Museu Histórico de Pará de Minas

Um precursor do progresso

                                           

    Antônio de Abreu e Silva - Tonico Abreu (15/08/1900-05/03/1989)

                                                                                                                  Por Silvino (Vininho) Abreu*  

                                                                          


                                             “Por vocês, sou capaz de mergulhar no fundo do mar, lutar contra tubarões, para procurar uma agulha”. Era assim que o Sr. Tonico dizia para seus filhos, quando criancinhas, deitadas ao seu lado, fazendo de seus braços travesseiros, depois de lhes dar mamadeiras. Após o café da manhã, ele levava as crianças para jogar milho para as galinhas e recolher os ovos. Depois do jantar, o programa era ir ao Posto Telefônico fazer uma complicada ligação interurbana para a filha mais velha, que estudava interna em um colégio de Belo Horizonte. Certa vez, construiu um grande viveiro de passarinhos, para seu filho Antônio. Sempre que voltava de Belo Horizonte, trazia caixinhas de passas Sun Maid e maçãs. Com estas pequenas atenções, demonstrava grande carinho pelos filhos.
                                           Gostava de conversar com os filhos e perguntava o que queriam ser, quando crescessem. Estimulou-os a estudar e fazer curso superior. Ficava eufórico com a aprovação deles no vestibular, compartilhando da alegria da aprovação, presenteava com um relógio Omega. Na formatura, fazia questão do anel de grau.  Prometeu e deu um relógio Patek Philip para o primeiro neto que entrasse para a universidade. Não permitia que seus filhos brincassem de “mãos ao alto”, com armas de brinquedo, tão comuns na época, nem que os filhos já adultos fumassem em sua presença. Colheu os frutos. Orgulhava-se de sua filha mais velha ser a primeira mulher de Pará de Minas a se formar em Direito.
                                          Não queria ver seus filhos empregados, mesmo que fossem os melhores empregos. Estimulava-os a serem profissionais liberais. Não gostava que passassem temporadas em fazendas ou pequenos povoados, por temer que pegassem gosto. Incentivava-os a buscarem as grandes cidades.
                                         Sempre que oportuno, envolveu-se, participou e ajudou na solução de problemas dos filhos, genros, netos, irmãos e sobrinhos. Nunca se omitiu. Austero, enérgico e econômico, exceto na mesa.
                                         De moral conservadora, não era daqueles que cobram moral das outras pessoas. Repugnava arma de fogo, jogos de azar, cigarros e bebidas destiladas, como whisky e cachaça.
                                         A seu convite, uma pobre senhora, a Maria Coleta, sentava-se à mesa de sua casa, para participar do almoço dominical da família. Comemorava os aniversários com missa e almoço com dourado assado, acompanhado do vinho Grandjó.
Gostava das pessoas, da vida e de viver. Orgulhava-se da família e de sua vida.
                                        Seu início de vida, como todo início, não foi fácil, apesar da boa situação financeira de seus pais. Na escola primária em Maravilhas, apanhou de palmatória e de vara de marmelo do seu professor, simplesmente por não conseguir pronunciar corretamente a palavra “cordilheira”. Dizia “cordieira”. Mas, sua mãe indignou-se com a surra e reagiu. Conseguiu que o professor fosse desligado da escola. E ele tinha orgulho disso. Usou pela primeira vez, aos 14 anos, um par de calçado - botinas, como era costume na época - quando se mudou de Maravilhas para Pará de Minas, em 1914.
                                       Começou a trabalhar no primeiro comércio atacadista da região: - o armazém Irmãos Abreu, fundado pelo seu pai. Negociava com cereais, açúcar, sal, cerveja Brahma, cimento importado em barricas etc. O movimento de carros de bois, puxados por quatro juntas, nas Ruas Francisco Sales e Dr. Higino era grande. Para entregar as mercadorias, carroças puxadas por três burros agregaram-se ao armazém atacadista. Logo, a firma comprou um caminhão, o que era a novidade tecnológica da época, para ir diariamente a Belo Horizonte. 
                                       Para desenvolver o negócio e dar oportunidade aos irmãos mais novos, deixou o armazém atacadista e criou seu próprio negócio: - uma fábrica de manteiga, com a marca Maravilhas, em homenagem à sua cidade natal. Utilizava desnatadeiras importadas, laboratório etc. A produção era vendida para Belo Horizonte, Rio de Janeiro e outras cidades. Os pecuaristas que não tinham o que fazer com o excesso de produção de leite, agora podiam vendê-lo e melhorar suas condições de vida. Este empreendimento tinha significativo alcance econômico e social para os pecuaristas e trabalhadores da região. Entretanto, o governo do Estado (cujo governador era da cidade) montou uma “Fábrica Escola” de laticínios, que mais tarde, se transformou na Cooperativa de Leite, a Coopará. Diante da concorrência do próprio Estado, o Sr. Tonico teve que mudar de ramo: - partiu para a torrefação de café e depois, para o beneficiamento de algodão, para suprir as indústrias têxteis da região. Neste novo negócio, também foi bem sucedido. Os produtores rurais foram incentivados a plantar algodão, financiados por ele próprio e com garantia de compra da produção pelo preço de cotação da Bolsa de Mercadorias de São Paulo. Tornaram-se parceiros do negócio e ficaram satisfeitos. Outra vez, o governo do Estado montou na cidade, a Usina Inconfidência, com a mesma atividade operacional do negócio do Sr. Tonico. Desta vez, ele desativou suas instalações de beneficiamento do algodão, vendeu as máquinas, mas, continuou no comércio deste produto, tornando-se o principal usuário dos serviços da Usina Inconfidência. Não é a toa que ele não gostava de governo e não queria que seus filhos fossem funcionários públicos. Por ironia do destino, anos mais tarde, um de seus filhos casou-se com uma sobrinha do governador em cuja gestão ocorreu o fechamento de suas precursoras usinas de laticínios e de beneficiamento de algodão.
                                     Na varanda de sua casa, recebia fazendeiros vindo da região de Pompeu, Martinho Campos, Abaeté e Morada Nova, com quem mantinha longas conversas sobre laços de parentescos, onde todo mundo era descendente de dona Joaquina do Pompeu. Enquanto acariciava a cabeça de seu filho caçula, combinava financiar a plantação de algodão e comprar a colheita, pelo valor de cotação da Bolsa de Mercadorias. E convidava o fazendeiro para almoçar em sua casa.
                                    Com o negócio de algodão, criou seus filhos, formou-os advogada, médico e engenheiro, o que não era tão comum na década de 1950 e 1960.  Construiu doze casas na Rua Feliciano de Abreu, perfazendo 25 casas no centro de Pará de Minas. Converteu alguns depósitos de algodão em casas. Gerou muitos empregos diretos não só nos seus empreendimentos industriais, na construção das 25 casas e de dois prédios, mas principalmente, para limpar o algodão, segregando a ganga. Esta última tarefa era feita por dezenas de mulheres que passavam o dia, sentadas e cantando em coro, enquanto faziam seu trabalho. Eram as catadeiras de algodão. Além disso, gerou uma quantidade muito maior de empregos indiretos, na lavoura do algodão e no seu beneficiamento.
                                    Era enérgico e temperamental. Lutava pelos seus direitos. Por pequenas causas, travou grandes embates com a Prefeitura e com a Câmara Municipal, por questões tais como IPTU.
                                   No final da década de 1950, deixou de negociar em algodão. Com o seu capital, construiu os dois prédios em Belo Horizonte. Em 1960, cinco de seus seis filhos moravam nesta cidade. Para acompanhar os filhos, mudou-se também, para a capital. E com o passar do tempo, vendeu seus 25 imóveis em Pará de Minas. Programas de governo inviabilizaram as duas atividades industriais que empreendeu na sua vida. Por isso, não gostava de governo. Não poderia confiar e depender da previdência criada pelo governo. Entendia que ele próprio deveria constituir sua previdência e não depender das políticas públicas para o setor, do humor dos governantes e de que não haveria déficits ou desvios de fundos previdenciários para atender outros anseios dos governantes.
Sua motivação para fazer seu “pé de meia” visava também e principalmente, garantir o futuro de um se seus filhos, portador de necessidades especiais. Não existiam as leis que hoje favorecem estas pessoas, até nos empregos. Privilegiou este filho, doando-lhe um prédio de apartamentos e uma loja, em BH. Assim, determinado a economizar, não se importava de ser taxado de pão duro e construiu patrimônio, que na velhice, propiciou-lhe tranqüilidade, permitindo viver de rendimentos de aluguéis, apoiar seus filhos e assegurar condições de vida satisfatórias para sua esposa. 
                                   Sensível aos problemas dos outros, especialmente dos jovens, aos quais ajudou a arranjar emprego, principalmente como bancários - o que era um bom emprego - ou a encaminhar-se em negócios próprios. Um empresário bem sucedido dizia: - “Ele me ensinou a trabalhar. Foi fundamental ele dizer a mim, que como empresário, teria que lutar sozinho na vida. Que não deveria esperar ajuda de ninguém nos meus negócios”. Por isso, até hoje, mais de cinqüenta anos depois, ainda encontramos pessoas que comentam serem gratas a ele pela oportunidade de trabalho ou por terem sido diretamente ajudadas ou orientadas por ele. Uma pessoa, em um momento festivo de sua vida, encaminhou uma carta comovida, em agradecimento por que teria sido “salva”, na infância, pelo leite recebido do Sr. Tonico.
                                  Ao alugar suas casas para jovens casais que estavam começando a vida, costumava isentar o pagamento do primeiro mês. Para um casal que teve maiores dificuldades financeiras, ele deixou de cobrar aluguel por dois anos e meio e ainda subsidiava as taxas de condomínio.
                                  Lutou pela instalação das agências dos Bancos da Lavoura (hoje, Real), Comércio e Indústria, Nacional e Brasil na cidade. Colaborou economicamente na construção do Colégio São Francisco, Departamento Feminino. Concedeu bolsas de “vocação sacerdotal”, para que Maravilhas pudesse ter um padre.
                                  Viveu a infância em Maravilhas, 46 anos de vida produtiva em Pará de Minas, onde quis ser enterrado, e a terceira idade, viveu em Belo Horizonte, junto à esposa e filhos. Não temia a morte. Encarava-a com naturalidade. Ao sofrer doenças cardio-pulmonares, encarou-as com serenidade e tranqüilidade, sem temor. Recebeu de sua esposa, dona Vera, o apoio necessário para as suas realizações, pela sua abnegação e total dedicação ao lar. Dona Vera ajudava ainda a fazer as longas e intermináveis contas da Fábrica de Manteiga. Ele dizia: “Se viesse 300 vezes ao mundo, 300 vezes se casaria de novo com ela”. Hoje (05/03/2009) estamos rezando uma missa por sua alma, marcando os vinte anos que ele partiu para o andar de cima. E ainda, não retornou para casar, mais uma das trezentas vezes que prometeu, com a dona Vera, que lhe sobrevive. Deve estar no fundo do mar, lutando contra os tubarões, à procura de uma agulha para um dos seus tataranetos.


