Museu Histórico de Pará de Minas

Ações Culturais

 - Monitoria de turmas: Grupos agendados são guiados pelas dependências do Muspam. As informações sobre a exposição em cartaz, peças do acervo, história institucional, são repassadas para os grupos. Requer agendamento prévio.
 


- Monitoria especial/Memorial Benedito Valadares: Grupos agendados são guiados recebendo informações sobre a vida e obra de Valadares, ícone da política de Pará de Minas, tendo se destacado em Minas Gerais e no Brasil. Requer agendamento prévio.


- Recordação da visita ao Muspam: Registro fotográfico dos grupos visitantes, seja ele escolar ou não, visando maior aproximação do Museu com o público das turmas agendadas. As fotos são disponibilizadas na Galeria de Imagens.

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- Conheça o Muspam: Grupo de professores são guiados pelas dependências do Museu conhecendo o acervo institucional e descobrindo a potencialidade educacional/cultural da entidade, que poderá ser explorado em aula/pesquisa/visita/atividades. Parceria com a Superintendência Regional de Ensino e Secretaria Municipal de Educação.


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- Ações Educativas: Projetos Educativos desenvolvidos em parceria com a Secretaria Municipal de Educação e Superintendência Regional de Ensino envolvendo todas as escolas do Município.       

                                           AÇÃO EDUCATIVA 2013 

 O Muspam nas Escolas do Campo de Pará de Minas: a abertura da ação educativa ocorreu na manhã da quarta-feira, 17 de abril, com cerimônia especial realizada na Casa da Cultura, devido as obras de reforma do prédio do Museu ainda não estarem concluídas. O Projeto foi apresentado às autoridades, educadoras, alunos e imprensa que prestigiaram o evento. A ação abrangerá os alunos do Ensino Fundamental do 4º ao 9º ano e alunos do Ensino Médio, levando o aluno do campo a reconhecer-se como sujeito histórico construtor da história do nosso Município, Estado, País, em sua grandiosidade econômica e cultural. Suas tradições e o trabalho nas lavouras desde os tempos da colônia são parte integrante desta história. Suas raízes culturais enfocadas e valorizadas, despertarão nele o orgulho de ser cidadão campesino.
O Projeto "O Muspam nas Escolas do Campo de Pará de Minas", objetiva:
 - Fortalecer a relação do Museu com as escolas do Município;
 - Contribuir para a valorização e o reconhecimento da identidade histórica do cidadão do campo de Pará de Minas.
 - Valorizar a formação histórica da comunidade e promover a inclusão do cidadão do campo na construção da história de Pará de Minas, despertando nele o sentimento de
pertencimento a esta história, fortalecendo a identidade do grupo.
 -Valorizar o território rural e suas tradições, levando o cidadão do campo a compreender e a expressar as peculiaridades e o valor das tradições da vida no campo.
Com este Projeto o Museu chega à zona rural de Pará de Minas e cumpre seu objetivo de promover a  valorização e  a preservação da memória histórica do Município.
              Esta Ação Educativa possui o apoio da Secretaria Municipal de Educação, Superintendência Regional de Ensino, Secretaria Municipal da Cultura, e conta ainda com o apoio da empresa MM Comunicação, que gentilmente criou a logomarca do projeto e o banner.

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                                    AÇÕES EDUCATIVAS 2012


O Museu visita a sua Escola: o projeto desenvolvido no ano anterior foi ampliado para os alunos dos cursos noturnos das escolas da zona rural do município de Pará de Minas. Com o projeto, o Muspam pretende levar aos alunos das comunidades rurais de Pará de Minas os conhecimentos sobre suas raízes identitárias, história da localidade, despertando a valorização do patrimônio comunitário a ser preservado. Assim, a Educação Patrimonial nas escolas públicas de ensino noturno da zona rural de Pará de Minas será trabalhada; a parceria entre Educação e Cultura na formação de  cidadãos guardiões do patrimônio histórico cultural será fortalecida; a cultura e o conhecimento dos alunos das escolas rurais serão ampliados; a universalização e democratização da cultura será acessível; a importância da preservação e valorização do patrimônio comunitário serão destacados. O projeto estendeu-se também para os alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental da rede escolar do município de Pará de Minas.
          A primeira escola a ser visitada foi a Escola Estadual Joaquim Luiz Gonzaga, distrito de Ascensão, turma do 1º ano do Ensino Médio, na noite de 14 de março.

