madeira para as crianças, além do vestiário próximo às novas instalações do clube. 
                 Dr. Silvino foi também Presidente do Centro Literário Pedro Nestor em 1938, reformando seu salão de festas. Teve ativa vida religiosa, colaborando muito com a Paróquia N. Sª da Piedade, tendo sido um dos primeiros Ministros da Eucaristia, contribuindo também como Presidente do Serra Clube.
                 Como industrial, Dr. Silvino foi Diretor-Presidente da Companhia Industrial Paraense e, com o falecimento do Cel. Torquato de Almeida, tornou-se o Diretor-Gerente, tendo sido ele o construtor da II Usina Hidroelétrica de Carioca, inaugurada em 07 de fevereiro de 1960.  A Usina Carioca II era mais possante que a primeira e colaborou intensamente para o fornecimento de energia elétrica para a cidade, tendo sido posteriormente denominada Usina Dr. Silvino Moreira dos Santos, em 26 de abril de 1969. A Companhia Industrial Paraense tornou-se concessionária do serviço de eletricidade do município até a chegada da Cemig – Centrais Elétricas de Minas Gerais.
                 Dr. Silvino casou-se com Vanda Marinho Moreira dos Santos em 12 de junho de 1945, em Aparecida do Norte. O casal teve a filha Jane que, casando-se com o Dr. Alcides Nilton Campos Almeida, deu-lhe três netos: André, Leonardo e Alexandre. Leonardo segue o exemplo profissional do avô.
                 Dr. Silvino foi um grande servidor do Hospital de Pará de Minas, o Nossa Senhora da Conceição, sendo Irmão da entidade desde 14-02-1923. Foi o médico que mais tempo integrou seu corpo clínico, de janeiro de 1931 a junho de 1986, portanto, mais de 55 anos. Foi seu Provedor e Diretor de 10 de janeiro de 1943 a 23 de fevereiro de 1965, portanto, mais de 22 anos, período maior de administração da entidade, superando o período de Torquato de Almeida que foi mais de 21 anos.
                Como Provedor e Diretor do Hospital Nossa Senhora da Conceição, suas principais realizações são:
a. Reformou os estatutos da instituição por duas vezes. A primeira em 16.12.1943 por achar-se o mesmo obsoleto. A segunda vez em 24.01.1964, adaptando-o às exigências legais.
b. Editou novo Regimento Interno em 25.04.1955.
c. Iniciou a publicação quadrimestral de boletins informativos do movimento hospitalar e de doações feitas ao estabelecimento, assim como a     publicação dos Relatórios anuais da entidade.
d. Instalou o serviço da secretaria, chefiada por uma religiosa.
e. Organizou a escrita técnica de acordo com as normas do Ministério da Saúde.
f.  Inaugurou a Galeria de Retratos dos Provedores e Benfeitores da entidade em 08.09.1946, sendo orador o sacerdote paraense Francisco Lopes de Araújo.
g. Inaugurou a Maternidade em 1944, sob direção do obstetra Dr. José Custódio Martins Lage.
h. Instalou um gabinete dentário que foi inaugurado em 04.08.1944 para atender gratuitamente a clientes pobres. O idealizador desse gabinete foi o cirurgião-dentista Dr. José Henriques, que teve a colaboração dos colegas Dr. José Mendes Júnior, Dr. Jafé Almeida, Dr. Vicente Floriano Alves Ferreira, Dr. Geraldo Henriques Campos, Dr. João Batista Cirne Ribeiro. O gabinete dentário do hospital funcionou regularmente por mais de 10 anos e o serviço não pode continuar por vários e imperiosos motivos.
i. Adquiriu um novo e mais possante aparelho de Raio X em 1953, em substituição ao primeiro, adquirido durante a administração do Dr. Murilo    Salles (1926 – 1936).
j. Adquiriu a primeira ambulância em 1949 aproximadamente.
k. Adquiriu vários lotes de terreno nas vizinhanças do prédio do Hospital, ficando a instituição proprietária de mais da metade do grande quarteirão, possibilitando a ampliação da edificação.
 l. Reformou o telhado, forro e a pintura de todo o prédio.
m.Construiu o Pavilhão das Irmãs, destinado à clausura delas. A obra foi doação do farmacêutico Pedro Teixeira de  Menezes Júnior e iniciou-se em 03.09.1944, sendo inaugurada em 01.11.1954. Posteriormente, recebeu a denominação de Pavilhão Dr. Silvino Moreira dos Santos e abrigou a administração e o vestiário.
n. Construção da Capela Nossa Senhora da Conceição, uma doação do Cel. Torquato Alves de Almeida, cujo início das obras foi em 03-09-1944, sendo inaugurada em 12-09-1946 por Dom Alexandre Gonçalves do Amaral, Bispo de Uberaba, nas comemorações do 1º Centenário da     Paróquia Nossa Senhora da Piedade.
o. Construiu nova e ampla cozinha, dotada de câmara frigorífica.
p. Construção da lavanderia toda mecanizada, dotada de um grande reservatório de água.
q. Iniciou a construção do bloco cirúrgico.
r. Construiu o Pavilhão D. Elisa Pacífica de Oliveira. Em 1944 a família do Cel. Júlio José de Melo Sobrinho, em homenagem à memória de sua     progenitora D. Elisa, fez construir junto ao prédio do hospital um pavilhão destinado às meninas da pediatria. O novo pavilhão foi inaugurado em 07 de junho do mesmo ano, 1944. Posteriormente, serviu ao Laboratório de Análises Clínicas devido a várias modificações no prédio.
s. Celebrou convênios com o Estado para a implantação do Serviço de Defesa Sanitária e para tratamento ambulatorial de Tuberculosos.
t. Promoveu diversas jornadas médicas e mesas redondas, desde a fundação em 1959 da Seção Regional da Associação Médica de Minas Gerais, cuja sede era o Hospital.
u. Construiu o Pavilhão Dr. Teófilo de Almeida para o isolamento, sendo inaugurado em 28-12-1950.
v. Construiu o Pavilhão Dr. Lage para ampliar a Maternidade, sendo inaugurado em 25.12.1954.
w. Dividiu as enfermarias por biombos e mandou colocar passadeiras de borracha nos corredores para evitar ruído (SILVA, 1993).

