Museu Histórico de Pará de Minas

Ação Educativa/2010 do Muspam é sucesso


1º lugar texto, Maria Eduarda H. Lima. 4º ano.             1º lugar desenho, Letícia Costa Alves. 2º ano.
Escola Estadual Zico Ferreira                                    Escola Estadual Ademar de Melo

Com a presença do Prefeito Zezé Porfírio, Vice-Prefeito Eugênio Mansur, Secretária de Cultura Maiza Lage, Secretária de Educação Cristina Gabriela Miranda Pereira, representante da Superintendência Regional de Ensino Vânia Almeida de Lima, Élcio Mendonça Júnior (Embapel Papelaria), diretoras, professoras, alunos e pais, o Projeto de Ação Educativa do Muspam destinado às séries iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano), iniciado em março, culminou com a entrega de certificados, dia 08 de julho, aos alunos cujos trabalhos representaram suas escolas.
O Projeto Aqui Mora a Minha História, ação educativa Muspam/2010, recebeu o apoio imprescindível da Secretaria Municipal de Educação e Superintêndência Regional de Ensino, situação que possibilitou a parceria com as escolas públicas municipais, estaduais e particulares. 
Os alunos autores dos melhores trabalhos resultantes do Projeto receberam presentes oferecidos pela Embapel Papelaria. Os trabalhos foram selecionados pela comissão (foto abaixo) composta por representantes dos órgãos envolvidos no Projeto - José Roberto Pereira(Secretaria de Cultura), Suzana Franco(Museu Histórico), Vânia Oliveira(Secretaria de Educação) e Ercília Faria(Superintendência Regional de Ensino). O resultado apontado pela comissão está a seguir.
Categoria Texto: 1º lugar – Maria Eduarda Henriques Lima, aluna do 4º ano da Escola Estadual Zico Ferreira, do distrito Torneiros, professora Marcilene Aparecida Fernandes; 2º lugar – Ana Carolina Vasconcelos de Melo, aluna do 4º ano da Escola Estadual Frei Concórdio, professora Viviane Mara de Vasconcelos; 3º lugar – Tamires Gonçalves Rozendo, aluna do 5º ano da Escola Municipal Dona Cotinha, professora Iolanda Maria das Graças de Oliveira Silva.
Categoria Desenho: 1º lugar – Letícia Costa Alves, aluna do 2º ano da Escola Estadual Ademar de Melo, professora Maria Aparecida Vieira;  2º lugar – Kelvin Libério dos Santos, aluno do 2º ano da Escola Municipal Elvira Xavier de Melo, professora Geralda Aparecida Barbosa A. C. Morais; 3º lugar – Mateus Henrique de Oliveira, aluno do 1º ano da Escola Municipal Professora Mércia Maria da Silva Chaves, professora Rosilene Fernandes Silva. 
Todos os trabalhos ficarão expostos na área de atividades complementares do Museu até o dia 06 de agosto, de terça a sexta-feira.
Os professores também foram contemplados pelo importante desempenho que tiveram no Projeto e, no dia seguinte, dia 09, viajaram com seus alunos para Belo Horizonte para uma visita ao Museu de Ciências Naturais da Puc/MG e ao Museu de Artes e Ofícios, ocasião em que puderam ampliar os conhecimentos culturais. Veja as fotos na Galeria de Imagens. 
O resultado do Projeto Aqui Mora a Minha História pode ser medido pelas dezenas de turmas escolares que visitaram o Muspam no período de março a junho, pelo número de alunos que retornaram à instituição levando seus pais, irmãos e amigos, assim como pela qualidade dos trabalhos apresentados pelas escolas.
O Museu Histórico agradece o apoio da Secretária de Cultura Maiza Lage, do Prefeito Zezé Porfírio, do vice Prefeito Eugênio Mansur, da Secretária de Educação Cristina Gabriela Miranda Pereira, da Superintendente de Ensino Tânia Morato e da Embapel Papelaria, na pessoa de Sérgio Marinho.


