Museu Histórico de Pará de Minas

No Sesquicentenário de Pará de Minas, o seu Centenário

                                                                                                         Por Ana Maria Campos*

                  Após a releitura temporal que fizemos no texto anterior “25 de março ou 20 de setembro, aniversário de Pará de Minas?”, quando foi concluído que a data da primeira instalação da Vila do Pará, 20 de setembro, foi legitimada como aniversário de Pará de Minas, voltemos no tempo até ao ano da graça de mil novecentos e cinquenta e nove, quando foi comemorado o Centenário do Município. 
                 Para o bom êxito das comemorações alusivas aos cem anos de Pará de Minas, várias comissões temáticas foram montadas, sob a chancela da Prefeitura, na administração do prefeito Dr. Edward Moreira Xavier. Todas as manifestações da inteligência e cultura da comunidade integraram o programa festivo: noites de arte, jogos de basquete e futebol, cerimônias cívicas e religiosas, palestras, jornada médica, exposições industrial e histórica, inauguração de obras, entrega de títulos de cidadania, demonstração de ginástica feminina moderna, audição de coral, baile com a coroação da Rainha do Centenário, demonstração de ginastas masculinos e de cães amestrados, acrobacias da esquadrilha da fumaça, desfile de estudantes e de  carros alegóricos, espetáculo pirotécnico, show em praça pública, coquetel dançante nos salões do Centro Literário, entre outros. Para as crianças foi preparada uma inesquecível rua de recreio na via principal da sede do município até a Praça Padre José Pereira Coelho, que todos já chamavam de Praça da Matriz. A Rua Benedito Valadares, chamada de “Direita”, foi invadida por elas e pelos profissionais da Diretoria de Esportes de Minas que, utilizando-se dos equipamentos que trouxeram, incansavelmente brincavam com as crianças, apoiados irrestritamente pelas valorosas professoras dos grupos escolares da cidade. No Estádio Ovídio de Abreu, popularmente conhecido como Campo Paraense, os alunos ginastas do Departamento de Instrução da Polícia Militar fizeram uma memorável apresentação, seguida por outra com os seus treinados cães pastores alemães. Apropriadamente, algumas palestras versaram sobre a história da nossa terra. Um dos palestrantes, Senador Benedito Valadares, nosso conterrâneo, com brilhante trajetória política iniciada como vereador a Câmara de Pará de Minas, e cujo avô, Dr. Francisco Cordeiro dos Campos Valladares, instalou a Vila do Pará em 20 de setembro de 1859, deixou registrado no livro “Na Esteira do Tempo” (1966: 147-156) a sua fala referente ao Centenário de Pará de Minas, proferida no Centro Literário Pedro Nestor e também no Senado Federal. Ele inicia falando sobre a obra pioneira da construção de Brasília, que no ano seguinte seria inaugurada, passando a seguir a discorrer sobre Pará de Minas. Reproduzo-a na íntegra por sua relevância:
                 "Às vezes, a gente tem vontade de chorar. Não é por causa da dor física, nem tão pouco do sofrimento moral. Aquele que marcha de coração bom pelos trilhos tortuosos de nossas montanhas e atinge os altiplanos, onde o horizonte ao longe se confunde com o céu, não pode deixar de se comover até às lágrimas. E é o mesmo que freia o veículo, que segue a toda velocidade pela avenida asfaltada, e contempla com os olhos umedecidos o monumento a Fernão Dias. A bandeira, o machado e o trabuco, símbolos da esperança e da bravura do velho sertanista, governador da terra das esmeraldas, não podem ser encarados sem se lembrar dos dias sombrios de sua heróica existência. Toda obra de pioneiro toca a sensibilidade pelo sacrifício que encerra. O móvel é discutido. Acham uns que é a ambição em todas as suas modalidades. Outros, o desejo de servir. Somos inclinados a adotar a segunda hipótese. Em certa ocasião, perdoai a narrativa, indo de Sacramento a Araxá, cheguei ao alto do Barreiro. Era ao claro-escuro da ave-maria. De repente o vale, outrora moradia de elefantes e depois de batráquios, surgiu com seus  lagos, parques e edifícios monumentais, inundado de luz. Vendo afinal realizado, com enorme sacrifício do povo mineiro, aquele gigantesco empreendimento no interior do País, em benefício de nossa civilização, fui presa de comoção profunda  e invencível. As realizações dos pioneiros  só serão julgadas com justiça inteira pela posteridade. Assim será Brasília.