                 Na administração do Dr. Silvino, o Hospital amparou um médico de idade avançada e sem família, o Dr. Domingos Pinheiro, médico e farmacêutico pela Faculdade da Bahia. Por ser um caso omisso no Estatuto e no Regimento Interno, o assunto foi levado à Assembléia Geral de 20.01.1950. O irmão Mesário Dr. Álvaro de Abreu e Silva propôs e foi aprovado, que o Hospital o acolhesse como uma homenagem à classe médica. Dr. Domingos Pinheiro residiu no Hospital até falecer (Idem).
                 O Corpo Clínico do Hospital, durante a administração do Dr. Silvino foi ampliado, ingressando os seguintes médicos:
1. Dr. José Roiz, em 1952
2. Dr. Heleno Vieira Leitão, em 1956
3. Dr. Weber Leite de Magalhães Pinto, em 1956
4. Dr. Jener Jardim Colares, em 1959
5. Dr. João Batista de Moura Lima, em 1962.
6. Dr.Osvaldo Simões, em 1963
                 Após 22 anos de administração, Dr. Silvino deixou o cargo de Provedor e Diretor  do Hospital N. Sª da Conceição em 23 de fevereiro de 1965, continuando a clinicar e a exercer outras atividades paralelas. Seus inúmeros e valorosos serviços prestados a Pará de Minas foram reconhecidos pela Câmara Municipal que outorgou-lhe o título de Cidadão Benemérito.
                 Em 10 de julho de 1986, após mais de 55 anos de serviços médicos prestados à comunidade, faleceu o homem inteligente, culto, polido, equilibrado; o médico competente, dedicado, de alto padrão de ética profissional.
                 O Hospital Nossa Senhora da Conceição em 29 de agosto de 1986 em concorrida sessão solene no auditório da entidade, presidida pelo Vigário Cônego Gabriel Hugo da Costa Bittencourt, prestou uma significativa homenagem à memória do médico benfeitor da instituição. Pelo Dr. Antônio Silva Mendes, Diretor Administrativo do Hospital, foi lido um magnífico discurso escrito pelo Dr. Edward Moreira Xavier que, por motivo especial não pode comparecer. Dr. Nermival Ramos de Morais falou pela 34ª Regional da Associação Médica local. Pela Academia Mineira de Medicina, o Dr. José de Laurentys Medeiros. Pela Associação Médica de Minas Gerais, o seu Presidente Dr. Hélio Osório de Paula. Cônego Hugo deu seu valioso testemunho enaltecendo a figura humana, o valor moral, intelectual e profissional do homenageado. A viúva, D. Vanda Marinho Moreira dos Santos, agradeceu emocionada.
                 Pará de Minas orgulha-se de mais este filho, cujo alto desempenho foi além da sua área de formação, demonstrando a inteligência privilegiada do qual era dotado e, principalmente, o  vibrante interesse e participação no desenvolvimento do Município.