 DADOS DE ANTÔNIO DE ABREU E SILVA
Nasceu em 15/08/1900. Era filho de Feliciano de Abreu e Silva e de Christina de Castro Abreu e Silva. Acompanhando a família, mudou-se em 19/03/1914 para Pará de Minas e em 19/03/1960, para Belo Horizonte..
Casou-se em 03/10/1929, com Vera de Abreu e Silva, filha do Major Silvino Antônio da Silva e Maria Luiza Leite Praça.
Faleceu em 05/03/1989, tendo sido enterrado em Pará de Minas.

DESCENDENTES:
F1- MARIA ANTONIETA
DE ABREU SIFFERT, bacharel em direito, c.c. Nelson Fontes Siffert, juiz de direito no Rio de Janeiro.
Filhos: 
N1∙Vera Lourdes Abreu Siffert, c.c David Dulcetti (Filhos: Daniele, David, Bruno – Daniele casada com Raul, pais de Pedro Henrique e João)
N2∙José Antônio Abreu Siffert, fiscal do Estado de MG, c.c Rogéria
N3∙Nelson Fontes Siffert Filho, economista do BNDES, c.c Germana Falcone
N4∙Heloisa Abreu Sifffert, designer, c.c Maurício Mesquita Moreira, Economista do BID (Filhos: Diego e Rafael)
N5∙Paulo de Abreu Siffert, advogado c.c Nilza, agrônoma

F2- ANTÔNIO DE ABREU FILHO (17/06/1933-02/07/1979)

F3- SILVIA ABREU DE SÃO PEDRO, mãe de:
N6 ∙Weber Leite de Magalhães Pinto Filho, juiz do trabalho
N7∙Henrique Abreu Magalhães Pinto, engenheiro civil, c.c Vanessa Lamego, dentista (Filhos: Mariana e Izabela)
N8∙Evelyn Abreu Magalhães Pinto, engenheira civil, c.c Renato Rodrigues Almeida, engenheiro  (Filha: Yasmin)
N9∙Ana Paula Abreu Magalhães Pinto.

F4- FELICIANO DE ABREU E SILVA, médico, c.c: Consuelo Bizzotto Soares, psicóloga. Pai de:
N10∙Eliane de Castro Abreu e Silva, bacharel em direito, viúva de Arlindo Borges Silvério
N11∙Sandoval de Castro Abreu e Silva, economista c.c Maria José Botelho Alves, professora (Filhos: Mariana e Henrique)
N12∙Lorena de Castro Abreu e Silva, advogada, c.c Luigi Brunelli  (Filhos: Ferdinando e Bianca)
N13∙Cristina Castro de Abreu, professora c.c Mauro Raymundo, engenheiro (Filhos: Gabriela e André  )
N14∙Liliane de Castro Abreu e Silva c.c Gustavo Mendes.

F5- AMÉLIA, falecida com um ano e meio.

F6- MARIA LUIZA DE ABREU MESSEDER, casada com o engenheiro Ronaldo Antônio Messeder. Filhos:
N15∙Rosângela de Abreu Messeder, administradora
N16∙Ronaldo Antônio Messeder Filho, juiz do trabalho

F7- SILVINO CARLOS DE ABREU, engenheiro químico, casado com a advogada Heloiza Saraiva de Abreu. Filhos:
N17∙Simone Saraiva de Abreu, juíza de direito c.c Rodrigo Cunha Abras, comerciante (Filhos: Carolina e Thiago)
N18∙Vanessa Saraiva de Abreu, advogada c.c Roberto Magno Rosa Pereira, administrador (Filha: Clarice).

IRMÃOS:
Octávio, Juvenal, Francisco, José, Eneas, Álvaro, Silvia, Maria (Lia), Maria José (Zeca), Maria Augusta (Zica), Maria Cândida, Alice e Marta.


*Silvino Abreu é engenheiro químico aposentado e filho de Tonico Abreu.

Companhia Industrial Paraense S.A.*

   Primórdios

 

                 A fabricação de fios e a tecelagem do algodão começaram no Brasil logo após o descobrimento. À medida que as fazendas surgiam, o algodão era plantado e transformado em tecido grosseiro para uso daqueles que cultivavam a terra. As técnicas para fiar, tecer, confeccionar roupas foram ensinadas pelos jesuítas, que também ensinaram a usá-las, combatendo assim o costume da nudez dos índios.

                  No período de 1785 a 1808, nem mesmo o alvará de D. Maria I proibindo no Brasil fábricas e manufaturas para evitar "grave prejuízo da cultura e da lavoura e da exploração das terras minerais", impediu a fiação e tecelagem na Capitania de Minas. Utilizando da exceção contida no alvará para a manufatura de tecidos grossos de algodão para uso dos negros e para fardos das fazendas, os mineiros resistiram camuflando teares para fabricar fios e tecer (MELLO: 54-55 e 58).

Assim, as necessidades familiares e da fazenda foram supridas com a indústria têxtil doméstica.