                  Mas devo falar é de Pará de Minas e em vez de apontar o futuro, voltar ao passado até 1859. Conviria mesmo fossemos além e percorrêssemos as veredas que iam de Mateus Leme a Pitangui, na faixa limitada pelos Rios Pará e Paraopeba, e assistíssemos ao labor dos faiscadores do ouro. Seria interessante conversar com Domingos Rodrigues do Prado e Mateus Leme sobre as suas esperanças e desenganos. Ou então, penetrarmos com passo firme o domínio da lenda e descermos na residência de Manoel Patafufo, que deu o nome à localidade, ali na rua São José, à margem do Ribeirão Paciência, em frente à linda queda d'água da atual propriedade de D. Zezé Castelo Branco. E estaríamos andando seguros, pois, no dizer de Alexandre Dumas, os palácios cairão em ruinas, as cidades se cobrirão de pé, mas nunca se pode destruir ou enterrar uma lenda. 
                 O que comemoramos hoje, entretanto, é o centenário de Pará de Minas, a partir da sua instalação. Aos vinte dias do mês de setembro do ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, de mil oitocentos e cinquenta e nove, trigésimo oitavo da independência do Império do Brasil, na Sala das Sessões da Câmara Municipal, meu avô, o Dr. Francisco Cordeiro dos Campos Valladares, Presidente da Câmara de Pitangui, instalava a vila do Pará.  Daí prá cá muita coisa mudou, menos o espírito de religiosidade do povo que continua a ser o mesmo professado na Capela de Nossa Senhora da Piedade do Patafufo. Por isso mesmo é feliz. No dizer de Vander Meersch, nem o dinheiro, nem o poder, nem a glória, nem ainda o saber, nada vale se não se tem fé em outra coisa que não é deste mundo.
                Contam-nos que existia nesta cidade um preto chamado Malaquias, homem inteligente e inculto, tronco da árvore genealógica que deu famoso artista, o palhaço Benjamim de Oliveira. Malaquias era orador popular de todas as festas. Em certa feita, a cidade se engalanou para receber seus filhos, os irmãos padre Zeca e padre Silvestre, que acabavam de se ordenar. Na grande manifestação, que então se realizava em frente à casa dos homenageados, Malaquias não se conteve e começou seu discurso: 'Meus Senhores, que horror uma mãe com dois filhos padres!' Risada geral, mas Malaquias não se deu por achado e continuou sua arenga. Estes dois sacerdotes paraenses, admirados e queridos de todo mundo, concorreram de maneira decisiva para a manutenção do espírito profundamente cristão dos habitantes deste Município.
               O povo paraense viveu em torno de sua igreja, e foi na porta da Matriz desta cidade que tive o primeiro contato com a realidade da vida. Aos sete anos de minha idade vim da roça para me matricular na Escola Primária de D. Joaquina Orsini, onde já estava meu irmão mais velho. À noite fomos à reza. Seguiu-se o clássico leilão de prendas. Dentre estas se encontravam diversos pássaros. A meninada irrequieta fazia lances. Meu irmão aventurou trezentos réis e arrematou uma siriema. Ouvindo o seu grito, e sem saber de que se tratava, mas querendo imitá-lo, bradei a todos pulmões: 'oitocentos réis'. Na manhã do outro dia tive a surpresa de ver chegar, na casa em que morava, um pássaro que havia arrematado sem querer e sem dinheiro. Valeu-me a lição, desta data em diante comecei a dar valor à palavra e jamais aventurei lance que não pudesse sustentar.