                                                                                                                                                                                     Em julho de 2005.


Fontes consultadas:
.SILVA, Mário Luiz. Hospital Nossa Senhora da Conceição. Estudo Histórico. Gráfica Sidil. Divinópolis. MG. 1993.
.SILVA, Mário Luiz. Doutor Silvino Moreira dos Santos. Cinqüenta anos de médico. Texto. 1980.
.SILVA, Mário Luiz. Adeus a Silvino Moreira. Texto. 1986.
.SILVA, Mário Luiz. O doutor Silvino e o Hospital. Texto. 1986.
.SILVA, Mário Luiz. Hospital homenageia a memória do Dr. Silvino. Texto. 1986.
. JORNAL Gazeta Pará-minense. Adeus, Silvino Moreira. Artigo de Mário Luiz Silva. 25.07.1986. Página 7.
. JORNAL Folha de Pará de Minas. Os grandes tecelões. Artigo de Orlando Moreira. 20.04.2001. Página 6.
. JORNAL PARAENSE. Industrial Paraense, 70 anos de progresso. 19.09.1976. Página 11.
. JORNAL DA EDUCAÇÃO. Vultos Históricos. Página 9. Setembro/2000.
.Correspondência aos acionistas da Cia.Industrial Paraense, em abril de 1969, assinada por José Alves Ferreira de Oliveira, Diretor Gerente da empresa citada. Doc. ECO-14.
.Informações orais de D.Vanda Marinho Moreira dos Santos à Ana Maria de O. Campos, em 14.07.2005.

 

*Ana Maria Campos é pesquisadora da história de Pará de Minas, diretora do Museu Histórico Municipal, editora do livro Pará de Minas, Meu Amor. 150 anos de História e Estórias (2009).

 

 

 

 

 

 

 

Dr. Olavo Villaça

 

 

                                 Por Ana Maria Campos*

 

                                                        Os homens passam, mas suas histórias e benfeitorias ficam.             
                                                        Pará de Minas tem uma história extensa para contar de sua gente,
                                                        graças ao relevante trabalho de muitos filhos que já se foram, 
                                                       mas  que deixaram marcas de uma brilhante trajetória de vida.                                                   

                                                      (In: Jornal da Educação.Vultos Históricos; pág.9; setembro/2000.)

 
                                                                         
                                                                        
Olavo Villaça nasceu na Cidade do Pará, atual Pará de Minas, em 09 de abril de 1905. Filho de Joaquim Xavier Villaça, o Nem Villaça, idealizador e construtor do Cristo Redentor localizado na Serra da Santa Cruz daquela cidade. Sua mãe é Anna de Almeida Villaça, a D. Sinhaninha, irmã do Cel. Torquato Alves de Almeida. Seus irmãos são: Maria Villaça Mendes (professora); José Villaça (engenheiro); Hilda Villaça de Abreu (1ª  farmacêutica de Pará de Minas, junto com Maria Varela, a Belica); Olga Villaça Gomes (professora) e Lourdes Villaça Ferreira e Melo (professora).