Comissão de seleção dos trabalhos do Projeto de Ação Educativa

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Banda Uai Minas no Quarta no Museu – 23 de junho, 20 horas

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A Banda Uai Minas é a próxima convidada para o Quarta no Museu, projeto onde as várias linguagens artísticas podem se apresentar. Os talentosos músicos Gustavo Silva (saxofone), Robson Mendes (guitarra), Gláucio Seabra (baixo) e Caio Vaz (bateria) abrilhantarão o Museu Histórico de Pará de Minas, na noite de 23 de junho, a partir das 20 horas.
A Banda Uai Minas possui amplo e diversificado repertório, com ênfase nos clássicos da MPB, além do Jazz e Blues.  Sua formação é recente, janeiro deste ano, com Robson, Gláucio e Gustavo. Posteriormente, Caio juntou-se a eles.
O grupo de músicos possui influências musicais semelhantes, um dos fatores agregadores dos talentosos jovens que trazem na bagagem suas diversificadas experiências: Robson Mendes, guitarrista, é professor na Escola de Música Arte Nossa e participa de outros grupos musicais, a Banda A casa de Mãe Joana e a Banda de Música do Caic, onde toca o Trompete, além dos trabalhos particulares; os irmãos Gláucio e Caio, baixista e baterista, atuam em grupos de jovens, movimento católico, e também integram a Banda de Música do Caic, Caio como trombonista e Gláucio como tubista; Gustavo, saxofonista, é professor da Escola Municipal de Música Geraldinho do Cavaquinho, participa da Banda de Música Lira Santa Cecília, como saxofonista, além de fazer trabalhos particulares. 
Os jovens músicos têm muito para mostrar! Compareçam!

O Artista Benjamim

                                       Por Ana Maria Campos*

Benjamim de Oliveira, 1º palhaço negro do Brasil, filho dos escravos Malaquias Chaves e Leandra, nasceu na Fazenda dos Guardas, em Patafufo, atual Pará de Minas, em 11 de junho de 1870. Beijo era o apelido dele. Em 1882 fugiu com o Circo Sotero, que se apresentara na pequena localidade. Aprendeu acrobacias com Severino de Oliveira, de quem se supõe tenha adotado o sobrenome, como consta no livro da pesquisadora Ermínia Silva, abaixo mencionado.

Com espírito determinado venceu os percalços que se apresentaram, tornando-se o rei dos palhaços do Brasil. Possuidor de múltiplos talentos, Benjamim levou o teatro para o circo, tornando-se também ator, autor e produtor de peças teatrais, além de cantor e compositor, chegando a gravar seis discos. Em 1908, foi filmado no Circo Spinelli representando Peri, na peça O Guarani, pela Photo-Cinematographica Brasileira, outra das muitas informações encontradas no livro da historiadora Ermínia.

Já consagrado e famoso, Benjamim de Oliveira apresentou-se em show artístico em seu berço natal, Pará de Minas. A presença dele na terra em que nasceu foi mencionada por José Moreira Xavier (Zezinho Xavier), cuja filha Angela Xavier registrou no texto sobre os circos em Pará de Minas, já postado neste site. Tal informação também foi confirmada pelo sr. Geraldo Magela Fonseca, entrevistado por Ana Maria Campos em 14.06.2010, para o arquivo Muspam. Magela Fonseca afirmou ter assistido ao show de Benjamim de Oliveira no Ideal Cinema, ocasião em que o artista também cantou e tocou violão. Sobre a época em que ocorreu o espetáculo, Magela não soube datá-la com precisão, mas afirmou ter assistido o show de Benjamim de Oliveira quando era um rapazinho de uns 15 anos de idade. Ora, se Fonseca possui 94 anos na data do depoimento dele para o Museu da cidade, o ano de seu nascimento é 1916.  Deduz-se, portanto, que a apresentação de Benjamim de Oliveira em Pará de Minas ocorreu no início da década de 1930. Estes relatos orais são as referências encontradas, até o momento, sobre a presença dele na terra em que nasceu, mas nossa busca continua.

Desconhecemos se há parentes dele na região e, nem mesmo o neto dele, Juyraçaba Santos Cardoso, soube informar ao ser indagado por nós, em maio último, quando da primeira visita dele a Pará de Minas. Cardoso relatou-nos que Benjamim de Oliveira levou a mãe e os irmãos para o Rio de Janeiro, mas não soube em que época. Foi nessa localidade, então capital do país, que Benjamim de Oliveira faleceu em 30 de maio de 1954.

Sobre o falecimento de Benjamim, o jornal O Estado de São Paulo, edição do dia 01.06.1954, página 9, noticiou o seguinte: "Falecimento de artista circense. Rio, 31 ('Estado' -- Pelo telefone) -- Faleceu ontem nesta capital, o velho artista circense Benjamin de Oliveira. Com 85 anos de idade, gastou 60 em atividades artísticas. Era natural de Pará de Minas e iniciou sua vida de palhaço em Várzea do Campo e Pindamonhangaba, aos 20 anos. Seu sepultamento realizou-se hoje, no Cemitério de São Francisco Xavier." O jornal A Noite, edição de 31.05.1954, págs. 3 e 8, com o título "Morreu o palhaço Benjamin de Oliveira" também veicula a notícia do falecimento do artista Benjamim em 30 de maio de 1954. As informações da data correta do falecimento do famoso palhaço foram gentilmente repassadas a mim por Alaércio Antônio Delfino, juntamente com as imagens digitais dos jornais.