               Pará teve, nos cem anos de sua existência, trinta e sete agentes executivos, a começar em 20 de setembro de 1859, por Francisco de Assis dos Santos Reo, e a terminar hoje, 20 de setembro de 1959, no atual, aqui presente, Dr. Edward Moreira Xavier. As transformações por que passou, no decurso do tempo, foram numerosas, chegando até, para evitar confusão, a ser crismada com o nome de Pará de Minas. Seu progresso, inclusive industrial, se inscreve no haver de seu povo econômico e trabalhador, mas também se registra no esforço de seus honestos administradores. Não fica bem dizer quem realizou mais; temos de levar em conta a época da execução de qualquer iniciativa. O Serviço de água, com conduto de madeira, do qual se tirava um anel para a bica de cada proprietário, tinha o mesmo valor para os de então, que a atual canalização de água potável. Se naquele tempo as instalações eram deficientes para a população, talvez ainda hoje o sejam, em que pese o esforço dos últimos administradores. Os lampiões de esquina, que clareavam a cidade, produziam o mesmo efeito, no espírito do povo, da luz elétrica que a ilumina agora. Serviço público é uma obra de igreja. O alicerce é difícil; mais penoso ainda o acabamento, que não termina nunca. Todo administrador entra com seu contingente, construindo ou demolindo o que os outros edificaram, para compor de novo. Se não considerarmos o valor dos feitos no tempo e no espaço, poderão, com a transformação que já se prevê, achar, daqui a um século, que a nossa geração pouco fez para o Município. Entretanto, Pará de Minas é uma cidade atualmente provida de quase todos os recursos existentes nas comunas modernas. Dos mais variados meios de preservação do bem-estar, da saúde e do vigor de seus habitantes, cuja inteligência e cultura cada vez mais se aprimoram.
              A sua política foi muito agitada no passado, mas isto nenhum mal fez ao Município, antes lhe trouxe alguns benefícios. No tempo do Império, os partidos Conservador  e Liberal se digladiavam aqui da maneira mais violenta. Contam-nos que, de uma seção eleitoral que se processava na igreja, o político Valico saiu sem uma das abas da casaca. Tendo João Jacinto de Mendonça recebido instruções para propalar que o Partido Liberal também estava armado, achou de bom alvitre reunir eleitores, entregar-lhes armas e comandá-los pelas ruas da cidade. Não deixou de ser útil o expediente, porque os conservadores, diante dessa exibição bélica, se aquietaram. Se o espírito combativo e apaixonado do povo era este, mais realça o gesto de Antônio José de Melo que, diplomado e convocado vereador, fez uma representação proclamando entender que não tinha sido eleito. Feita a verificação, comprovou-se que na realidade vencera Manuel Antônio Moreira dos Santos por pequena diferença de votos. 
             Durante o civilismo a luta política que aqui se travou concorreu para abreviar a construção da estrada de ferro que corta o Município, iniciativa de Torquato de Almeida, auxiliado, assim, de certo modo, por seus adversários. Mais tarde, o movimento político de oposição, iniciado por José Alves Ferreira de Melo, deu um Governador de Estado. É bem verdade que todos os partidos, esquecendo dissensões, concorreram para que isso acontecesse.
            Esta é uma terra feliz: teve sempre bons administradores, notáveis guias espirituais, a começar pelo Padre Paulino Alves da Fé e a terminar no atual vigário, Padre Hugo Bittencourt; justiça incorrupta, desde o dr. Aristides Godofredo Caldeira, passando por Pedro Nestor, cujo nome, como advogado que fui na sua jurisdição, me sentiria mal se não citasse, até os drs. Euripedes Correia de Amorim e Márcio Morais aqui presentes. Escolas com dedicadas professoras e presentemente ótimos sistemas de educação dirigidos por franciscanos e salesianos.
           Pará de Minas é o conjunto de diversas famílias que se entrelaçaram e estão representadas em todas as atividades do Município. Encontram-se pessoas da mesma família no meio operário e no executivo industrial; no comércio, como empregados e empregadores; na lavoura e nas profissões liberais, na judicatura e como representantes do povo no legislativo municipal, estadual e federal. Em resumo, Pará de Minas é uma grande família de trabalhadores. Mas o que mais se admira é que os paraenses procedem como aconselha o filósofo, passam de uma ação social a outra, pensando sempre em Deus."