Fez o curso primário no Grupo Escolar Torquato de Almeida, onde foi aluno do professor Pereira da Costa. O secundário cursou de 1923 a 1925 no Ginásio Santo Antônio, em São João del Rei, de frades franciscanos. Foi reservista do Exército Nacional, 2ª Categoria, Tiro de Guerra, do mesmo Ginásio em São João del Rei, em 1924.

Concluído o curso secundário, transferiu-se para Belo Horizonte onde ingressou na Faculdade de Medicina, em 1926. Trabalhou no Hospital São Vicente de Paulo, atual Hospital das Clínicas, desde o 2º  ano do curso como médico no serviço do Professor David Rabelo.                 

Atuou na Revolução de 1930 como Tenente Assistente do Chefe do Serviço Médico das Forças Revolucionárias de Minas Gerais, acompanhando as tropas de Belo Horizonte a Lafaiete, Barbacena, São João del Rei, Juiz de Fora e Rio de Janeiro.

Em 1931, ano de sua formatura, foi interno residente do Hospital São Vicente de Paulo, em Belo Horizonte, e nomeado monitor da Cadeira de Clínica Ortopédica Cirúrgica, sendo assistente do Professor David Rabelo. Formou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais, atual UFMG, em 24 de outubro de 1931.

Nas comemorações das Bodas de Prata Paroquiais do Vigário Padre José Pereira Coelho da Paróquia de Nossa Senhora da Piedade, em sua terra natal, integrou a comissão central dos festejos que se iniciaram em 01.11.1931, assinando também a mensagem contida em um  álbum oferecido ao homenageado pelo povo de Pará de Minas.

Formado, foi nomeado Médico Residente do Hospital que já conhecia tão bem, o São Vicente de Paulo, localizado na Avenida Mantiqueira, considerado o  Pronto Socorro da época, e atualmente Hospital das Clínicas, na avenida Alfredo Balena, em Belo Horizonte(MG). No mesmo ano, 1932, retornou para a terra natal e dedicou-se à Clínica Médica e à Cirurgia, abrindo seu consultório particular e integrando o Corpo Clínico do Hospital Nossa Senhora da Conceição, sendo o 9º  Médico da equipe da entidade.

Durante o governo Benedito Valadares, Dr. Olavo prestou assistência médica aos operários, e respectivas famílias, da construção das rodovias que cortavam Pará de Minas. Periodicamente, ele percorria à cavalo todos os trechos das construções.                                   

Durante longos anos, desde 1942, ele foi médico dos funcionários e familiares da Rede Mineira de Viação(RMV) daquela cidade e na região abrangida pelo ramal ferroviário.

Com a criação de um posto médico para atendimento aos operários da Companhia Industrial Paraense e Companhia Melhoramentos Pará de Minas, ele foi um dos indicados, em 05 de março de 1939, na Assembléia Geral Ordinária da Caixa Beneficente Operária das duas empresas têxteis, para atender nesse Posto. 

Foi Vice-Presidente do Centro de Puericultura Odete Valladares, de 07.10.1947 a 1976. 

Iniciou o atendimento médico no INPS —Instituto Nacional de Previdência Social, atual INSS —Instituto Nacional de Seguridade Social, em 17 de abril de 1967 e, naquele tempo era necessário completar um número de pontos com cirurgias, partos e outros procedimentos.       

Aposentou-se compulsoriamente como funcionário estatutário do INPS, em 10.04.1975. Trabalhou anteriormente na CAPFRMV — Caixa de Aposentadorias e Pensões dos Ferroviários da Rede Mineira de Viação,  na CAPFESP — Caixa de Aposentadorias e Pensões dos Ferroviários e Empregados em Serviços Públicos, e, no IAPFESP — Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Ferroviários e Empregados em Serviços Públicos. Mesmo aposentado trabalhou como médico credenciado pelo INPS, em Obstetrícia e Ginecologia, Clínica Médica e Cirúrgica.           