Em justa homenagem, o nome dele está perpetuado em Pará de Minas em uma das vias públicas do Bairro Nossa Senhora das Graças, desde 1958: Rua Artista Benjamim. Outra homenagem a ele ocorreu em 22 de março de 2013com a inauguração de uma escultura dele em bronze, obra de Alexandre Magno Martins Pinto, no Parque Bariri em área que, posteriormente, foi designada Praça Benjamim de Oliveira, por força da Lei Nº 5.470, de 05 de abril do mesmo ano.

A importância de Benjamim de Oliveira no cenário artístico brasileiro foi resgatada em 2007 pela historiadora paulista Ermínia Silva, ao lançar o livro Circo-Teatro: Benjamim de Oliveira e a teatralidade circense no Brasil (Editora Altana,SP). A magnífica obra foi resultado da tese de doutorado da autora, atraindo a atenção de especialistas e, ainda, repercutindo positivamente na alta estima dos conterrâneos de Benjamim, motivando estudos e projetos escolares sobre o artista. A escritora Terezinha Pereira incentivada pelo  livro de Ermínia Silva, tornou-se uma grande divulgadora de Benjamim de Oliveira por meio de textos produzidos por ela, publicados na mídia local e na web. Não podemos deixar de mencionar que anos antes havia acontecido na cidade, por iniciativa do agente cultural Nilton Araújo, uma louvável manifestação da arte circense enfocando o palhaço Benjamim. Se a geração jovem não tinha conhecimento da importância de Benjamim de Oliveira na historiografia das artes brasileiras, outra eficiente divulgação do nome dele em Pará de Minas aconteceu em 2009, quando a escola de samba do Rio de Janeiro, a São Clemente, transformou-o em samba-enredo, provocando significativa repercussão na comunidade onde ele nasceu,  contribuindo para a propagação da extensão e valor do trabalho dele. Nesse mesmo ano, a Secretaria Municipal de Cultura de Pará de Minas criou o Festival de Palhaços ParaBenjamim e, quem vai relatar sobre essa promoção, logo a seguir, é José Roberto Pereira, diretor de cultura. Confiram. 

                                                                                                                           Em 16.06.2010.


* Ana Maria de Oliveira Campos é pesquisadora da história de Pará de Minas, diretora do Museu Histórico de Pará de Minas.

 

 

Parabenjamim – Festival de Palhaços de Pará de Minas

                                          Por José Roberto Pereira*


O PARABENJAMIM - FESTIVAL DE PALHAÇOS DE PARÁ DE MINAS foi criado no ano de 2009 pela secretaria municipal de Cultura de Pará de Minas, tendo a pasta como secretária a senhora Maiza Lage Barbosa e como diretor do Departamento de Cultura este colunista. O objetivo ao criar o festival foi o de fazer uma justa homenagem ao pará-minense mais ilustre nas artes circense e cênica, Benjamim de Oliveira.

O PARABENJAMIM nasceu para suprir uma necessidade que se arrastava há décadas, a de tornar conhecida dos pará-minenses a trajetória de Benjamim de Oliveira. A cidade, até então, tinha como menção ao artista apenas o nome de uma rua, a Artista Benjamim de Oliveira, localizada no bairro Nossa Senhora das Graças, denominada por uma lei municipal de 1958, cujo projeto foi assinado pelo vereador Walter Martins Ferreira na administração do prefeito Osvaldo Lage.

Após essa homenagem no início da segunda metade do século passado, o nome de Benjamim de Oliveira caiu no campo ingrato do esquecimento e passou longos anos na escuridão e no silêncio.

Nos meados da década de 1990, o bailarino Nilton Araújo trouxe a Pará de Minas um grupo de palhaços da Cia Stronzo, da cidade de Ouro Preto, promovendo um evento no Parque do Bariri com o objetivo de divulgar o nome de Benjamim. O evento, embora tenha feito um “barulhinho bom”, não conseguiu conscientizar a população da importância desse grande artista.