           As palavras que o Senador Valadares proferiu no Centenário de Pará de Minas são preciosos testemunhos sobre nossa terra, que não podem deixar de serem revisitadas e reabsorvidas, principalmente neste ano do Sesquicentenário.   


*Ana Maria de Oliveira Campos é pesquisadora da história de Pará de Minas.

Doação do livro "Dona Joaquina do Pompéu. Sua História e Sua Gente"

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Em 17 de julho de 2009, o Museu Histórico de Pará de Minas recebeu a doação do livro "Dona Joaquina do Pompéu. Sua História e Sua Gente", obra em três tomos, de autoria do Dr. Deusdedit Pinto Ribeiro de Campos, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. O autor recebeu a solicitação da doação no IHGMG, durante conversa com a diretora Ana Maria Campos. Obra de grande vulto, abrangendo a história da grande matriarca de Minas Gerais e a extensa descendência que deixou, o livro é referência na genealogia das famíílias mineiras, principalmente das geradas no Centro-Oeste do Estado. A obra foi incorporada à biblioteca da instituição e lá poderá ser consultada.

Visita da Superintendente de Museus

superintendente_de_museusNo dia 13 de julho o Museu Histórico de Pará de Minas recebeu a visita de Letícia Julião, Superintendente de Museus de Minas Gerais, acompanhada dos assessores Silvana Cançado Trindade(Diretora de Desenvolvimento de Ações Museais), Ana Maria Werneck(Diretora de Desenvolvimento de Linguagens Museológicas) e o historiador Vinícius. A equipe foi recepcionada pela Secretária da Cultura, Maiza Lage e pela Diretora do Museu, Ana Maria Campos. A superintendente e equipe conheceram a estrutura do Museu, o projeto de ampliação do prédio, de autoria da arquiteta Daniele Santos de Souza, e após ouvir sobre a realidade e as necessidades institucionais foi agendada uma nova reunião. Foi um marco importante essa visita, pois a última vez que uma superintendente de museus esteve em Pará de Minas foi em 1988, na reinauguração do Museu Histórico. A visita de Letícia Julião e equipe criou um canal eficiente de comunicação entre o Museu de Pará de Minas e a SUM/MG. Para recepcioná-las o Muspam contou com a impecável assessoria de Mauro Andrade, um dos amigos do Museu. Veja as fotos na Galeria de Imagens/Visitas.

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Histórico (Síntese)

A origem de Pará de Minas está ligada ao deslocamento de aventureiros e bandeirantes à procura de ouro e pedras preciosas, no final do século XVII. O Município surgiu com a descoberta das minas de Pitangui, local que se tornou centro de migração e riqueza na área compreendida entre os rios Paraopeba, São João e Pará.
Havia um ponto de pouso situado às margens do Ribeirão Paciência, onde muitos se fixavam dedicando-se ao trato da terra e à criação de animais. Segundo antigos relatos, entre os que permaneceram no local estava o mercador Manuel Batista, apelidado de “Pato Fofo”, em virtude de seu peso excessivo e de sua baixa estatura. 
Manuel Batista estabeleceu-se em uma fazenda que passou a explorar, e sua fama logo alcançou outros domínios da região. A casa onde residiu é considerada a primeira residência construída na cidade e, atualmente, abriga o Museu Histórico de Pará de Minas. Em decorrência da alcunha de Manuel Batista, o local ficou conhecido como Patafufio ou Patafufo, corruptelas de “Pato Fofo”.
Atualmente, com aproximadamente 95 mil habitantes, Pará de Minas exemplifica perfeitamente o ideário da mineiridade. Ao mesmo tempo em que tem conservada sua memória histórica, o Município projeta-se no cenário estadual pelo seu progresso e potencial de desenvolvimento. O Município é composto por sete distritos: a sede, Ascensão, Bom Jesus do Pará, Carioca, Córrego do Barro, Torneiros e Tavares de Minas.
 