Na área da Educação, Dr. Olavo também contribuiu com Pará de Minas. Exerceu a cadeira de Física no Ginásio Municipal São Geraldo, de 1933 a 1943.                                                        

Foi admitido no quadro social do Centro Literário Pedro Nestor, na categoria de sócio efetivo, em 07.08.1932, sob o registro número 57, conforme ata da reunião da diretoria, sendo presidente da associação o Dr. José Alves Ferreira e Melo. Integrou a Comissão de Sindicância do clube em 1935, 1936, 1938, 1940, 1945 e 1957. Foi eleito presidente dessa agremiação literária em 1943 e reeleito em 1944, quando empreendeu as obras de construção do 2º pavimento da sede. Foi também Vice-Presidente em 1946 e 1955. Tornou-se sócio remido, conforme ata de 15 de março de 1940.

Dr. Olavo Villaça casou-se em 31 de dezembro de 1935 com D. Nayr Mendonça (nascida em Pará de Minas em 05.02.1908). O casal teve quatro filhos: Lúcio Flávio (médico psiquiatra); Flávio Lúcio (engenheiro civil); Márcio Luiz (engenheiro eletrônico, falecido em 01.10.2011) e Ana Regina (engenheira-arquiteta), que lhe deram 11 netos e 7* bisnetos.                           

Um desafio surgiu na vida dele em 05 de julho de 1940, com o falecimento do Padre José Pereira Coelho, Diretor-Presidente da Cia. Melhoramentos Pará de Minas. Seu nome foi proposto para ocupar a função na diretoria da empresa. O autor da proposta foi o acionista Dr. Álvaro de Abreu e Silva em Assembléia Geral Ordinária, de 30.03.1941. A sugestão  foi aprovada por unanimidade. Assim, Dr. Olavo tornou-se  Diretor-Presidente da Cia. Melhoramentos Pará de Minas até 1948.                                                                        

Nesse ano de 1948, o Cel. Torquato de Almeida, que era o Diretor-Gerente da Cia. Melhoramentos, faleceu em 28 de junho, ocasião em que Dr. Olavo assumiu a função vaga, exercendo-a até 1967. Dessa vez, foi indicado por Dr. Mauro Xavier, em Assembléia Geral Ordinária realizada em 20.03.1949, quando foi aprovado o seu nome para o lugar do tio, ficando vago o cargo de Diretor-Presidente.

Na mesma Assembléia o acionista Dr. Álvaro de Abreu e Silva, sugeriu o nome do Dr. Theofilo de Almeida, irmão de Torquato de Almeida, que já ocupava o cargo de  Diretor-Presidente da outra fábrica de tecidos, a Industrial Paraense, para exercer o mesmo cargo que havia ficado vago na Cia Melhoramentos, sendo a  proposta aprovada. Dr. Olavo exerceu as funções empresariais sem jamais abandonar a clínica médica.            

Na empresa têxtil ele concluiu e pôs em funcionamento a Usina Hidrelétrica dos Britos, no Rio São João, região do Brejo Alegre, parte da antiga fazenda do Inhozé (Professor José Pereira da Costa), atualmente em Igaratinga. A Usina dos Britos, de propriedade da Cia. Melhoramentos, abasteceu com energia elétrica a fábrica de tecidos e ainda cooperou decisivamente com a concessionária local de força e luz, a Cia. Industrial Paraense, para a distribuição da  energia elétrica em uma grande parte da cidade.                   

Na mesma Assembléia Geral em que Dr. Olavo havia sido aprovado para ocupar o cargo de Diretor-Gerente da Companhia, em 20 de março de 1949, ele propôs a denominação de “Torquato de Almeida” para a Usina dos Britos, em homenagem ao seu idealizador e executor, o que foi prontamente aprovado.             

Dr. Olavo também aumentou consideravelmente as instalações e a produção da fábrica, dotando-a de uma seção de acabamentos. Somente após mais de vinte anos de trabalhos, deixou a direção da Companhia Melhoramentos de Pará de Minas.          

Em 1976 assumiu a Provedoria do Hospital Nossa Senhora da Conceição, em virtude da renúncia do médico Dr. Jacinto Menezes da Provedoria e da Direção do Hospital, motivada pelas alterações das normas do INPS — Instituto Nacional de Previdência Social, atual INSS, que não permitiam que fosse Diretor do Hospital o Coordenador do INPS, função que Dr. Jacinto também exercia.                  

