Museu Histórico de Pará de Minas

Pará de Minas, Patafufo de outras eras

                                                                           Rita de Cássia Carvalho de Almeida*

        Comemorando o Sesquicentenário de Pará de Minas, passa pelos nossos olhos a história de 150 anos da nossa cidade toda registrada em fotos antigas, em preto e branco, cenas de fatos contados e, talvez até por alguns, já vividos, de um arraial que com o passar dos anos se espreguiça em confortável crescimento.
        A saudade existe, mesmo para quem não viveu nas ruas empoeiradas do nosso Pará antigo, porque cada um traz consigo recordações de casos ouvidos na infância por nossos antepassados e até mesmo quando andando pelas ruas de Pará de Minas, observamos as poucas construções que resistiram ao tempo. É impossível não nos remeter ao passado, à infância, e relembrar cenas que nos fizeram felizes e nos marcaram; imaginamos e relembramos casas construídas de formas tímidas em pontos distantes que foram formando aos poucos uma acolhedora e familiar cidadezinha do interior, que abrigou entre suas serras e montanhas aconchegantes os que chegaram, formando nas casas, famílias determinadas a enraizar neste chão valores e tradições. Então, sabemos da construção da capela, uma singela construção onde os primeiros moradores firmaram a força religiosa e a fé inabalável, que caracteriza as pessoas deste lugar.
        As famílias se formaram, ternamente foram se entrelaçando e a população da nossa cidade foi crescendo, exigindo a organização física do Pará: uma rua principal, nossa Rua Direita, era como jardim florindo, pequenas casas, solares, portas comerciais. Foram chegando as indústrias, os teares, as escolas, a farmácia e, na Serra de Santa Cruz, o Cristo, tudo que é necessário para um povo de bem morar. Esse espaço ia ficando tão lindo, com gente indo e vindo, animados e orgulhosos da beleza do Pará.
         A vida corria assim, leve e sem pressa; ficou na memória de muitos o som do sino da matriz, o apito do trem e a buzina da carrocinha de pão. E a gente pensa agora como deviam ser bonitas as paradas do Sete de Setembro e do aniversário da cidade, uniformes impecáveis das normalistas e dos rapazes do imenso Colégio São Francisco, do passeio na praça depois da missa, onde homens e mulheres, moças e rapazes exibiam com elegância seus melhores ternos num papo descompromissado.
         Lembramos das cadeiras nas calçadas, dos jogos nos campos de futebol, das senhoras sempre passando com véu e terço na mão, das missas na Matriz, porque não podiam se esquecer da fé e da oração. Pará de Minas naquela época era uma princesinha linda, encantando nosso olhar.
         Nasceram aqui, personalidades inesquecíveis no Estado e na Nação. Personalidades de todos os segmentos foram aqui embaladas por cantigas de ninar; fortes políticos, médicos capacitados, advogados brilhantes, engenheiros inteligentes, professores notáveis e jornalistas memoráveis, inúmeros homens simples e modestos, que mesmo sem formação, deixaram imensa contribuição, legados respeitáveis por gerações e gerações.
         Religiosos zelosos tivemos a benção de conviver e, sobretudo, com muitas pessoas com a sensibilidade à flor da pele, os artistas da terra, atores, cantores, escritores e poetas. Pará de Minas é, na verdade, um berço a receber pessoas sensíveis que encantam na sua maneira de ser, sentir e pensar.
         O tempo foi passando e o modesto crescimento acelerou (era preciso). Pará de Minas crescia a olhos vistos, coloria-se de construções, de avanços necessários; ruas abriam-se, escolas e mais escolas eram criadas, a população aumentava e era imprescindível que a organização de antes não se afastasse deste lugar. De princesinha do Oeste mineiro, Pará de Minas ia se revelando Cidade Rainha. E como mágica, como alguém que vai ali e volta já, a gente olha o Pará, percebe que o tempo passou.
         Os anos passados agora são recordações e doces lembranças! Nossos olhos agora vêem tantas cores, um arco-íris de cores que constatam o crescimento, o progresso incessante do nosso querido Pará.
         Comemoramos neste ano o sesquicentenário de Pará de Minas! Data marcante para todos, homens e mulheres de todas as idades, que de uma forma ou de outra, cada um no seu tempo, do seu modo, da sua forma, contribuíram e contribuem para que nossa cidade, hoje com mais de 80 mil habitantes, possa celebrar com orgulho este momento de prosperidade e desenvolvimento, que culmina com seus 150 anos.
         Pará de Minas é uma cidade em desenvolvimento, cidade feliz, promissora, com gente que trabalha, que se congrega em torno dos seus interesses. É impossível não se orgulhar de aqui ter nascido, de viver nesta terra hospitaleira, fértil e que, seguramente, apresenta hoje e para o seu futuro perspectivas de oportunidades de trabalho e de emprego. E assim, revelada, a cidade é história viva de um povo que aqui chegou, nasceu e se propôs a fazer deste lugar seu verdadeiro lar, seu presente e seu futuro, uma cidade exemplo.
         As pessoas que administram e movem toda a nossa sociedade formam uma corrente humana; elos que são, não se cansam, não se intimidam diante de novos desafios, cada um no seu segmento, do prefeito ao gari, do pai de família à criança, todos fazem da nossa cidade a nossa alegria, o nosso orgulho.
         Feliz aniversário e parabéns Pará de Minas, força física do Centro-Oeste mineiro. Feliz caminhar, feliz progredir, feliz avançar!