                  Com o ouro já escasso no território mineiro, as atividades rurais se acentuaram. Quando o cientista mineralogista José Vieira Couto visitou a região Centro-Oeste de Minas, no seu relato de 1801 registrou as plantações de algodão e a tecelagem no arraial do Patafufo, atual Pará de Minas, sem imaginar que tais características determinariam o surgimento da primeira indústria da cidade:

                                      D' aqui com duas legoas nos dirigimos ao arraial de Patafufo,

                                      povoação de uma centena de fogos. Este arraial, algum dia

                                      mineiro, hoje tem achado melhor fortuna nas suas plantações

                                      e teçumes de algodões, por cuja causa ia em augmento, e se

                                      notavam a miudo muitas construções de novas casas. O caminho

                                      continuava a ser plano e coberto a´te pouco antes de chegar à

                                      povoação: então se descortina o terreno; verdejam os campos;

                                      branqueja o arraial ao longe, e em logar de um terra vermelha e

                                      barrenta, esta se muda em arenosa, e cheia de pedregulho.(COUTO:90) 

 

                     A produção têxtil foi legalizada no país com a chegada de D. João VI, tendo o alvará de 1785 sido revogado. Não havia mais a necessidade de camuflar as atividades têxteis. Na nossa região pode ser comprovada pelo pesquisador Mello que cita em seu trabalho uma notável indústria de fiação de algodão que em 1814 era mencionada em Pitangui pelo Capitão-Mor de Sabará, em uma justificação para juiz; e ainda aponta que outro documento cita que seus habitantes trabalhavam na fiação de algodão e teçume de pano grosso que exportavam para o Rio de Janeiro (MELLO:132).

                     Com o declínio da mineração as atividades agrícolas haviam se acentuado e a exportação dos produtos agrícolas aumentou, "especialmente o algodão, aquele excelente algodão das Minas Novas, Abaeté e de outros lugares do sertão [...]; sua exportação, em 1818 e 1819, foi a que deu mais divisas à depauperada Capitania" (MELLO:97).

                     O processo que culminaria na industrialização têxtil iniciou-se na Capitania. Na então Vila do Pará, comprovando a existência das atividades de fiação e tecelagem, o algodão foi mencionado como um dos produtos agrícolas de destaque no município no século XIX, como informou a Câmara de Vereadores ao Governo da Província, em 14 de janeiro de 1862:

                                   O estado da agricultura, em terras pela maior parte boa, mas cansadas,                

                                    produz fumo, algodão, milho, feijão, arroz e cana; estes produtos agrícolas

                                    e industriais são os que mais se desenvolvem neste Município. O primeiro

                                    (fumo) exporta-se para Curvelo, Sabará, Congonhas, Mata e Mato Dentro;        

                                    preço: de oito a doze mil réis a arroba; algodão, para São João del Rei, de     

                                    mil e seiscentos a dois mil réis a arroba, e, reduzido a pano, para o Rio de                                    

                                    Janeiro, onde é vendido de trezentos a quatrocentos réis a vara. O comércio         

                                    recente-se da falta de estradas e vias de comunicações, luta com grande

                                    dificuldade. O fabrico do pano é bom pela maior parte e todos os mais

                                    produtos, são de boa qualidade. (MIRANDA: 38)

 

                      Em 1873, no relatório em que Joaquim Floriano de Godoy passou a administração da Província de Minas Gerais ao segundo vice-presidente, Francisco Leite da Costa Belém, o município do Pará estava entre os dez, com fábricas de tecidos de algodão e lã de carneiro, [grifo nosso] classificadas como pré capitalistas (MELLO:134).

                  No início do século XX, estimulados pelo momento econômico, político e social que o país vivenciava, situação advinda com a Abolição, a Proclamação da República, o surgimento da classe assalariada que incorporava os ex-escravos e os imigrantes, e ainda a crise do café, todo este  conjunto fez com que homens de visão se reunissem para fundar a primeira indústria da Cidade do Pará, até então com sua economia baseada na agricultura e pecuária. Não pode ser esquecido o importante estímulo de Santana do São João Acima, atual Itaúna, então distrito da Cidade do Pará, que desde 1895 já havia conseguido a sua fábrica de tecidos, a Companhia de Tecidos Santanense.

                 Os caminhos precários para a chegada das máquinas na Cidade do Pará, as dificuldades para o futuro escoamento da produção, além da falta de energia elétrica, de meios de comunicação eficientes, lembrando que na época somente possível por meio dos caminheiros e do correio a cavalo, não foram obstáculos para a fundação da indústria têxtil na Cidade do Pará. Incentivando o empreendimento, a Câmara de Vereadores da Cidade do Pará, cujo Presidente e Agente Executivo era Fernando Otávio da Cunha Xavier, em 29 de julho de 1906, autorizou o aproveitamento da Cachoeira do Jatobá para iluminar a cidade a luz elétrica e ministrar força motora à nova indústria e conceder ao C.el Américo Teixeira Guimarães ou companhia por ele organizada, os favores de que necessitar, bem como qualquer outro que se proponha para estabelecer indústrias novas (CÂMARA:1906). A construção da Usina do Jatobá foi iniciada e uma área no Largo da Conceição, atual Praça Melo Viana, foi doada pela municipalidade para a construção da fábrica.

 

 

A Fundação

 

                  Com o apoio das autoridades, os acionistas reuniram-se no Salão do Júri, no Fórum da cidade, às 12 horas do dia 19 de agosto de 1906, sob a presidência do C.el Manoel José Simões, secretariado por Torquato de Almeida e C.el Américo Teixeira Guimarães como 2º secretário, e fundaram a sociedade anônima Companhia Industrial Paraense, com o capital inicial de 350:000$000(trezentos e cinquenta contos de réis), com o objetivo de instalar  uma fábrica de fiação e tecidos finos, como morins e etc. 

                  O estatuto pelo qual ia reger-se a companhia foi aprovado e a diretoria, conselho fiscal, suplentes e gerente foram eleitos de acordo com as normas prescritas, que previa que a administração da companhia têxtil seria composta por três membros da diretoria, com mandato de quatro anos, podendo ser reeleitos. Além dos diretores, foi previsto no estatuto a função de gerente para a administração interna e externa dos negócios da Companhia, ficando a sua administração sujeita à apreciação da mesma diretoria. O gerente seria eleito pela Assembléia Geral de acionistas e por maioria de votos. O artigo16 do estatuto ainda previa que só poderiam fazer parte da diretoria os acionistas que possuíssem pelo menos quarenta ações, que ficariam em penhor ou caução para garantir a responsabilidade de sua gestão. Os artigos 18 e 19 concediam amplos poderes ao gerente, que poderia nomear e demitir todo o pessoal da Companhia, inclusive o guarda livros [contabilista], rubricar livros e talões, velar pela regularidade das transações da empresa, convocar as Assembléias Gerais, ordinárias e extraordinárias, autorizar a compra e venda de objetos necessários às transações da Companhia e fixar os ordenados dos empregados.

 

 

Primeira Diretoria

 

                 A primeira diretoria da Companhia Industrial Paraense eleita por maioria dos votos dos acionistas na reunião de fundação, foi constituída pelo C.el  Manoel José Simões, C.el Manoel Ferreira Guimarães Filho, ambos negociantes e residentes neste município; P.e  José Pereira Coelho, clérigo e capitalista, coadjutor do vigário da Paróquia Nossa Senhora da Piedade do Pará; gerente, C.el Américo Teixeira Guimarães, industrial, residente no município de Sete Lagoas. O Conselho Fiscal foi composto por C.el Bernardino Alves Ferreira de Melo, Júlio José de Melo Sobrinho, ambos fazendeiros e residentes neste município; e Pedro Teixeira de  Menezes, negociante, também residente neste município. Os suplentes foram o C.el José Gonçalves Moreira, João Alves Ferreira da Silva, ambos negociantes, residentes neste município; e  João Ferreira de Oliveira Pena, funcionário da justiça, residente neste município.

                  Prosseguindo a reunião, o C.el Américo agradeceu a eleição e, aceitando o cargo de gerente, fez diversas ponderações sobre os seus muito afazeres e pediu autorização para que lhe fosse dado um auxiliar na gerência, cuja indicação ficaria sob a sua responsabilidade.

                   O acionista Dr. Pedro Nestor de Sales e Silva fez as seguintes propostas, entre outras que foram aprovadas: que o gerente teria o ordenado de seis contos de reis por ano, que cada diretor teria a gratificação anual de quinhentos reis.