 

 Coleções e Memória. O primeiro momento dessa ação educativa foi uma oficina com as especialistas das escolas do município. A Oficina para Educadores aconteceu em 10 de agosto e objetivou capacitar os professores para a Ação Educativa Coleções e Memória, destinada à Educação Infantil e às séries iniciais do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano), da rede escolar estadual, municipal e particular do município de Pará de Minas. A oficina foi ministrada por Lóren Graziele Carneiro Lima, coordenadora do setor educativo do Muspam. Esta ação educativa possue a imprescindível parceria da Superintendência Regional de Ensino, Secretaria Municipal de Educação, Secretaria Municipal de Cultura e escolas particulares. O Muspam utiliza as ações educativas como uma das formas de alcançar seus objetivos de promover a valorização e preservação do patrimônio cultural e da memória histórica de Pará de Minas; promover a educação, acesso à cultura, socialização, prática de cidadania. O Projeto Coleções e Memória trabalhará a memória histórica por meio do idoso, cidadão guardião da história em última instância. A ação proposta proporcionará reflexões que poderão ser realizadas a partir de documentos, fotografias, réplicas de objetos que pertenceram a um “vovô” de Pará de Minas. Um vovô que guardou coisas para ele preciosas e significantes em sua história. Recorrendo à história deste “vovô”, a criança poderá reconstruir parte da história de Pará de Minas.
        Com esta ação educativa, o Muspam, trilhando caminhos para a construção da cidadania, enfatiza o idoso como cidadão com muitas experiências para compartilhar, merecedor de respeito e admiração, portador de importantes informações que contribuem para a preservação da memória histórica de Pará de Minas. Ao final da Oficina para Educadores, um "baú do vovô", material pedagógico preparado pelo Muspam, foi entregue às escolas.

                                      AÇÕES EDUCATIVAS 2011                                                                                  

O Museu Convida A Sua Escola. Trabalhar junto à comunidade escolar noturna a valorização do patrimônio de Pará de Minas e a herança cultural legada pelos antepassados levou a equipe do Museu Histórico a desenvolver o Projeto O Museu Convida A Sua Escola. Os alunos do ensino noturno das escolas públicas de Pará de Minas terão a oportunidade de acesso ao Museu em horários alternados à jornada de trabalho. Semanalmente, sempre às quartas-feiras, uma escola é convidada a levar seus alunos dos cursos noturnos à uma visita especial ao Museu. Assim, os alunos do Ensino Regular, Projovem, Alfabetização de Jovens e Adultos, Telecurso, Proeja e Eja têm oportunidades iguais. Nesta Ação Educativa, o Museu Histórico de Pará de Minas promove a cultura, lazer, conhecimento e valorização do patrimônio cultural entre os alunos que, muitas vezes são impossibilitados de o visitarem em decorrência do horário de trabalho e das obrigações escolares e familiares. Finalizando a visita ao Museu, os alunos têm a oportunidade de assistir a um documentário com tema pertinente à educação, podendo realizar debate alusivo ao conteúdo colocado em pauta.
               Com o Projeto O Museu Convida A Sua Escola, o Muspam promove a oportunidade para que os alunos das escolas noturnas do Município conheçam a casa da memória histórica da cidade,  proporcionando cultura, lazer e conhecimento; estreita as relações com a comunidade escolar; contribui com a universalização da cultura. A primeira escola convidada foi a E.E. Angela Maria de Oliveira, cuja visita dos alunos do 3º ano do Ensino Médio inaugurou o projeto, em 23 de março de 2011.