* Rita de Cássia Carvalho de Almeida é poeta e professora. À pedido da direção do Museu Histórico de Pará de Minas, em 10 de agosto de 2009 escreveu este texto para ser inserido na exposição “Pará de Minas, 150 anos. Uma trajetória de fé e trabalho da nossa gente”. O texto, gravado na bonita voz de Myrtes Pereira, embala antigas fotografias da cidade que desfilam em um movie maker produzido para a ocasião.
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Entrega da restauração do1º livro ata da Câmara de Vereadores de Pará de Minas

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              A Câmara de Vereadores de Pará de Minas viabilizou no ano do Sesquicentenário de emancipação político-administrativa do Município, a restauração do seu primeiro Livro Ata. O trabalho foi executado por Blanche Thais Porto de Matos, do Ateliê Marca d'Água (Belo Horizonte/MG), com aplicação de técnicas que seguem as normas e critérios de restauração vigentes internacionalmente. Técnica apurada, história da arte, química, ética e talento, unem-se à teoria do restauro para proporcionar os mais satisfatórios resultados profissionais.
             O livro, que estava em lamentável estado de conservação, foi salvo do incêndio ocorrido no prédio da Câmara do Pará em 1923. As marcas do triste episódio ficaram na capa, nas folhas ressecadas, com bordas escurecidas pelo fogo. Com a passagem do tempo, as folhas quebradiças foram soltando-se da lombada, desordenando-se, deteriorando-se, e a importante documentação teve que ser recolhida dos olhares investigativos e curiosos, evitando-se a perda total.
            O primeiro registro desse livro é a ata de instalação da Vila do Pará, em 20 de setembro de 1859, seguido das primeiras iniciativas da Câmara de Vereadores do recém criado município. O último registro é a ata da sessão da Câmara do dia 10 de janeiro de 1863.
           O Presidente da Câmara, Geraldo da Silva Sabino, ao ver a situação do relevante documento, atendeu à solicitação do Museu Histórico, com total aprovação dos outros vereadores, e promoveu a restauração da preciosa documentação. O contrato para os trabalhos foi assinado em 21 de agosto e, após 4 meses, em 18 de dezembro de 2009, a restauradora responsável pelo serviço, Blanche Thais Porto de Matos, fez a entrega oficial do livro ao Presidente Geraldo da Silva Sabino, que o repassou para a guarda do Museu Histórico, entregando-o à diretora Ana Maria Campos, durante cerimônia na Câmara Municipal.
           Estiveram presentes nessa cerimônia, o Prefeito Zezé Porfírio, o Vice-Prefeito Eugênio Mansur, a Secretária da Cultura Maiza Lage, a Diretora do Museu Ana Maria Campos, os vereadores Marcílio Magela de Souza, Silvério Severino, Renato Almeida, Vilson José dos Santos, vereador eleito presidente para a gestão 2010 da Câmara, a Presidente do Conselho do Patrimônio Municipal, Nanci Teixeira, Délio Alves, representando o Deputado Inácio Franco, representantes da imprensa (rádios, jornais e TV), e muitos outros interessados na recuperação do valioso livro.
A Câmara de Pará de Minas, com esse ato exemplar promovido pelo seu presidente, dá mostras da valorização da história e da memória, conhecimentos que nos dão segurança de pertencimento a essa terra querida e a esse povo amável, além de proporcionar o acesso à herança cultural para entendermos a formação do nosso território, da sociedade a que pertencemos.
          O gesto do Presidente Geraldo Sabino, representando todos os vereadores, além de seguir a Constituição Brasileira, artigo 23, que se refere à proteção de documentos, também promoveu o enriquecimento do patrimônio cultural de Pará de Minas, legado da história de nossa terra sesquicentenária. Tão valioso patrimônio será pesquisado e preservado pelo Museu Histórico para as futuras gerações.