Com a opção do Dr. Jacinto para a coordenadoria do INPS, Dr. Olavo, que era o Vice-Provedor e o Vice-Diretor desde 22 de janeiro de 1958,  assumiu a Provedoria e a Direção do hospital mencionado, em 07 de outubro de 1976. “O Estatuto do Hospital previa , no seu artº 18, que quando o Provedor da Irmandade fosse médico, seria ele o Diretor do Hospital também” (SILVA, pág.103). Dr. Olavo Villaça exerceu as duas funções, permanecendo neles até 24 de abril de 1978.                       

No curto período à frente daquela instituição de saúde realizou produtiva administração:
.  Deu continuidade e terminou a construção do pavilhão dos consultórios médicos. O conjunto dos novos consultórios, em número de 13, proporcionou a cada médico do corpo clínico uma sala padronizada, ampla, higiênica, com ar condicionado, água corrente, telefone e iluminação forte, com acesso ao corredor igualmente amplo e arejado, de fluxo muito facilitado, ao contrário dos antigos consultórios, onde o congestionamento dificultava o trânsito do doente e do pessoal de serviço no Hospital.
. Continuou as obras do andar superior do novo bloco, de acordo com as disponibilidades financeiras.
.  Reformou o Estatuto em 1977: o mandato da Mesa Administrativa passou para quatro anos, ficando proibida a reeleição de Provedor e Diretor. O novo texto também definiu os requisitos para um novo elemento ingressar no corpo clínico da entidade.
. Processou reformas substanciais nas duas salas de cirurgias, no Bloco “Murilo Salles”, dando-lhes elementos para maior conforto e funcionalidade.
. Adaptou um quarto, ao lado das salas citadas acima, equipando-o para funcionar como sala de recuperação para  o recém operado, até que readquirisse os reflexos e os sentidos.
. Deixou desocupadas as salas dos velhos consultórios para serem destinadas, através de adaptação, a um P.S. (Pronto Socorro), inteiramente separado do corpo do Hospital propriamente dito, com atendimento em ambulatório das urgências, podendo ser o paciente submetido ao RX e, se necessário, transferido para o Hospital em casos de internamento.
. Adaptou uma grande sala, próxima ao acesso à Capela, no corpo do Hospital, e lá instalou o gabinete para o Diretor e Provedor, para o Diretor Clínico, Assessor e Consultor Jurídico, e para o Administrador do Hospital, local para os expedientes de rotina e reuniões. Esse mesmo gabinete também serviu para as reuniões do Conselho Médico.
. Acondicionou em uma boa sala bem iluminada, silenciosa, com instalação sanitária, a Biblioteca Médica do Hospital que se encontrava em local inadequado no bloco cirúrgico.

Durante a administração do Dr. Olavo, ingressaram no corpo clínico do Hospital os seguintes médicos: Dr. José de Morais Reis e o Dr. Paulo Francisco Lobato Menezes, em 1977.           

Dr. Olavo foi homenageado com a colocação do seu retrato na Galeria dos Provedores e Beneméritos do Hospital Nossa Senhora da Conceição, em 26 de março de 1979, durante a Provedoria do Dr. Weber Leite de Magalhães Pinto, sendo orador na cerimônia o secretário da irmandade da instituição, o farmacêutico Mário Luiz Silva. Semelhante homenagem ele já havia recebido em 1968 da Cia. Industrial Paraense, que havia incorporado a Cia. Melhoramentos Pará de Minas, quando a sua fotografia foi integrada à Galeria dos Diretores da empresa.         

Em 1º de maio de 1974 recebeu nova homenagem: foi inaugurado o Ambulatório “Dr. Olavo Villaça” na Cia. Industrial Paraense, para atender os operários e suas famílias, figurando o homenageado como um dos médicos assistentes.                                                             

Nessa mesma empresa ele participou do Conselho de Administração, criado em 11.04.1977 em Assembléia Geral Extraordinária, integrando-o até 02 de julho de 1979.                                  