                   Pelo Padre José Pereira Coelho foi apresentada e aprovada a Moção de Reconhecimento e Gratidão aos esforços do C.el Américo Teixeira Guimarães: Os abaixo assinados, representando as classes conservadoras do município do Pará, hoje reunidas no Salão do Forum desta cidade para a instalação da Companhia Industrial Paraense, reconhecidos e penhorados pelos esforços ingentes e manifesta boa vontade com que se pôs à disposição da Câmara Municipal e do povo deste município, o sr. C.el Américo Teixeira Guimarães por si e por seu reconhecido prestígio e influência dotar esta cidade de importante melhoramento, vêm por meio desta, significar-lhe a sua imorredoura gratidão e hipotecar-lhe o seu inteiro apoio. Pará, 19 de Agosto de 1906. (Estatuto, 1906:15)

                Torquato Alves de Almeida, 1º secretário e um dos incorporadores, congratulando-se pela constituição da Companhia, lembrando o esforço tenaz dos que cooperaram para a realização de tão importante melhoramento, notadamente o Padre José Pereira Coelho, C.el Américo Teixeira Guimarães, Dr. Antônio Benedito Valadares Ribeiro e Dr. Pedro Nestor de Salles e Silva, querendo que muito em destaque ficasse gravado na ata o amor e dedicação do Sr. Dr. Pedro Nestor [de Salles e Silva] por tudo quanto se refere a esta terra, pelo que é digna a sua pessoa de toda a admiração e carinho do povo paraense, apresentou a seguinte moção, que foi aprovada e vivamente aplaudida: Proponho que seja consignado na ata da sessão de hoje um voto de inteiro reconhecimento dos paraenses ao Ex.mo S.r D.r Pedro Nestor de Salles e Silva, por ser S. Ex.cia um dos que mais se esforçaram pela constituição da Companhia ora instalada e cujo amor e legítimo interesse por esta terra estão evidentemente proclamados já por valiosos benefícios prestados. Pará, 19 de Agosto de 1906. Torquato Alves de Almeida. (Estatuto, 1906:16)

                 Finalizando a reunião, o C.el Américo Teixeira Guimarães expôs as diversas providências tomadas para a compra dos maquinismos.

 

 

Fundadores

 

                 A ata de fundação da Companhia Industrial Paraense foi assinada pelos seguintes acionistas: o presidente Manoel José Simões; 1º Secretário Torquato Alves de Almeida; Manoel Ferreira Guimarães Filho; Silvino Antônio da Silva; Quintiliano Firmino de Oliveira Lima; Júlio José de Melo Sobrinho; Luiz Ribeiro de Oliveira; José Pereira da Costa; Joaquim Luiz Gonzaga; Francisco Alves Ferreira da Silva Melo; José Gonçalves Moreira; José Guilherme da Silva; Bernardino Alves Ferreira de Melo; José Justino de Aguiar; João Alves Ferreira da Silva; Orozimbo da Silva Almeida; Antônio José Coutinho da Fonseca; Augusto Celso Varela por si e como procurador de seu filho Joaquim Peregrino Varela; José Jacinto de Mendonça; Jacinto Francisco de Mendonça; Antônio José Martins; Francisco Melo Guimarães; Feliciano de Abreu e Silva; Augusto César Moreira; Guilherme Ribeiro da Silva; Joaquim Moreira dos Santos; Marciano Gomes de Oliveira; Claudino Francisco Soares; João Batista de Faria; Cornélio Augusto Moreira dos Santos; José Mariano Duarte; José Gregório da Cunha; José Antônio Ferreira Júnior por si e por José Adelino de Oliveira e Silva de quem tem procuração; Fernando Barbosa por si e como procurador de Manoel Inácio de Souza Pereira; Joaquim José de Oliveira; Bento Braga; José Alves Salgado;Pedro Teixeira de Menezes; Cristovam Ferreira Guimarães; João Ferreira de Oliveira Penna, Pedro Nestor de Sales e Silva; Cristiano França Ferreira Guimarães; Marçal de Souza Arruda; P.e José Pereira Coelho; Francisco Torquato de Almeida Júnior; Cezário José Gomes; Manoel Antônio de Paiva; Teófilo Ferreira do Amaral; Pedro Antônio do Amaral; José Antônio Alves Campos Filho; Américo Teixeira Guimarães por si e como procurador de: D.ª Maria Custódia Diniz Moreira, Francisco Alves Diniz, Thomaz Antônio de Andrade, Dr. Antônio Benedito Valadares Ribeiro, Dr. Cândido Coutinho da Fonseca Júnior, P.e Antônio Diniz Costa, João da Matta Teixeira, Antônio Alves Ferreira da Silva, Cyrino Pereira da Rocha, Eloi Ribeiro Bhering, Francisco Ferreira Sobrinho, Antônio Rodrigues Maia, Manoel Francisco Alves Diniz, João Rodrigues Nogueira Penido, Maria de Lourdes França Guimarães, Otávio Xavier, Evaristo José de Oliveira, Padre Silvestre Pereira Coelho.

                     Os subscritores das ações para a fundação da Companhia Industrial Paraense foram os que se seguem. Com 80 ações cada o C.el Manoel José Simões, C.el Manoel Ferreira Guimarães Filho e Pedro Teixeira de Menezes; com 70 ações, o Capm. João da Matta Teixeira; com 60, José Gonçalves Moreira; com 55, o C.el Américo Teixeira Guimarães; com 50 ações, o Dr. Pedro Nestor de Salles e Silva, Vigário Antônio Diniz Costa, Antônio Alves Ferreira da Silva, Júlio José de Melo Sobrinho, José Antônio Alves Campos e Feliciano de Abreu e Silva; com 40 ações, o Padre José Pereira Coelho e João Alves Ferreira da Silva; com 32 , João Ferreira de Oliveira Pena; com 30, José Antônio Alves Campos Filho; com 25, Joaquim Moreira dos Santos, João Rodrigues Nogueira Penido, Cirino Pereira da Rocha, Francisco Alves Ferreira e Melo, C.el Bernardino Alves Ferreira e Melo, Augusto Ferreira do Amaral, João José Pereira Campos, Luiz Ribeiro de Oliveira, José Alves Salgado; com 20 ações, Orozimbo da Silva Almeida; com 15, Francisco Ferreira Sobrinho, Marçal de Souza Arruda, Pedro Duarte da Silva, Eloi Ribeiro Bhering, D. Maria Clara de S. Pedro, D. Maria Virginia Alves, C.el Torquato Alves de Almeida, Claudino Francisco Sioares, Augusto César Moreira; com 13 ações, D. Maria Praxedes de Lourdes, Manoel Pereira Campos e José Pereira Campos; com 10 ações, João José de Oliveira Júnior, Quintiliano F. de Oliveira Lima, Cornélio Augusto Moreira dos Santos, Padre Silvestre Pereira Coelho, Jacinto Francisco de Mendonça, Francisco Torquato de Almeida júnior, José Adelino de Oliveira e Silva, Antônio José Martins, Augusto Celso Varela, José Jacinto de Mendonça, Francisco Alves Diniz, Tomaz Antônio de Andrade, Teófilo Ferreira do Amaral, Guilherme Ribeiro da Silva, José Henriques Campos, Antônio Rodrigues Maia, Jacinto Bahia Duarte, D. Gabriela Lacerda Bahia, Dr. Cândido José Coutinho da Fonseca Júnior e Marciano Gomes de Oliveira; com 8 ações, Joaquim Luiz Gonzaga; com 7 ações, D. Joaquina Orsini; com 6, D. Maria do Rosário Jesus; com 5 ações, Capm. Fernando Barbosa, Francisco Melo Guimarães, Evaristo José de Oliveira, D. Rita Maria de Jesus, Antônio Carlos F. Ribeiro, Augusto Evaristo F. Ribeiro, Francisco José da Silva, Antônio Alves Marzagão, D. Ana Cândida da Piedade, Cezário José Gomes, D. Maria Custódia Diniz Moreira, Manoel Francisco Alves Diniz, Otávio Xavier, Manoel Antônio de Paiva, Antônio Mendes primo, João de Freitas Mourão, Francisco José Gomes, Dr. Cristiano França F. Guimarães, D. Maria de Lourdes F. Guimarães, Cristovam Ferreira Guimarães, Firmino Mariano de Souza, José Guilherme da Silva, Tobias Joaquim da Fonseca, Presciliana Augusta Gomes, Pedro Antônio do Amaral,José Gregório da Cunha, D. Maria Izabel Diniz Melo, Militão Pereira Arruda, Joaquim José de Oliveira, João Batista de Faria, Antônio José Coutinho da Fonseca, Dr. Antônio Benedito Valadares Ribeiro, José Honório dos Santos, Juscelino Cezario da Fonseca, Joaquim A. Moreira da Silva, José Gonçalves dos Reis, Cândido Gonçalves dos Reis, Manoel Inácio de Souza Pereira, Joaquim de Morais Ponte, D. Ana Luiza do Carmo, Silvino Antônio da Silva e José Pereira da Costa; com 4 ações, Inácio José de Faria; com 3, Ernesto Moreira dos Santos, Gordiano Ferreira Guimarães e Inácio Ferreira da Silva; com 2 ações, José Justino de Aguiar, D. Maria C. da Conceição, Max–Naergili, José Mariano Duarte, Bento Braga, Antônio José de M. Sobrinho, Laurindo Braga, Joaquim Peregrino Varela e D. Maria Filomena dos Santos; finalmente, com 1 ação, José Antônio Ferreira Júnior e Joaquim José da Fonseca.