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Lançamento do Hino do Sesquicentenário de Pará de Minas

              Autoridades, público numeroso, todos entusismados e participativos para o lançamento do Hino do Sesquicentenário, na noite do "Parabéns, Pará de Minas!" , promoção do Museu Histórico com o Coral Nossa Senhora da Piedade e Secretaria Municipal da Cultura, em 20 de outubro de 2009.
             As músicas interpretadas pelo Coral, enaltecendo Pará de Minas, foram compostas por autores da terra e encantaram a todos. A apresentação do Hino do Sesquicentenário de Pará de Minas, autoria da maestrina do Coral, Dalva Frágula, e Júlio Saldanha, também integrante do Coral, foi o ápice da noite. 
“Causos” do Pará, contados pelas integrantes do grupo de Teatro Serenidade, cuja diretora é Isabel Faria, intercalaram as músicas proporcionando momentos hilários. Uma das surpresas foi a entrada da Rainha do Centenário, senhora Nívea Mendes Pinto, usando a faixa e a coroa com as quais foi coroada em 1959, causando admiração pela elegância e beleza serena ostentadas. A outra surpresa, foi a entrada do bolo de aniversário dos 150 anos de Pará de Minas, confeccionado em quatro andares decorados com a bandeira do Município, o selo dos 150 anos, a pauta do Hino do Sesquicentenário, entre outros ornatos. O bolo foi confeccionado por Ivânia Rezende. O Coral Nossa Senhora da Piedade proporcionou a Pará de Minas uma noite encantadora e mágica!

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Museu de cara nova

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As comemorações dos 150 anos de Pará de Minas serviram de inspiração para reavivar o prédio do Museu Histórico. Há 11 anos sem passar por uma reforma, a área física da instituição foi revitalizada. Na área externa, o tradicional tom marfim das paredes cedeu lugar para o verde kiwi e novas plantas foram introduzidas para transformar os canteiros em belos jardins. Dentro do museu, foram realizadas reformas no forro de palhinha, portas, janelas, rodapés, sanitários e a pintura das paredes.
Ao término das obras, as salas receberam peças e registros da memória da cidade para a exposição comemorativa desse momento histórico. A exposição "Pará de Minas, 150 anos. Uma trajetória de fé e trabalho da nossa gente" foi aberta em 25 de novembro de 2009, durante a inauguração das obras de reforma e revitalização do prédio. A mostra reune imagens, documentos textuais e objetos da evolução histórica de Pará de Minas nos 150 anos de sua emancipação político-administrativa.Simultaneamente, celebra a instituição da memória municipal, que também comemorou os 25 anos de atividades. A exposição visou:
- fazer um resgate histórico e cultural do Município e da instituição museal, divulgando maior conhecimento em relação à memória do Pará;
- comemorar o Sesquicentenário do Município e o Jubileu de Prata do Museu Histórico;
- levar a comunidade a conhecer e refletir sobre a trajetória histórica da formação e desenvolvimento do Município, valorizando os feitos dos antepassados;
- despertar a comunidade sobre a necessidade de se preservar os testemunhos materiais da história comunitária;
- despertar a reflexão sobre o futuro que almejam para Pará de Minas e sobre a herança cultural que pode ser legada à posteridade;
- valorizar o trabalho e a função social do Museu.

Um movie maker, gentil produção de Alaércio Delfino, com imagens antigas de Pará de Minas, embaladas por sensível e belo texto de Rita Carvalho narrado por Myrtes Pereira e músicas que autores da terra fizeram para a cidade, complementa a exposição, assim como o VT mostrando a cidade atualmente, sua economia, educação, cultura, enfim, mostrando o patrimônio construído por gerações e que foi legado a nós; patrimônio que deve ser conservado e ampliado.

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