Dr. Olavo foi também médico credenciado pelo Departamento de Aeronáutica Civil; médico da Fumusa – Fundação Municipal de Saúde, e ainda, do Sindicato Rural de Pará de Minas. Foi sócio fundador da Associação Médica de Minas Gerais – AMMG,  Presidente da 34ª Regional  da AMMG, em Pará de Minas, em 1965/1966;  e sócio da Associação Médica Brasileira – AMB. Prestou, ainda, relevantes serviços profissionais aos clubes  Praça de Esportes e ao Paraense Esporte Clube, ao Lions Club de Pará de Minas, clube que ajudou a fundar, em 1965.                 

Durante longos anos o dedicado médico atendeu à numerosa clientela particular, sendo um profissional querido e estimado. “Homem modesto, prestimoso e bom; profissional competente e dedicado, Dr. Olavo tinha uma maneira especial de cativar a simpatia, amizade e confiança de seus pacientes e amigos. Desta forma era grande o seu círculo de amizades em nossa cidade e fora dela.” (PEREIRA, 2001).    

A folha de serviços prestados à comunidade de Pará de Minas é extensa, rica e admirável. Ele ainda integrou importantes comissões, como a da Exposição Industrial e a da Jornada Médica nas comemorações do Centenário do Município. Em reconhecendo aos serviços prestados a Pará de Minas, a Câmara Municipal outorgou-lhe o Diploma de Mérito, que lhe foi entregue em 20 de setembro de 1980.

Em junho de 1983, Dr. Olavo afastou-se da medicina em decorrência dos problemas de saúde. Ficou viúvo em 07 de agosto de 1986. Com 82 anos faleceu em 30 de novembro de 1987, às 6 horas da manhã, no Hospital Nossa Senhora da Conceição, instituição a qual sempre se dedicou. Seu corpo foi velado no Salão Nobre da entidade, saindo o funeral às 17 horas com grande acompanhamento, após a despedida de seus colegas médicos proferida pelo Dr. Edward Moreira Xavier, que também enalteceu a sua vida profissional.                                        

Médico dos mais conceituados de sua terra, Dr. Olavo Villaça foi um exemplo de trabalho e dedicação à profissão que abraçou. Nos momentos de folga, que não eram muitos, gostava dos contatos que fazia desde 1942, através do Rádio-Amador PY-4-GL, LABRE classe B.  

O trabalho intenso não lhe permitia ter muitas horas de folga, mas diariamente, fizesse sol ou chuva, às 17 horas, dedicava-se às caminhadas pela Avenida Presidente Vargas. Tal hábito, ajudou a divulgar os benefícios dessa atividade física.                                                          

Em 14 de setembro de 2003, na inauguração da etapa final das obras do complexo de lazer e esporte do Parque Bariri, outra homenagem a ele foi oficializada com a denominação da Pista de Cooper “Dr. Olavo Villaça” – pioneiro na cidade desta atividade – por força da Lei Nº 3909, de 06.06.2001, iniciativa do colega médico, vereador Dr. Ênio Talma Ferreira Rezende, juntamente com outro amigo médico, o Dr. José Lopes Pereira.                                            

Dr. Olavo Villaça, profissional competente, modos educados, tímidos, contrastando com a férrea vontade de bem servir a Pará de Minas, deixou-nos o legado exemplar da sua vida dedicada à Medicina e à comunidade.

TRABALHOS ACADÊMICOS:
. Imperfuração Himeneal. Trabalho veiculado na Revista Médica Portuguesa.
. Ainhum –Moléstia Dermatológica.
. Vias de acesso à articulação do coxo-femural.
. Moléstia de Recklinghaussen.
. Icterícias.