Com as obras de reformas no telhado do prédio do Museu iniciadas em 02 de maio de 2011, as exposições foram desmontadas ficando adiadas todas as visitas ao prédio. Para não ser interrompido o trabalho com as escolas noturnas, a ação educativa  foi adaptada transformando-se no Projeto O Museu Visita A Sua Escola. Agora, são funcionárias do Museu que visitam as escolas agendadas, divulgando a importância da preservação da memória histórica. Levam uma parte do acervo do Museu que será enfocado durante a visita. A primeira escola visitada foi a Casa da Esperança, no Bairro Grão Pará, turma de alfabetização de adultos, na noite de 25 de maio.

 Encantando-se com o Moleque Beijo - Benjamim de Oliveira, Patrimônio de Pará de Minas é outra ação educativa e cultural de 2011, cujo primeiro momento aconteceu em 10 de junho com uma oficina para as especialistas das escolas estaduais, municipais e particulares do Município. A oficina do projeto “Encantando-se com o Moleque Beijo – Benjamim de Oliveira, Patrimônio de Pará de Minas”, foi aplicada por Lóren Graziela Carneiro Lima, responsável pelo setor educativo do Muspam. 
             Esta ação educativa e cultural, que possui o apoio imprescindível da Superintendência Regional de Ensino, da Secretaria Municipal de Educação, e da Secretaria Municipal da Cultura, envolverá a educação infantil e as séries iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano) das escolas estaduais, municipais e particulares do Município.  
             As educadoras especialistas foram instrumentalizadas a trabalhar com o tema do projeto e tiveram a oportunidade de conhecer mais o ilustre conterrâneo.  Benjamim de Oliveira faz parte da história de Pará de Minas e por algum motivo a história dele ficou oculta da população da cidade durante muito tempo. Diante da realidade difícil em tempos de escravidão, o menino negro Benjamim conseguiu construir um destino diferente de muitos que, pelo simples fato de serem negros estariam fadados ao fracasso por uma sociedade escravista. A história de Benjamim pode ser (re)contada como forma de resistência e luta a um sistema  opressor. O conhecimento e a divulgação da trajetória dele contribui para a construção de uma identidade negra positiva no ambiente escolar. 
              O projeto proposto pelo Muspam, além de resgatar a história de Benjamim de Oliveira, servirá também como uma ferramenta de trabalho para que as professoras possam aplicar a Lei Federal Nº 10.639/2003 e ainda contribuirá para a abordagem da história do circo em sala de aula, e da diversidade cultural nele presente. O circo traz consigo valores que são importantes para uma vida em sociedade como: respeito às diferenças, disciplina, solidariedade, confiança, destreza, sensibilidade, enfim, valores que podem ser enfocados, resgatados e trabalhados em sala de aula, espaço fundamental na construção da cidadania. 
              O Museu Histórico de Pará de Minas com suas ações educativas objetiva também trabalhar em prol de uma verdadeira cidadania, que é construída embasada na valorização e respeito à diversidade dos indivíduos e suas histórias.
              O material didático preparado pelo Muspam para ser utilizado pelas escolas foi apresentado às especialistas e entregues pelo Vice-Prefeito Eugênio Mansur e Secretária de Cultura Maiza Lage às primeiras escolas que trabalharão com ele. Vários cds com o livro digital de Ermínia Silva, "Circo-Teatro. Benjamim de Oliveira e a teatralidade circense no Brasil" foram sorteados entre as especialistas ao final da oficina. Apoio cultural: Horizonte Têxtil, MM Comunicação, Embapel Papelaria 

                                                                                          
 
 