HISTÓRICO DO MUNICÍPIO DE PARÁ DE MINAS
                               Por Ana Maria Campos

                  Os primórdios da povoação que deu origem a Pará de Minas remontam ao final do século XVII, época em que o fluxo das bandeiras paulistas tornou-se constante nessas paragens,  área compreendida entre os Rios Pará, Paraopeba e São João, devido à procura do ouro, que acabou sendo encontrado em maior quantidade em Pitangui. As terras pertenciam a Manuel de Borba Gato que, como Guarda-mor, as distribuiu em concessões para minerar. Entre a concessão das Minas do Morro do Mateus Leme e a concessão das Minas de Domingos Rodrigues do Prado, atual Pitangui, muitas fazendas originaram-se pois, paralelamente à mineração, desenvolveu-se a agropecuária.
O caminho de Pitangui assim foi estabelecido e muitos se deixaram ficar. Se o ouro o originou, foi o comércio que o solidificou. Um núcleo populacional foi se formando às margens do Ribeirão Paciência, onde havia um ponto de pouso para os viajantes. Nele, segundo a lenda,  fixou-se o mercador português Manuel Batista, apelidado de “Pato Fofo” em face de ser baixo e gordo e, por vaidade, aparentar grandes posses.
Manuel Batista se estabeleceu em uma fazenda que passou a explorar. A casa onde residiu é considerada a primeira edificação da cidade e hoje abriga o Museu Histórico de Pará de Minas. Em decorrência do apelido que Manuel Batista adquiriu, o lugar ficou conhecido como “Patafufio”ou “Patafufo”, corruptelas de “Pato Fofo”.
                   O marco oficial da história do município verifica-se pela elevação de Pitangui à categoria de Vila de Nossa Senhora da Piedade de Pitangui, em 06 de Fevereiro de 1715, uma vez que o povoado de Patafufo pertencia ao território de Pitangui.
                   A Provisão Episcopal de  02 de Julho de 1772 instituiu a  capela no lugar do Patafufio, da freguesia de Pitangui, com a invocação que escolheram os moradores e no sítio que marcou o Padre João Pimenta da Costa, como determinou a autorização do Bispado de Mariana.
                   O viajante mineralogista Dr. José Vieira Couto descreveu em seu relatório de 1801, que  Patafufo era um pequeno núcleo de povoação que cuidava de plantações e tecidos  de algodão: (...)nos dirigimos ao arraial de Patafufo, povoação de uma centena de fogos. Este arraial, algum dia mineiro, hoje tem achado melhor fortuna nas suas plantações e teçumes de algodões, por cuja causa ia em augmento, e se notavam a miudo muitas construções de novas casas.(...)
Os Mapas Paroquiais de 1826, indicam que a Vila e Freguesia de Nossa Senhora do Pilar de Pitangui compreendia oito capelas filiais, e dentre elas estava a de Nossa Senhora da Piedade de Patafufo, com 314 fogos(casas) e 1646 almas(habitantes).
Por volta de 1823 chegou o mestre-escola João Ezequiel Pereira para ensinar as primeiras letras ao sexo masculino, porque às mulheres se ensinava a coser, lavar, fazer rendas, etc. Em 27 de março de 1828 foi criada a primeira escola pública do curso primário no arraial do Patafufo e, em 27 de julho de 1830 foi nomeado o sr. Joaquim da Rocha Ribeiro para professor de primeiras letras.