CERTIFICADOS DE CURSOS:
. Curso de Pediatria. São Paulo. 1954.
. IV Congresso Panamericano de Pediatria. 1954.
. IV Congresso Sul-Americano de Pediatria. 1954
. VIII Jornada Brasileira de Pediatria. 1954.
. Curso de Especialização em Ginecologia e Obstetrícia. AMB.
. Curso Parto sem Dor. Método Psico Profilático. São Paulo. 1956
. Curso de Obstetrícia e Ginecologia. Rio de Janeiro. 1957.
. Curso Liderança de Conferências Esso. Belo Horizonte. 1957.
. Curso Intensivo de Atualização em Ortopedia e Traumatologia. Belo Horizonte. 1964.
. Curso de Reumatologia. 5º. Congresso Brasileiro. Rio de Janeiro. 1964.
. Curso Intensivo sobre Doença das Chagas. Belo Horizonte. 1964.
. Curso de Atualização em Anestesiologia AMMG. Belo Horizonte. 1966.
. Curso de Atualização em Pediatria e III Curso de Neumatologia. Belo Horizonte. 1969.
. Curso Jornada Paulista de Anestesiologia e II Seminário de Anestesiologia Obstétrica e                      
  XVIII Rodada de Anestesiologia do Intensivo do Estado de São Paulo. 1970   
. Curso de Atualização em Anestesiologia. AMMG. Belo Horizonte. 1970.
. Curso de Fraturas. Belo Horizonte. 1975.
. Curso de Medicina do Trabalho. 1975.
. Curso de Gravidez de Alto Risco. Belo Horizonte. 1975.

                                                                                                                                                                                                   

FONTES CONSULTADAS:
. SILVA, Mário Luiz. Cinqüenta anos de Medicina. Texto. 1981.
. SILVA, Mário Luiz. Adeus a dois grandes amigos. Artigo veiculado no jornal Gazeta Pará-minense, edição especial de Natal. 18.12.1987.
.SILVA, Mário Luiz.. Hospital Nossa Senhora da Conceição. Estudo Histórico. Gráfica Sidil. Divinópolis. MG. 1993.
.SILVA, Mário Luiz e VILLAÇA, Guilhermina Mendes. Traços biográficos do Dr. Olavo Villaça. S/data.
. PEREIRA, José Lopes. Cirurgião Plástico. Dr. Olavo: 56 anos de intensa atividade profissional. Março/2001.
. ALMEIDA, Robson Correia de. Pesquisa: Um brilhante apostolado, uma vida a serviço de todos. 24.09.1981.
. Diário do Oeste. Jornal. Artigo: Companhia Melhoramentos Pará de Minas. 06/1970.
. Folha de Pará de Minas. Jornal. Texto: Os grandes tecelões. Autoria: Orlando Moreira.  20.04.2001. Página 6.
. VILLAÇA, Dr. Olavo. Curriculum Vitae. 1978.
. Informação do Dr. Flávio Lúcio Mendonça Villaça, via telefone, a Ana Maria O. Campos, em 28.06.2005.
. Informação escrita por Guilhermina Mendes Villaça enviada à Ana Maria O. Campos, em 29.06 e 01.07.2005.  

 

*Ana Maria de Oliveira Campos é pesquisadora da história de Pará de Minas, diretora do Museu Histórico Municipal, editora do livro Pará de Minas, Meu Amor. 150 anos de História e Estórias(2009).

                                                                                                        Em 30.06.2005.

                                     

 *Em novembro de 2010 são 11 os bisnetos como informou-me a nora dele,Guilhermina Mendes Villaça.

     

Disponível na web o livro Circo-teatro: Benjamim de Oliveira e a teatralidade circense no Brasil

O livro Circo-teatro: Benjamim de Oliveira e a teatralidade circense no Brasil, de Ermínia Silva, lançado em 2007 e já com edição esgotada, está disponível online para download na página da Funarte, através das Edições Funarte que disponibilizou o acesso à importante obra. O livro relata a história do circo e a de Benjamim de Oliveira, filho de escravos, nascido na Fazenda dos Guardas, em Pará de Minas. A trajetória do moleque Beijo, apelido de Benjamim, desde a fuga com o Circo Sotero até o estrelato, permeia todo o texto envolvendo o leitor. Para baixar a obra basta clicar em http://www.funarte.gov.br/edicoes-on-line/ e procurar o título do livro entre as edições lá disponíveis. 

Fonte: www.circonteudo.com.br

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