                                       AÇÃO EDUCATIVA 2010

 Aqui Mora A Minha História.  A história de Pará de Minas está presente de diversas formas no cotidiano da comunidade através de construções, histórias orais, registros escritos, manifestações religiosas e culturais. Vestígios preciosos dessa história estão guardados no Museu e, de acordo com o ICOM (Conselho Internacional de Museus), o Museu está a serviço da sociedade e de seu desenvolvimento. É uma instituição aberta ao público, que adquire, conserva, pesquisa, divulga e expõe, para fins de estudo, educação e lazer, testemunhos materiais e imateriais dos povos e de seu ambiente. Dentro desse conceito, o Museu Histórico de Pará de Minas através de ações educativas busca trabalhar com a comunidade escolar. 
        Este ano a ação educativa será diferenciada, sendo trabalhada na sala de aula no primeiro instante. Abrangerá os alunos do 1º ao 5º ano das redes estadual, municipal e particular. A Ação Educativa Aqui Mora A Minha História será iniciada com um Encontro de Educadores no Museu no dia 12 de março de 2010.
        Com o apoio da Superintendência Regional de Ensino, Secretaria Municipal de Educação, Secretaria Municipal de Cultura, diretores e especialistas das escolas de Pará de Minas serão instrumentalizadas para desenvolverem o projeto em suas escolas. Ao final do encontro, o material pedagógico especialmente preparado para esta ação educativa será entregue a cada escola.
        A Embapel Papelaria também é parceira desse Encontro de Educadores no Museu, 1º momento da Ação Educativa Muspam 2010.

                                      

                               

 

Parabéns, Pará de Minas! 150 anos!

                                                                    Por Ana Maria Campos*


          1859 – 2009, cento e cinquenta anos se passaram desde aquele 20 de setembro festivo, quando a pequena população do Patafufo assistiu em júbilo a instalação da Câmara de Vereadores e, logo a seguir, a posse de seus primeiros representantes, sendo o Alferes Francisco de Assis dos Santos Reo  o Presidente da Câmara e Agente Executivo, a autoridade escolhida para comandar as primeiras ações para a nova vila que surgia nas Minas Gerais. Esses fatos políticos marcantes, instalação da Câmara e posse dos primeiros vereadores, significaram a elevação de status, de arraial à Vila, ou seja, a independência do Patafufo, cuja área até então era vinculada a Pitangui. 
         Vila do Pará foi o nome escolhido para o novo território autônomo criado, uma homenagem ao rio caudaloso, o Pará, maior rio que banhava suas extensas terras. Daí pra cá muita coisa aconteceu, a começar pelo nome. De Vila do Pará, passou à Cidade do Pará e, já no século XX, o nome do Estado ao qual pertence lhe foi acrescentado: Pará de Minas é a denominação desde 1921.
         A trajetória do desenvolvimento de nossa terra é repleta de significativos melhoramentos que mudaram a paisagem, que a transformaram, juntamente com seu clima, relevo e posição geográfica, no local aprazível que gostamos tanto de viver e trabalhar. Tais melhorias ao serem contextualizadas impedem-nos de apontar qual administrador realizou mais. O Senador Benedito Valadares assim expressou-se sobre o tema, na palestra que proferiu durante as comemorações do Centenário de Pará de Minas: “Não fica bem dizer quem realizou mais; temos de levar em conta a época da execução de qualquer iniciativa. O serviço de água, com conduto de madeira, do qual se tirava um anel para a bica de cada proprietário, tinha o mesmo valor para os de então, que a atual canalização de água potável. (...) Os lampiões de esquina, que clareavam a cidade, produziam o mesmo efeito, no espírito do povo, da luz elétrica que a ilumina agora.” 
         Certo é que Pará de Minas sempre possuiu uma população participativa e atuante; políticos, prefeitos, vereadores, juízes, promotores, empresários e comerciantes notáveis, dignos daqueles que a construíram, e os atuais preparam-na para um futuro promissor.
         Neste ano do Sesquicentenário de Pará de Minas, frequentemente vem à memória a frase do Dr. Pedro Nestor de Salles e Silva, exemplar Juiz de Direito da nossa terra por 36 anos, na inauguração do prédio do Fórum. Adaptando-a, é com ela que desejo e peço ao Criador, que "ampare e guie a população e os gestores de Pará de Minas, e vai nesse pedido todo o nosso amor abrasado por esta terra, boa, tranquila e feliz, que é Pará de Minas, em marcha firme e segura para novos e altos destinos."
        Parabéns, Pará de Minas! Vida longa e feliz!