Em 1832 o povoado de Patafufo já era curato, isto é, já era assistido eclesiasticamente por um Cura, Capelão. Nesse ano,1832, por Decreto Imperial, o Curato de Patafufio passou a integrar a Paróquia de Mateus Leme; em 1836, foi incorporado à Freguesia de Pitangui pela Lei nº 50, de 08 de abril. A Paróquia, com a denominação de Nossa Senhora da Piedade do Patafufo, foi criada exatamente 10 anos depois, em 08 de abril de 1846, pela Lei nº 312.
                    Em 1848 o Presidente da Província de Minas Gerais, sr. Bernardino José de Queiroga, por Lei Provincial nº 386, de 09 de Outubro, elevou o arraial de Patafufo à categoria de Vila, com a denominação de Vila do Patafufio,  compreendendo o seu território e os de Santana do São João Acima, Mateus Leme, São Gonçalo e Santo Antônio do São João Acima. Pelo fato dos seus habitantes não terem construído os edifícios da Câmara, Conselho de Jurados e da Cadeia, conforme exigência da Lei 386, a Vila do Patafufio não foi instalada e, em 31 de maio de 1850, pela Lei Provincial Nº 472 ela foi suprimida, voltando o território a pertencer ao Município de Pitangui.
Satisfeitas as exigências legais, em 08 de junho de 1858, a Lei Provincial nº 882 veio restaurar a Vila, alterando também o seu nome para  Vila do Pará e o da Paróquia para Nossa Senhora da Piedade do Pará. A Vila do Pará foi instalada em 20 de Setembro de 1859 pelo Presidente da Câmara Municipal de Pitangui, Dr. Francisco de Campos Cordeiro Valadares. O primeiro Presidente da Câmara e Agente Executivo foi o Alferes Francisco de Assis dos Santos Reo, empossado no mesmo dia.
                     O nome Pará na lingua Tupi significa “o mar, águas todas colhe, o colecionador de águas”. Theodoro Sampaio acrescenta que é o "rio volumoso ou caudaloso". Pará, seria então o rio coletor do Centro-Oeste do Estado. O nome “Pará” homenageia o rio Pará, que banhava as terras do imenso município.
                     Em decorrência de acirradas disputas políticas entre os chamados “Cascudos” (Conservadores) e “Chimangos” (Liberais), a Lei Provincial nº 1889, de 15 de Julho de 1872, suprimiu novamente o Município do Pará, incorporando seu território ao de  Pitangui.
                     Dois anos depois, em 23 de Dezembro de 1874, a  Vila do Pará foi restabelecida pela Lei nº 2.081, ficando definitivamente seu território desligado de Pitangui. A reinstalação da Vila do Pará ocorreu em 25 de março de 1876, em sessão solene na Câmara Municipal, sendo empossado como Presidente da Câmara e Agente Executivo o Alferes Francisco Esteves Rodrigues.
                     Em 13 de novembro de 1891, pela Lei nº 11, foi efetivamente criada a Comarca do Pará, que foi instalada em 07 de junho de 1892.
                    A categoria de cidade foi alcançada em 05 de Novembro de 1877, com a Lei nº 2416, passando a denominação a ser  CIDADE DO PARÁ.
                    Por força da Lei nº 806, de 22 de Setembro de 1921, o município passou a denominar-se PARÁ DE MINAS*, nome que se estende à sua sede. Relembrando que esta denominação é devida ao maior rio que banhava o município, o PARÁ, cujo nome na língua tupi significa rio volumoso, o colecionador de águas; e “DE MINAS”, apenas um aditivo para distinguir o município mineiro do Estado do Pará.