                       Os acionistas acima fizeram entradas correspondentes a 25% do capital, de acordo com o artigo 10 dos estatutos, sendo que alguns efetuaram duas prestações e outros todas, como registraram os diretores na lista nominativa. 

 

 

Repercussão

         

                        A repercussão da iniciativa desenvolvimentista foi intensa. O jornal "Cidade do Pará", de 2 de setembro de 1906, assim relatou o acontecimento: "Era surpreendente a animação que reinava no recinto onde se realizou a importante reunião que ia ser o primeiro passo para uma série de melhoramentos notáveis por que tem de passar esta cidade, dotada de reais elementos que até agora jaziam desaproveitados à espera de espíritos ousados que viessem esmagar o status quo, dando o primeiro grito para se quebrarem errôneos preconceitos e convencendo ao povo desta feliz terra que nós temos um futuro a preparar para nossos filhos e não devíamos quedar quando um sopro benfazejo nos impelia ao progresso. O entusiasmo manifestado então pelas classes diversas ali reunidas denotava bem o patriotismo que caracteriza o nosso povo, especialmente os capitalistas da terra que naquele dia mostraram-se confiantes e crentes no futuro que estava prestes a desvendar-se, concorrendo com a melhor vontade à realização do elevado cometimento."

                            Continuando o relato, o jornal Cidade do Pará, "verdadeiro intérprete dos sentimentos do povo paraense, leva aos dignos propugnadores desta grande obra a gratidão a que fizeram jús: C.el Américo Teixeira Guimarães e Exm.º  Dr. Pedro Nestor de Salles e Silva. Aquele, porque vindo trazer a sua atividade e a sua honorabilidade, já tão reconhecidas, à execução da empresa, trouxe com elas o primeiro elemento de que carecíamos, pondo-se ao inteiro dispor do povo paraense como seu guia na senda do progresso; este, porque dedicado em extremo à terra que se gloria de tê-lo como Juiz, foi o sustentáculo da grandiosa idéia, o batalhador sereno, mas incansável, dedicado aos trabalhos da incorporação da Companhia a ponto de extenuar-se nesse afanoso labor. Ao Revm.º Padre José Pereira Coelho, ao Dr. Antônio Benedito Valadares Ribeiro, ao C.el Fernando Otávio, ao C.el Torquato Alves de Almeida e ao sr. Antônio José de Paiva, como dedicados propagandistas e trabalhadores incansáveis, cabem grande parte das glórias alcançadas nessa pacífica pugna do progresso."

 

 

A Sede. Inauguração

 

 

 

 

                          Fundada a indústria, foram iniciados os procedimentos para a construção de sua sede. Em 6 de Setembro de 1906 o diretor Padre José Pereira Coelho (Padre Zeca) requereu à Câmara de Vereadores a licença para a construção do prédio da Fábrica de Tecidos, na Praça Conde da Conceição, atualmente Praça Melo Viana, com o competente alinhamento. A licença foi concedida pela Câmara Municipal em 7 de dezembro de 1906. O gerente, C.el Américo Teixeira Guimarães, foi fundamental no processo de implantação da fábrica. Era industrial em Cachoeira dos Macacos e possuidor de vasta experiência no ramo têxtil.

                           As obras da sede foram entregues ao construtor italiano Amedeo Celso Grassi, que executou primoroso trabalho. A fachada principal do enorme prédio, edificado numa das melhores praças da cidade, apresenta-se artisticamente cuidada; possui ricas molduras, vistosas, encimada de alta e bem trabalhada platibanda, guarnecida de belos florões em lindo relevo. Ao centro do prédio, e em destaque de valor se vê, levantada com arte, difícil coluna destinada à colocação de bonita estátua, que será o emblema da indústria (ANUÁRIO,1913).

                         Em 04 de julho de 1908, quase dois anos após a fundação, era inaugurado o prédio da fábrica de tecidos, juntamente com a iluminação elétrica da Cidade. O prédio construído na Praça Conde da Conceição foi inaugurado com a benção do Padre José Pereira Coelho, um dos diretores da Companhia e Vigário da Paróquia da cidade.

                         Foram paraninfos da primeira indústria de tecidos de Pará de Minas, D. Onésima Diniz Moreira de Almeida, esposa do acionista Torquato Alves de Almeida; Dr. Pedro Nestor de Sales e Silva, Juiz da Comarca do Pará e também acionista; representantes da esposa e o pai do C.el Américo Teixeira Guimarães, a senhora Laurinda França e o Capitão João da Matta Teixeira. Estiveram presentes, o Padre Francisco de Araújo Lopes Cançado, o Padre Silvestre Pereira Coelho, Dr. Alfredo Alves de Albuquerque, C.el Américo Teixeira Guimarães, gerente da Companhia; os diretores Padre José Pereira Coelho, C.el Manoel José Simões e C.el Manoel Ferreira Guimarães Filho; os membros do Conselho Fiscal, Major Júlio José de Mello Sobrinho, Silvino Antônio da Silva e Torquato Alves de Almeida; o sub gerente Major Bernardino Vaz de Mello; o Presidente da Câmara e Agente Executivo C.el Fernando Otávio da Cunha Xavier; Dr. José Falci, Dr. João Severiano de Souza Matta; Luiz Orsini; C.el Bernardino Alves Ferreira e Mello, entre grande número de populares.

                         Os festejos da inauguração do prédio, abrilhantados pelas valentes bandas musicais que, em ricos coretos levantados na praça, eram dirigidas pelos maestros - S.r Emilio de Mello e S.r Augusto Cezar Moreira, começaram com uma Missa Campal junto à fábrica, na Praça Conde da Conceição, terminando com reunião da assembléia geral, ao ar livre, presidida pelo Padre Silvestre Pereira Coelho e secretariada por Torquato Alves de Almeida, sendo orador oficial o Dr. Alfredo Alves de Albuquerque (CIDADE DO PARÁ:1908).

                         Na década de 1940, a sede foi ampliada e a bonita fachada principal desapareceu.

 

 

 

 

                                              

             Direita p/esq.: residência do gerente e escritório da Cia. Industrial Paraense, na Praça da Indústria.

 

 

Melhorias advindas com a fábrica

 

                         A indústria chegou acompanhada de outros significativos melhoramentos para a cidade. No dia seguinte à inauguração houve a benção da Usina do Jatobá, a 4 Km distante do Pará, na Cachoeira do Jatobá, às16h, pelo Padre Francisco Lopes de Araújo (Padre Neném), sendo paraninfo do ato o farmacêutico Major Antonino Pinto Mascarenhas. Logo após, às 18 horas,   aconteceu a benção da Distribuidora de Energia Elétrica, realizada pelo Padre José Pereira Coelho, e pelo Padre Silvestre Pereira Coelho. Em ato contínuo houve a benção da luz elétrica particular e pública, a qual produziu esplêndido resultado e magnífico efeito, causando a todos admirável impressão. O sr. Domingos Meira, eletricista que trabalhou na instalação da luz elétrica, foi representado pelo Dr. José Falci (JORNAL CIDADE DO PARÁ:1908). O prédio da Distribuidora era localizado na esquina das atuais Ruas Benedito Valadares e Dr. Higino, onde é atualmente a  Farmácia Santa Maria.