* Ana Maria de Oliveira Campos é pesquisadora, diretora do Museu Histórico de Pará de Minas. Texto veiculado no jornal “Para Todos”, informativo da Prefeitura de Pará de Minas, em setembro de 2009.


O nome Pará de Minas

                                                             Por Ana Maria Campos*

             Substituindo Patafufio e Patafufo nossa terra foi batizada com a denominação Pará, inicialmente como Vila, que depois de promovida virou Cidade do Pará no século XIX.
             Mas, Pará por quê? Etimologicamente, o vocábulo tem a sua origem na língua tupi, significando o rio caudaloso, colecionador de águas, designativo para o Rio Pará, que nos primórdios do povoamento era tão grande quanto o mar, atravessando com suas águas abundantes o imenso território em que se constituia o Patafufo. Argumentação semelhante é encontrada em publicação de 1916, sobre o Município do Pará: “(...) Pará, que em tupy vale o mesmo que mará e significa o mar; corrompeu-se em y-pará ― águas todas colhe ― isto é, o ‘colleccionador das aguas’ segundo o douto indianologo dr. Baptista Caetano de Almeida interpretou. Theodoro Sampaio accrescenta que o vocábulo pará, é o ‘rio volumoso ou caudaloso’. Pará, seria então, o rio collector do centro-oeste do Estado” (CAPRI, Roberto. Minas Gerais e seus Municípios, São Paulo: Pocai Weiss & Comp, 1916).
             No primeiro quartel do século XX, a simples denominação Pará acabou por se constituir um problema, pois sem outro termo complementando-o, ao menos para indicar a região a que pertencia, frequentemente confundia o precário correio, que desconhecia que cá nas Minas também havia um Pará. Mercadorias e correspondências inúmeras vezes foram parar no Estado do Pará, ocasionando prejuízos a muitos.
            Visando solucionar a questão, o Presidente da Câmara e Agente Executivo da Cidade do Pará, Torquato de Almeida, solicitou ao governo do Estado a alteração do nome do Município. A reivindicação transformou-se na Lei Estadual Nº 806, de 22 de setembro de 1921, que alterou a denominação do Município e da sua sede para Pará de Minas.
            Em uma anotação do pesquisador Robson Correia de Almeida, arquivada no Museu Histórico Municipal, consta que a idéia da alteração do nome da cidade surgiu em uma das visitas que Torquato de Almeida fez à casa de seu irmão Francisco Torquato de Almeida Júnior, mais conhecido como Chiquinho Torquato. Comentando os transtornos que o simples nome “Pará” ocasionava, foi interrompido por Rita Guimarães, cunhada do irmão, que ouvia atenta:  “É fácil resolver o problema, Torquato! Não existe o Pará do Norte? O nosso passa a ser Pará de Minas”. A sugestão foi aplaudida por todos os presentes.
           Aqui, faço parênteses para compartilhar com vocês uma hipótese. Quem sabe, poderão me ajudar a constatar se é verdadeira ou não, até mesmo por ter ouvido alguém mencionar algo a respeito do que irei relatar. Raciocinem comigo, já cientes da sugestão para a alteração do nome da cidade, mencionada no parágrafo anterior. Vamos lá: o jornal “Pará de Minas”, cujo proprietário era Torquato de Almeida, surgiu em 1918. Confrontando as datas do seu aparecimento, 1918, e a da lei que alterou a denominação da cidade, 1921, acredito que o nome do jornal foi escolhido como uma forma de difundir aquele que seria o novo nome do Município. Vejam porquê: sabemos que a alteração do nome de uma localidade requer apoio comunitário, ou seja, vontade popular, e não somente apoio político, que é imprescindível no caso. Essa alteração também não é feita da noite para o dia, leva tempo, mesmo com uma sólida justificativa como a apresentada por Torquato: os problemas de desvios de mercadorias e correspondências, provocados pela denominação “Pará”, frequentemente confundida com o Estado. Também sabemos que, concomitante ao apoio da comunidade, faz-se necessário o apoio político, quando os procedimentos legais necessários são providenciados. Isso leva tempo... Se o nome do jornal “Pará de Minas” é bem anterior à alteração do nome do município, certamente visava tornar os vocábulos reunidos mais  familiares para a comunidade. Perfeita estratégia de marketing, como denominamos hoje ações desse tipo.
           Não sabemos se nossa hipótese é verdadeira. Mas sabemos ser verdadeira a visão de longo alcance, futurista, do qual era dotado o líder da comunidade naquela época. Tudo que Torquato de Almeida projetava visava também o futuro. As edificações que construiu o comprovam: Grupo Escolar Torquato de Almeida; Ramal do Pará; Grande Hotel, atual Casa da Cultura; o Hospital, entre outras realizações de grande representatividade. Obras orquestradas pensando-se também em servir à posteridade. Pois bem, o certo é que esse jornal semanal, “Pará de Minas”, veículo poderoso de comunicação do líder político, Presidente da Câmara e Agente Executivo, pelo nome adotado, foi o precursor da nova denominação do Município e de sua sede. Se involuntariamente, também não o sabemos. O certo é que foi o precursor do novo nome da cidade.
           O ano de 1921, o penúltimo da administração Torquato de Almeida, chegou. O Município, dois dias após as comemorações da sua primeira emancipação político-administrativa, passou a denominar-se Pará de Minas por força de Lei Estadual. Pará, sim, mas de Minas Gerais! O dia era 22 de setembro. Até hoje não se sabe de notícias sobre extravios de mercadorias e correspondências.