FONTES CONSULTADAS:
.ALMEIDA, Theophilo de. História Antiga de Pará de Minas. De 1700 a 1859. Edições Mantiqueira. Belo Horizonte. 1959.
.ALMEIDA, Robson Correia de. Pará de Minas sua vida e sua gente. Indústrias Gráficas Vera Cruz. Belo Horizonte. 1ª. Edição. 1983.
. Provisão Episcopal, de 02 de Julho de 1772. Bispado de Mariana.
.SOARES, Monsenhor Vicente. A História de Pitangui. Belo Horizonte. 1972.
.MOURÃO, Maria da Graça Menezes. In: Centro-Oeste Mineiro - História e Cultura [Dalton Fernando de Miranda e Guaracy de Castro Nogueira, coordenadores]; Totem Centro Gerador de Cultura; Instituto Cultural Maria de Castro Nogueira, Itaúna; Gráfica Formato, 2008, págs. 224:225
.Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. Edição Comemorativa do 23º. Aniversário do IBGE. Planejada e orientada por Jurandyr Pires Ferreira. 1959.
.Leis mencionadas no texto.
. Município do Pará. IN: CAPRI, Roberto. Minas Gerais e seus Municípios. Pocai Weiss & Comp., São Paulo, SP, 1916.

*Mais informações sobre o nome Pará de Minas consulte também em http://www.muspam.com.br/index.php?option=com_content&;view=article&id=69:o-nome-para-de-minas&catid=36:textos&Itemid=89

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O Brasão de Pará de Minas

O brasão de Pará de Minas foi elaborado por Maria José A. Souza Carmo e Celma Rocha Pereira. O Brasão de uma cidade deve conter as suas características principais, além de refletir a postura, geografia e história. As autoras nos contam a simbologia empregada na sua elaboração:
1)Em ponta representa os três rios que deram origem à região: Pará, Paraopeba e São Francisco. Foi através deles que os bandeirantes tiveram acesso a formação do município.
2)No centro, à direita, está a cornucópia jorrando moedas, que simboliza não só a atividade do fundador Manoel Batista (Patofofo), como também a atividade do Município no decorrer de sua história.
3)No centro, à esquerda, está o triângulo eqüilátero, mostrando o Estado a que pertence o Município.
4)Em cima, à direita, temos a cruz com a toalha, que é o símbolo da padroeira da cidade: Nossa Senhora da Piedade.
5)Em cima, à esquerda, temos representados por estrelas, os sete distritos que compõem o Município: a sede, Ascensão, Bom Jesus do Pará, Carioca, Córrego do Barro, Tavares de Minas, Torneiros. O escudo assente sob a Coroa Mural, própria para os Municípios e Cidades e sobre louros significam glória, tendo sob estes a divisa com os dizeres: "Fé, Ação e Progresso".
A Lei Municipal Nº 2.215, de 19.06.1984, instituiu o Brasão de Armas do Município de Pará de Minas. A inclusão de estrelas correspondentes a novos distritos criados foi autorizada pela Lei Nº 4.151, de 12.12.2002, que acrescentou ao artigo 1º da Lei que instituiu o Brasão do Município o seguinte parágrafo único: A criação de Distrito do Município de Pará de Minas importará na modificação do Brasão de Armas, com a inclusão de uma estrela correspondente.
A Bandeira de Pará de Minas

A bandeira de Pará de Minas, de autoria do Cônego Gabriel Hugo da Costa Bittencourt, foi instituída pela Lei Municipal Nº 851, de 16.09.1965. O autor traduziu a simbologia nela contida: O vermelho simboliza o amor. É a parte vermelha da nossa bandeira. O branco é a paz. É a parte branca da bandeira. A cidade nasceu sob proteção de Nossa Senhora da Piedade. Esta aparece na forma de uma flor de lis. Em heráldica, a flor de lis simboliza Nossa Senhora. A missão de Nossa Senhora é nos unir no amor e na paz. Por isto, metade da flor de lis vermelha está no campo branco. A metade branca da flor está no campo vermelho. A roda dentada, geralmente preta, simboliza o trabalho. A flor é unida à roda. Isto significa a síntese de nossa história: a fé e o trabalho. Foi assim que construímos nosso destino: In Fide et labore. O latim, pela precisão de linguagem, é mundialmente usado para as inscrições e lemas. "In fide et labore", na fé e no trabalho. Foi assim que surgiu esse povo, repleto das bênçãos de Deus e do carinho materno de Nossa Senhora de Piedade.