                        A Companhia, que já havia trazido mecânicos da Inglaterra para montar as máquinas e realizar as primeiras experiências na fabricação de morins, tecidos finos e linha de coser, encomendou em 1909 na Inglaterra mais três aparelhos filatórios e instalou mais vinte teares, além dos que já possuía, informa o Anuário de Minas Gerais de 1909. Para as primeiras experiências, a Companhia adquiriu perto de 60 mil quilos de algodão e o fez exclusivamente no distrito da cidade, não precisando de nenhuma importação da matéria prima que utilizaria, conta ainda o Anuário. Nele também se encontra a informação de uma linha telefônica, em ligação direta com as importantes fábricas "Cachoeira de Macacos" e "Melancias", no município de Sete Lagoas, o que colocava a Companhia Industrial Paraense em contato permanente com o C.el Américo Teixeira Guimarães, o competente industrial mineiro, que também é o fundador e diretor gerente da Fábrica de Tecidos de Algodão de Cachoeira dos Macacos e da fábrica de Melancias, além da fábrica da Cidade do Pará.

                        O Dr. J. Francisco de Paula, que viajou pelo centro de Minas em 1907 recolhendo dados para a Exposição Nacional, que ocorreria no Rio de Janeiro no ano seguinte, publicou em seu relatório no Jornal do Comércio do Rio de Janeiro, reproduzido no Anuário de Minas de 1913, que A indústria fabril [na Cidade do Pará] inicia-se com a instalação da Fábrica de Morins, que já começou a tecer finos panos alvejados.(...) A fábrica de morins da cidade do Pará é a primeira que se instala em Minas [grifo nosso].

                         No mesmo Anuário, página 589, consta como gerente o sr. Vaz de Mello[Bernardino Vaz de Mello] possuindo a fábrica 100 teares, com uma produção diária de 4.000 metros de morim. A linha é preparada na fábrica. O edifício da alvejação é vasto e nele funcionam maquinismos importantes. O número de empregados (homens, mulheres e crianças) é atualmente 150, devendo-se elevar-se este número, logo que possam funcionar todos os maquinismos.

                         No início a tecelagem era somente de morins, que logo ficaram conhecidos como "morins do Pará" (SANTOS, 1961).

                         A Cachoeira do Jatobá, aproveitada para a iluminação pública da cidade e que movimenta a fábrica de morins, fornece força mais que suficiente para a indústria, havendo sobra de energia a 150 cavalos ou mais, assim relatou Nelson de Senna no Anuário de 1913. A Cachoeira de Jatobá breve teve que receber reforços para atender as necessidades da fábrica e da cidade.

                         Já em 1911 a Cia Industrial Paraense construiu a sua primeira usina hidrelétrica, a Carioca I. Na nova Usina, na Cachoeira do Carioca, no rio São João,[construída] para fornecer energia à fábrica de morins, tem uma grande represa construída a pedra e cimento, um canal feito em rocha viva, dispondo a Usina de força superior a quatrocentos cavalos, o que é, naturalmente, um incentivo para se levantarem ali novas indústrias, pois a fábrica de morim apenas gasta, atualmente, cento e vinte cavalos de força, ficando, portanto, mais de duzentos e oitenta cavalos de sobra, dos quais a Companhia Industrial Paraense pode dispor para outras fábricas  (ANUÁRIO DE MINAS,1913).

                         A chegada da locomotiva, com a inauguração do Ramal do Pará em 8 de maio de 1912, solucionou os problemas de escoamento da produção têxtil, com transporte mais eficiente para outras praças. Anteriormente era efetuado nos lombos de burros e carros de bois.

                       A Companhia Industrial Paraense acelerou o desenvolvimento da Cidade do Pará.  Novos habitantes chegaram atraídos pelo novo ramo econômico. A segunda indústria de tecidos logo surgiu, a Companhia Pará Industrial, conhecida por Fábrica do Meio. Foi instalada em 07 de abril de 1912 e sua primeira diretoria ficou assim constituída: Francisco Torquato de Almeida Júnior, Joaquim Xavier Villaça e João Alves Ferreira da Silva; Conselho Fiscal: José Gonçalves Moreira, Afonso Alves Mendonça e Silvino Antônio da Silva. Suplentes: Jafé Almeida, Jacinto Pereira Coelho e Joaquim Luiz Gonzaga. A Companhia Pará Industrial teve pouca longevidade e em 18 de janeiro de 1920 foi incorporada pela Companhia Industrial Paraense.

                         Os ventos sopravam a favor e, em 06 de junho de1920 surgiu a terceira indústria de tecidos, a Companhia Melhoramentos Pará de Minas, conhecida como Fábrica da Várzea. A primeira diretoria desta fábrica foi constituída por Francisco Torquato de Almeida Júnior; José Gonçalves Moreira e José Gastão Machado. Conselho Fiscal: Cornélio Pereira da Fonseca; T.te Júlio de Melo Franco e João Alves Ferreira da Silva. Suplentes: Bernardino Alves Ferreira de Melo, Manuel José Simões e Joaquim Mendonça. Conselho Consultivo: Torquato Alves de Almeida, Dr. Pedro Nestor de Salles e Silva, Dr. Aristides Milton, Feliciano de Abreu e Silva, Padre José Pereira Coelho, Manuel Ferreira Guimarães Filho e Erotides Mendes. Suplentes: Dr. José Custódio Martins Lage, Júlio José de Melo Sobrinho e Antônio da Rocha Praxedes.  Anos mais tarde a Companhia Industrial Paraense absorveu também esta indústria. Em 24 de fevereiro de 1968 ocorreu a incorporação (MELLO:258).

                        Em 1940 a Companhia Industrial Paraense possuía 353 operários, 210 teares e 6.808 fusos. Era a maior indústria do município. Pará de Minas era um dos 32 municípios mineiros com as 59 indústrias semelhantes existentes no Estado (MELLO:236-237).

                   

                           

 

Política Interna

 

                        A política interna da empresa refletia diretamente nas famílias, pois, generalizando, toda a população da cidade trabalhava nas indústrias têxteis. Sendo assim, pode-se dimensionar os benefícios advindos para todos com os funcionários recebendo assistência, muito antes da existência da previdência social e que se estendia também aos familiares. Aos operários das fábricas e suas famílias eram proporcionados assistência necessária através da Caixa Beneficente Operária, de socorros mútuos e empréstimos aos sócios, fundada em 17 de abril de 1924. Esta entidade visava auxiliar o sócio enfermo com uma importância correspondente a 2/3 de seus vencimentos, quando de alguma moléstia que o impossibilitasse do trabalho na fábrica, de 8 dias a 3 meses. Os sócios também usufruíam de outros tipos de assistência, como o auxílio funeral, o auxílio casamento e empréstimos correspondentes a 2 meses de salário. Outro benefício que os operários das fábricas usufruíam era a gratificação de um mês de salário em março e no Natal.

 

 

Homenagens aos Fundadores

 

                    Em 25 de junho de 1944 foram homenageados, por deliberação da Assembléia Geral realizada em 28 de fevereiro de 1943, os incorporadores e fundadores C.el Américo Teixeira Guimarães, Padre José Pereira Coelho(diretor), Desembargador Pedro Nestor de Sales e Silva, Dr. Antônio Benedito Valadares Ribeiro, Antônio José de Paiva, Torquato Alves de Almeida(diretor). Na mesma data foram também homenageados os diretores Manoel José Simões, Manoel Ferreira Guimarães Filho, Júlio José de Melo Sobrinho, Feliciano de Abreu e Silva, João Alves Ferreira da Silva, Júlio de Melo Franco, Dr. Silvino Moreira dos Santos, e os membros do Conselho Fiscal: Bernardino Alves Ferreira de Melo, Pedro Teixeira de Menezes, José Gonçalves Moreira, Silvino Antônio da Silva, Dr. José Custódio Martins Lage e Dr. Álvaro de Abreu e Silva (Arquivo Muspam, DOC-Eco-28).

 

 

Falecimento do Diretor Gerente

 

                  Com o falecimento em 28 de junho de 1948 do Diretor Gerente, C.el  Torquato de Almeida, assumiu a função dele Dr. Silvino Moreira dos Santos. O novo diretor gerente prosseguiu com o planejamento do diretor que sucedeu e construiu a II Usina Hidrelétrica de Carioca, inaugurada em 07 de fevereiro de 1960. Posteriormente, em 26 de abril de 1969, foi denominada Usina “Dr. Silvino Moreira dos Santos”. Mais possante que a primeira, esta usina colaborou intensamente para o fornecimento de energia elétrica para a cidade, que desde a década de 1940 estava em crise. Em 1950 a Cia Industrial Paraense assumiu a concessão de fornecimento de força e luz à cidade, antes sob a responsabilidade da Prefeitura, que sozinha não poderia solucionar a grave situação de abastecimento de energia elétrica, como se comprova na Mensagem à Câmara Nº 232 e Projeto Lei Nº 230 (MIRANDA:72). O Prefeito na época era o Padre José Viegas da Fonseca e o Diretor-Gerente da Companhia era o Dr. Silvino Moreira dos Santos. A Companhia Industrial Paraense tornou-se concessionária do serviço de eletricidade do Município de Pará de Minas até a chegada da Cemig — Centrais Elétricas de Minas Gerais, em 1966.