* Ana Maria de Oliveira Campos é pesquisadora da história de Pará de Minas. Texto veiculado no jornal local "Diário", de 30.06.2009, pág. 8.

   

 

25 de março ou 20 de setembro, aniversário de Pará de Minas?

                                                                                                                 Por Ana Maria Campos*

           O ano era 1959. Setembro, o mês. A população festivamente comemorou os cem anos do município de Pará de Minas, com inúmeras promoções. Não se questionou se a data era aquela mesma. Explico: o município do Pará foi suprimido em 1872, sendo a última instalação datada de 25 de março de 1876. Seria melhor parar por aqui. Além do ano, o dia e o mês são divergentes da data que se tem comemorado.  Mas vamos em frente... Tentarei me fazer entender.
          O fato é que, com as comemorações do Centenário de Pará de Minas em 1959, oficializou-se a datação da primeira instalação da Vila do Pará como aniversário da emancipação político-administrativa de Pará de Minas. Procedimento correto quando há somente uma instalação do município, mas não é este o caso de Pará de Minas. Vejamos: a primeira instalação da Vila do Pará ocorreu em 20 de setembro de 1859, ato que elevou o arraial do Patafufo a município, emancipando-o político-administrativamente de Pitangui, ao qual anteriormente pertencia. 
          Independente político-administrativamente o município permaneceu até 1872, quando pela Lei Provincial Nº 1889, de 15 de julho, ele foi suprimido. O motivo para tal ato não se justifica, pois foram as desavenças políticas entre os correligionários dos partidos Conservador e Liberal que levaram à supressão da Vila do Pará, sendo seu território integrado novamente ao de Pitangui, de quem havia se emancipado.
          A discórdia política ocorreu porque os liberais, que predominavam na Vila do Pará, não davam tréguas aos conservadores (DINIZ, 1964: p.141). Estes, em represália, solicitaram ao deputado do partido, que era majoritário na Assembléia, Dr. Gustavo Xavier Capanema, a supressão da Vila (op.cit). Na sessão de 29 de maio de 1872, esse deputado do partido Conservador encaminhou o projeto, pronunciando um intenso discurso depreciando o município, os administradores e os habitantes da Vila do Pará. Foi apoiado por seus pares, e as interferências do colega deputado Antônio de Assis Martins, reforçaram o pedido de supressão da Vila do Pará. O aparte final do deputado A. Martins explicita a motivação meramente política do projeto: “É uma medida de grande conveniência, ao menos para descanso de nossos correligionários” (Ibidem:144).
          Naquele ano de 1872, em 14 de janeiro, os liberais haviam sido derrotados nas eleições realizadas para deputados à Assembléia Provincial. Os candidatos Dr. Gustavo Xavier da Silva Capanema, médico em Pitangui, o Capitão Antônio de Assis Martins, empregado público em Ouro Preto, ambos do partido Conservador, foram vitoriosos na Vila do Pará. "Era a derrota dos liberais" (DINIZ, 1964: p.171). A situação seria revertida nas eleições de 15 de agosto do ano seguinte, quando os conservadores foram esmagados no 2º distrito, a que a Vila do Pará pertencia (Op.cit, p.189).