Hino de Pará de Minas
Letra e música: Cônego Gabriel Hugo da Costa Bittencourt  
Canta o Coral Nossa Senhora da Piedade

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Há nas montanhas do Oeste
Uma terra altaneira, suave e feliz,
Onde serena e agreste
Toda a natureza encanta e bendiz.
Seus filhos cantam vitória
Trabalham e lutam com ardor varonil
Sempre nimbada de glória
Dos homens ilustres que dá ao Brasil.

Pará de Minas, Cidade Rainha
Vestida de verde, do verde das serras
Doiradas de sol.
Teu peito encerra a fé que é sacrário
De um divo arrebol.
Sinos, teares, entoam festivos
Sublime canção.
És minha terra encantada e feliz
Orgulho do meu coração.
 
Seu coração não descansa
Trabalha incessante, imitando o tear
Sempre guardando a lembrança
Das velhas cantigas a luz do luar.

E a doce Mãe da Piedade
Escuta dos filhos poemas de amor
Guarda em seu manto a cidade
Que cresce e prospera em virtude e valor. 

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Hino do Sesquicentenário de Pará de Minas
Autores: Dalva Frágola / Júlio Saldanha
Canta: Waldemiro Guimarães / Coral Nossa Senhora da Piedade

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Ah, quem dera o lendário fundador,
Num instante viesse comtemplar
A cidade em seu sesquicentenário
"Fé, trabalho" até aqui chegar.
Trilhos, trilhas pioneiras, hoje abrindo
Novos braços para a capital
Quantos filhos rompendo as fronteiras
Honrando o nome da terra natal.

Pará de Minas, "Patafufo de outras eras"
Pará de Minas, "nossa terra, és nossa vida"
Pará de Minas, "paraíso que sonhei"
Pará de Minas, "cidade rainha" sempre cantarei

Que outra "terra que dos sinos e teares"
Entre novos sons se faz lembrar?
Tão amada, entre tantos lugares
Cada dia mais a prosperar
Bariri, quanta vida e beleza
Pelas praças, gente a se encontrar
Lá do Cristo a cidade acesa
Entre as serras cresce sem parar

Pará de Minas, "Patafufo de outras eras"
Pará de Minas, "nossa terra, és nossa vida"
Pará de Minas, "paraíso que sonhei"
Pará de Minas, "cidade rainha" sempre cantarei

Pará-minense, patafufo, paraense
Canta hoje sua terra sua glória
quanta gente, mãos unidas, quantas mentes
mais uma marco em nossa história.

Pará de Minas, "Patafufo de outras eras"
Pará de Minas, "nossa terra, és nossa vida"
Pará de Minas, "paraíso que sonhei"
Pará de Minas, "cidade rainha" sempre cantarei

"Orgulho do meu coração"
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Hino à Nossa Senhora da Piedade [Padroeira de Pará de Minas]
Letra: Antônio Augusto Mello Cançado
Música: João Batista Lema (adaptação de um hino a São Geraldo) 
Canta: Coral Nossa Senhora da Piedade
 
 
 
 
 
 
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                           I 
 
À Senhora que é Mãe da Piedade
Eia, pois, vamos todos de pé
Consagrar para sempre a Cidade
Numa grande parada de fé.
 
                         II
 
Sob um sol flamejante de glória
Construímos os nossos destinos
Nossa terra já sua história
Nas canções dos teares e dos sinos.
 
                         III
 
A Paróquia é sinal de unidade,
Nossa vida resume por isto.
É, pois, justo que a nossa cidade
A celebre irmanada no Cristo.
 
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