Após essa data, novamente um longo período de amnésia em relação a Benjamim abateu-se sobre a cidade de Pará de Minas e seus habitantes até os idos de 1997, quando dois fatos importantes mudaram esse cenário: o lançamento do livro Circo-Teatro: Benjamim de Oliveira e a teatralidade circense no Brasil, no estado de São Paulo, da pesquisadora e escritora Erminia Silva, e a apresentação da peça teatral Circo-Teatro Benjamim, do grupo NEPAA (Núcleo de Estudo das Performances Afro-ameríndias), do Rio de Janeiro. O nome de Benjamim ressurge como uma luz que se acende clareando um imenso picadeiro, anunciando uma comovente saga a ser contada. Os poucos habitantes que tiveram acesso a esses dois fatos se emocionaram com a trajetória do grande homem por trás do palhaço e se encantaram com as estripulias de palhaço desse notável homem.

No ano de 2008, o escritor e blogueiro Luiz David convidou vários escritores para escreverem histórias que construíram os 150 anos de emancipação político-administrativa de Pará de Minas, que se completariam em 2009. Fui convidado para escrever um artigo sobre a vida do artista Benjamim de Oliveira e do escultor e ceramista Sica (Raimundo Nogueira de Faria). A vida dos dois se entrelaçou no maravilhoso mundo das artes, pois ambos se tornaram artistas muito conhecidos e eram autodidatas.

Desde meados de 1990, eu vinha pesquisando sobre Benjamim de Oliveira e, no início de 2009, quando me encontrava em pleno exercício da escrita do artigo sobre ele, fui tomado de surpresa quando fui convidado pela secretária de Cultura Maiza Lage Barbosa para assumir o Departamento de Cultura, hoje Departamento de Ação e Difusão Cultural. Tão logo assumimos, começamos a mapear os grupos artísticos locais, nossos produtos culturais, nossas histórias. Em meio a esses estudos para divulgar a cultura local, uma das propostas que surgiram foi a criação do PARABENJAMIM- FESTIVAL DE PALHAÇO DE PARÁ DE MINAS.

A primeira edição do PARABENJAMIM aconteceu nos dias 9, 10 e 11 de junho de 2009. Para que ela acontecesse, foi fundamental a contribuição do palhaço Pururuca, que há 35 anos mantém viva a arte circense por aqui, e de Sula Mavrudis, que não mediu esforços para nos colocar em contato com grupos de circo-teatro, com palhaços, donos de circo, acrobatas, malabaristas e com pesquisadores relacionados ao tema.  Estiveram presentes na primeira edição o Grupo de Teatro Maracutaia e o Palhaço Pururuca (Rogério Faria), ambos de Pará de Minas; a Cia. Bobagem, o Grupo de Teatro Terceira Margem, a contadora de histórias Sula Mavrudis e a comediante Cida Mendes, todos de Belo Horizonte. Ao todo, foram cinco apresentações que aconteceram em escolas, praças e espaços alternativos, tendo o palhaço como tema. Também ocorreu um debate no Auditório 1 da Faculdade de Pará de Minas, que trouxe mais informações sobre a arte circense aos artistas e instigou o público presente a conhecer tanto o universo riquíssimo do palhaço como a vida e a obra de Benjamim de Oliveira. Nesse cenário ainda tímido, a escritora e pesquisadora Erminia Silva doou para Pará de Minas parte de um arquivo fotográfico que conseguiu reunir durante sua pesquisa para sua tese de doutorado sobre Benjamim de Oliveira. A doação resultou numa exposição no hall do prédio da Casa da Cultura durante o mês de junho e teve expressiva visitação.Todo esse acervo fotográfico foi doado para o Museu Histórico de Pará de Minas, juntamente com uma doação que a escritora pará-minense Terezinha Pereira conseguiu junto à Biblioteca Nacional, três peças do gênero circo-teatro escritas por Oliveira: A pupila do diabo, Pescadores e Barraca do cigano.

Talvez por falta de oportunidade, demoramos muito tempo para prestar essas homenagens ao pará-minense Benjamim Chaves, cujo nome artístico é Benjamim de Oliveira. Porém, agora, oportunamente essa injustiça foi corrigida!  Depois do lançamento do livro Circo-Teatro: Benjamim de Oliveira e a teatralidade circense no Brasil, da passagem do grupo de teatro do NEPAA, do Rio de Janeiro, com a peça Circo-Teatro Benjamim, e da primeira edição do PARABENJAMIM- 1º FESTIVAL DE PALHAÇO DE PARÁ DE MINAS, a cidade e seus habitantes incorporaram em suas rodas de prosa a fascinante trajetória do menino negro, escravo alforriado que nasceu em 1870 em Pará de Minas e fugiu com o circo e, predestinado ou não, se tornou um dos maiores artistas do Brasil.


*José Roberto Pereira é ator, escritor membro da Academia de Letras de Pará de Minas, diretor de cultura da Secretaria de Cultura de Pará de Minas.

 

Postado em 17.06.2010.

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