         O projeto de supressão da Vila do Pará, assinado pela maioria dos deputados, foi aprovado sem discussão e se transformou na Lei Provincial Nº 1889, de 15 de julho de 1872, voltando o  território paraense a pertencer a Pitangui. 
         Dois anos depois, quando os ânimos políticos se apaziguaram, o deputado Antônio de Assis Martins, que com seus comentários ajudara o colega Gustavo Capanema a suprimir a Vila do Pará, apresentou na sessão de 13 de novembro de 1874 o projeto restaurando-a, que se transformou na Lei Provincial Nº 2.081, de 23 de dezembro de 1874.
         O município do Pará havia sido recriado por Lei, faltava sua reinstalação para que os administradores eleitos pudessem atuar. Um ano e três meses se passaram, como da primeira vez, para essa instalação da Vila do Pará se concretizar. A importante cerimônia aconteceu em 25 de março de 1876 e, desta vez, foi comandada por um paraense, Cornélio Augusto Moreira dos Santos, Presidente da Câmara de Pitangui. Definitivamente a Vila do Pará se tornava independente. Aleluia!!
         Vamos retomar o raciocínio do início do texto, se estaria mesmo correto considerar como aniversário do município a data da primeira instalação da Vila do Pará, 20 de setembro de 1859, uma vez que houve a segunda, em 25 de março de 1876. Se essa última datação fosse tomada como referência, o aniversário do município seria em 25 de março e este ano, 2009, estaríamos comemorando somente 133 anos de emancipação político-administrativa. Mas, isso não foi o que ocorreu em 1959. Na ocasião, a primeira instalação da Vila do Pará é que foi referência. Historiadores, administradores, comunidade em geral, decidiram comemorar o Centenário de Pará de Minas naquele ano. Basearam-se, portanto, na primeira instalação do município do Pará, 20 de setembro de 1859. 
        Certamente, o tempo (1872-1874) em que a Vila do Pará ficou suprimida até a sanção da nova lei recriando-a, acrescido de outro (1874-1876) para a sua nova instalação, foram intencionalmente apagados da memória dos munícipes, como se quisessem esquecer o motivo insensato, torpe, não proporcional à gravidade da conseqüência que acarretou: a supressão da Vila do Pará no longínquo ano de 1872.
         Provavelmente também tenha sido analisado que o curto espaço de tempo em que a Vila do Pará desapareceu, tornou-se insignificante frente ao contexto histórico e ao centenário que se apresentava naquele ano de 1959. A amnésia comunitária, por outro lado, sinalizou também a superação do fato lastimável para o município, além de demonstração do nobre coração desta brava gente patafufa. Assim pensando, a data 20 de setembro se legitima para ser comemorado o aniversário do município de Pará de Minas.


Fonte:
DINIZ, Sílvio Gabriel. Quatorze Anos de Eleições na Vila do Pará, M.G. (1861 – 1875). In: Revista Brasileira de Estudos Políticos. Belo Horizonte: Editora Universidade Federal de Minas, 1964. Coletânea particular de Robson Correia de Almeida, pp.139 -191.

* Ana Maria de Oliveira Campos é pesquisadora da história de Pará de Minas.

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