                   Em 13 de março de 1949, durante Assembléia Geral Ordinária, foi criado o prêmio "Torquato de Almeida" para ser conferido ao empregado de vinte anos consecutivos de serviços à empresa. A denominação do prêmio era uma homenagem à memória de um dos fundadores da Companhia, que por mais de quarenta anos se dedicou a ela. O prêmio consistia no diploma de honra, importância em dinheiro no valor de Cr$1.000,00 (hum mil cruzeiros) e de tantos dias de férias quantos fossem necessários para, somados às legais, perfazer um período de trinta dias úteis de descanso. A primeira reunião solene para entrega do prêmio foi em 1º de janeiro de 1951, no prédio do escritório da Companhia, na Praça Melo Viana, 941, às 14 horas. O andar superior do escritório da C.ia Industrial Paraense estava repleto de operários, autoridades locais e convidados para a significativa solenidade, que foi abrilhantada pela banda de música do Instituto C.el Benjamim Ferreira Guimarães. O Diretor Presidente das fábricas locais, Dr. Theophilo Almeida, abriu a sessão, convidou o Vigário Padre José de Souza Nobre para dirigir os trabalhos. Tomaram parte à mesa os diretores e membros do Conselho Fiscal de ambas as empresas, o Dr. Waldo Leite de Magalhães Pinto (Juiz de Direito), o sr. José Ildefonso Pena (Presidente do Sindicato dos Empregados em Fiação e Tecelagem de Pará de Minas), o Dr. Wilson de Melo Guimarães (Advogado do Sindicato), o sr. Levindo de Oliveira Machado (Presidente da Caixa  Beneficente Operária), o sr. Joaquim Pereira Duarte (Diretor Comercial da C.ia Fiação e Tecidos São Gonçalo), Francisco Torquato de Almeida Filho (Superintendente da C.ia Industrial Paraense), e Rossini de Almeida Guimarães, que foi convidado para secretariar a reunião. O Diretor Gerente  Dr. Silvino Moreira dos Santos fez a chamada dos empregados da  C.ia Industrial Paraense.

 

        

Década de 1950

 

                     Os cinquenta anos de fundação da empresa foram comemorados com uma Missa  celebrada pelo Vigário Padre Gabriel Hugo da Costa Bittencourt, às 17 horas do dia 30 de dezembro de 1956, no prédio da primeira fábrica em ação de graças a Deus pelo importante acontecimento que lembra a ação patriótica de vários paraenses e outros mineiros ilustres em prol do progresso de Pará de Minas.

                         Em 1959, ano das comemorações do centenário de emancipação político-administrativa de Pará de Minas, a diretoria da Companhia Industrial Paraense era assim constituída: Presidente: Dr. Theophilo de Almeida; Secretário: T.te Júlio de Melo Franco; Gerente: Dr. Silvino Moreira dos Santos; Superintendente: Francisco Torquato de Almeida Filho (Pio); Conselho Fiscal: Dr. Mauro Xavier, Dr. Álvaro de Abreu e Silva e Mário Luiz Silva.

                          Nessa década de 1950, houve a inauguração do poço de abastecimento de água da Companhia, localizado no atual bairro Patafufo. A benção das instalações foi oficiada pelo Vigário Padre Geraldo Maria de Morais Penido, como informou Júlio Maria Guimarães Ferreira em junho de 2008 à Suzana Franco dos Santos, diretora do Museu Municipal.

 

 

Décadas de 1960 e 1970

 

                           Na administração de José Alves Ferreira de Oliveira, de 1963 a 1972, a C.ia Industrial Paraense incorporou a Companhia Melhoramentos Pará de Minas, em 24 de fevereiro de 1968. A incorporação promoveu o aumento do patrimônio da empresa e ainda a renovação do maquinário de fiação com a importação de modernas máquinas da Inglaterra. Em 1971 as novas máquinas foram adquiridas e o antigo foi sucateado.

                         Quando completou 70 anos, em julho de 1976, a Companhia Industrial Paraense estava com as instalações, maquinismos e equipamentos totalmente modernizados e ampliados, além da produção aumentada. O capital era de Cr$15.000.000,00 (quinze milhões de cruzeiros) e Cr$10.397.304,60 (dez milhões, trezentos e noventa e sete mil, trezentos e quatro cruzeiros e sessenta centavos) o faturamento (SILVA, 1976).

                          Com o falecimento em 24 de abril de 1972 do Diretor-Gerente Zé Ferreira, como era mais conhecido José Alves Ferreira de Oliveira, os filhos dele, Dr. José Maria Guimarães Ferreira e Dr. Júlio Maria Guimarães Ferreira, conduziram a empresa. Posteriormente Dr. José Maria afastou-se. Ao filho que ficou administrando caberia o ônus pela extinção do parque têxtil.

                           Em abril de 1980 a diretoria decidiu vender as instalações industriais, prédios, máquinas e equipamentos, para a Companhia de Tecidos Santanense, da vizinha cidade de Itaúna, empresa que absorveu a maioria dos empregados (LAGE, 2008: 22-23).  

                            O pesquisador Mário Luiz Silva em trabalho sobre a Industrial Paraense destacou  os diretores que trabalharam para a superação das crises que assolaram o setor têxtil durante a trajetória dela, além dos eficientes funcionários da empresa. "Duas simpáticas figuras ficaram ligadas à história da Companhia como chefes do Escritório: Francisco de Melo Guimarães, o saudoso Chico Melo, e seu filho e sucessor, Rossini de Almeida Guimarães. Ambos competentes, dedicados e de uma honradez jamais excedida. Destacamos os valorosos obreiros da grandeza desta indústria pioneira: os seus operários (SILVA, 1976). 

                            Planejada para produzir tecidos de vários tipos, impôs-se a Paraense [Companhia Industrial Paraense] como uma das mais importantes fornecedoras dos principais mercados brasileiros, com destaque para São Paulo, Rio, Norte e Nordeste. Durante várias décadas foi um dos mais importantes suportes da economia paraense. No apogeu das suas atividades comerciais e industriais, chegava a quase mil o número de seus operários e funcionários. Estimando-se que a cada um destes correspondiam em média três dependentes, tinha-se então que a empresa amparava em seu quadro de trabalhadores, direta e indiretamente, aproximadamente quatro mil almas. Vê-se que era muito importante sua contribuição ao desenvolvimento de Pará de Minas (LAGE,2008:22-23).

                          A cidade ainda lamenta a perda da Companhia Industrial Paraense não somente por sua economia ter girado em torno dela por muitos anos, mas também pelos conterrâneos que participaram diretamente do desenvolvimento da fábrica e pesarosamente assistiram a extinção dela.  Gerações que ajudaram a construí-la, criando fortes laços afetivos com a primeira indústria de Pará de Minas, aquela que contribuiu significativamente para o progresso do Município, tornando-se um marco de glória do setor industrial por várias décadas. A fábrica de morins da cidade do Pará, a primeira que se instalou em Minas, teve o prazo de duração maior que os 40 anos previstos no artigo 4º do estatuto de fundação.

 

 

Fontes:

-MELLO, José Waldemar Teixeira de. Santanense: revolução filosófica e industrial em Sanct'Anna do São João Acima; Belo Horizonte; Rumos Editorial; 1991.

- MIRANDA, José Augusto Corrêa de. De Patafufo a Pará de Minas- Contribuição Histórica 1859-  

1959; Imprensa Oficial; Belo Horizonte; 1961.

- SANTOS, R. Sousa. A indústria têxtil no Pará em 1917. In: Jornal Paraense, Nº 25, pág. 3, 12.08.1961.

- COUTO, José Vieira. Memoria sobre as Minas da Capitania de Minas Geraes,1801. In: Revista do Arquivo Público Mineiro, volume 10. Imprensa Oficial de Minas Gerais, 1905.

- SILVA, Mário Luiz. Industrial Paraense, 70 anos de progresso. In: Jornal Paraense, Nº 85, pág. 11; 18.09.1976.

- LAGE, Salvador Geraldo. Fragmentos de uma vida, Gráfica Ideal, Pará de Minas (MG), 2008.

- Annuario de Minas, 1913, págs. 580-590.

- Figuras Notáveis de Minas Gerais. Editora MAI, Belo Horizonte, 1973-1974, págs 292-293

- Ata de Instalação da Companhia Industrial Paraense; In: Cidade do Pará, 02.09.1906, pág. 5.

- Ata da Reunião Extraordinária da Assembléia Geral para a inauguração da fábrica de morim. 04.07.1908.

- Ata da Sessão Solene de Entrega do Prêmio "Torquato de Almeida", 01.01.1951.

- Estatutos da Companhia Industrial Paraense; In: Cidade do Pará, 02.09.1906.

- Estatutos da Companhia Industrial Paraense, Typ. da "Cidade", Cidade do Pará, 1906.

- Estatutos da Caixa Beneficente Operária dos Empregados das Companhias Industrial Paraense e

  Melhoramentos Pará de Minas. Papelaria Globo, Pará de Minas, 1937

- Convite para as comemorações do 50.º Aniversário da Fundação da C.ia Industrial Paraense, 20.12.1956.

- Diploma do Prêmio Torquato de Almeida, 1950.

- Jornal "Diário do Oeste". Setembro, 1959.

- Jornal "Cidade do Pará". 02.09.1906

- Jornal "Cidade do Pará".12.07.1908.

- Requerimento à Câmara Municipal, 06.09.1906.

- Panfleto: Homenageados por deliberação da Assembléia Geral da Companhia Industrial Paraense  

   realizada em 28 de fevereiro de 1943. Doc.Eco-28, junho de 1944.

- Informação de Suzana Franco dos Santos a Ana Maria Campos, em 21.06.2008.

 

 

                                                                                                                                            Pará de Minas, 21 de junho de 2008.

 

 

* Informações compiladas por Ana Maria de Oliveira Campos, pesquisadora da história de Pará de Minas, diretora do Museu Histórico Municipal, editora do livro Pará de Minas, Meu Amor. 150 anos de História e Estórias (2009).

 

 

 Foto de alguns fundadores da Cia. Industrial Paraense, em 1912.

 Esq/dir: Torquato Alves de Almeida, Cornélio Augusto Moreira dos Santos, João Milton Ferreira de Mello, Lamartine Firmino  Mello,  Dr. Aristides Milton, Dr. Pedro Nestor de Salles e Silva, Padre José Pereira Coelho, Américo Teixeira Guimarães, Waldemiro Agrícola de  Paiva (na porta encostado), João da Matta Teixeira, Bernadino Vaz de Melo, Fernando Otávio da Cunha Xavier, Dr. Honório da  Cunha e Souza, Dr. Elias Reis, Antônio José de Paiva, Silvino Antônio da Silva. 1912
.

 

 

 

 

Companhia Pará Industrial, 2ª indústria têxtil de Pará de Minas, e ao fundo a primeira, Companhia Industrial Paraense,

vistas da Rua Oito de Maio. 1924. 

 

 

 

Ação Educativa 2011: Oficina para as especialistas da rede escolar do Município

             Aconteceu na manhã da sexta-feira, 10 de junho, no Salão Nobre do Sindicato Rural, o primeiro momento da ação educativa e cultural do Muspam para este ano de 2011. Direcionada às especialistas da rede escolar do Município, a oficina do projeto “Encantando-se com o Moleque Beijo – Benjamim de Oliveira, Patrimônio de Pará de Minas”, foi aplicada por Lóren Graziela Carneiro Lima, responsável pelo setor educativo do Muspam. 
             Esta ação educativa e cultural, que possui o apoio imprescindível da Superintendência Regional de Ensino, da Secretaria Municipal de Educação, e da Secretaria Municipal da Cultura, envolverá a educação infantil e as séries iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano) das escolas estaduais, municipais e particulares do Município.  
             As educadoras especialistas foram instrumentalizadas a trabalhar com o tema do projeto e tiveram a oportunidade de conhecer mais o ilustre conterrâneo.  Benjamim de Oliveira faz parte da história de Pará de Minas e por algum motivo a história dele ficou oculta da população da cidade durante muito tempo. Diante da realidade difícil em tempos de escravidão, o menino negro Benjamim conseguiu construir um destino diferente de muitos que, pelo simples fato de serem negros estariam fadados ao fracasso por uma sociedade escravista. 
              A história de Benjamim pode ser (re)contada como forma de resistência e luta a um sistema  opressor. O conhecimento e a divulgação da trajetória dele contribuem para a construção de uma identidade negra positiva no ambiente escolar. 
              O projeto proposto pelo Muspam, além de resgatar a história de Benjamim de Oliveira, servirá também como uma ferramenta de trabalho para que as professoras possam aplicar a Lei Federal Nº 10.639/2003 e ainda contribuirá para a abordagem da história do circo em sala de aula, e da diversidade cultural nele presente. O circo traz consigo valores que são importantes para uma vida em sociedade como: respeito às diferenças, disciplina, solidariedade, confiança, destreza, sensibilidade, enfim, valores que podem ser enfocados, resgatados e trabalhados em sala de aula, espaço fundamental na construção da cidadania. 
              O Museu Histórico de Pará de Minas com suas ações educativas objetiva também trabalhar em prol de uma verdadeira cidadania, que é construída embasada na valorização e respeito à diversidade dos indivíduos e suas histórias.
              O material didático preparado pelo Muspam para ser utilizado pelas escolas foi apresentado às especialistas e entregues pelo Vice-Prefeito Eugênio Mansur e Secretária de Cultura Maiza Lage às primeiras escolas que trabalharão com ele. Vários cds com o livro digital de Ermínia Silva, "Circo-Teatro. Benjamim de Oliveira e a teatralidade circense no Brasil" foram sorteados entre as especialistas. 

              Apoio cultural: Horizonte Têxtil, MM Comunicação, Embapel Papelaria

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Museu recebeu importante doação

O acervo do Museu Histórico de Pará de Minas foi enriquecido com duas telas de autoria do pintor russo Dimitri Ismailovitch, retratando o ilustre conterrâneo Benedito Valadares e esposa Odete Valadares. Datadas de 1942, quando Benedito era governador de MG, as telas emolduradas foram doadas em 16 de maio último (2011) por Lúcia Valadares Pádua, filha de Benedito Valadares e D. Odete. A diretora do Museu, Ana Maria Campos, buscou as obras no Rio de Janeiro, residência de Lúcia Valadares. Levou uma carta do Prefeito Zezé Porfírio, Vice Eugênio Mansur e da Secretária de Cultura Maiza Lage, cumprimentando a conterrânea doadora, e ainda vários produtos da Coopará para presenteá-la. Lóren Carneiro Lima, funcionária que acompanhou a diretora, fez a entrega do presente da Secretaria Municipal de Cultura, confeccionado por alunos da Escola Municipal de Artes.
Agradecemos a Alcides Nilton Almeida pelos produtos da Coopará que foram ofertados. 
Na reabertura do Museu, após a conclusão das obras de reforma no telhado, os quadros serão expostos à visitação pública.

O autor das telas, Dimitri Ismailovitch, nasceu em Kiev (Rússia), em 1892. Fez seus primeiros estudos de pintura com Zinoviev, Seleznev, Dimitriev e Kantaski, na primeira década do século XX na Escola de Belas Artes da Ucrânia. Completou seus estudos em Istambul, onde viveu por sete anos, dedicando-se às artes bizantina e persa. Permaneceu seis meses nos Estados Unidos depois de ter passado por Londres e Atenas, onde a convite do governo executou vários trabalhos e realizou algumas exposições. Em 1927 chegou ao Brasil onde fixou residência. Notabilizou-se como retratista. Faleceu no Rio de Janeiro em 1976.

(Fontes: http://www6.ufrgs.br/acervoartes/modules/wiwimod/index.php?page=ISMAILOVITCH,+Dimitri; http://www.itaucultural.org.br)

                 

   

  

 

 Postado em 11.06.2011

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